Pensamentos aleatórios

30 de abril de 2016

Marconi anuncia medidas para combater o desemprego em Niquelândia, onde o prefeito é... do PMDB

Vejam só que coisa interessante: no dia 19 de janeiro deste ano, a Votorantim Metais anunciou a suspensão das atividades de sua usina em Niquelândia, devido a baixa cotação do níquel no mercado internacional, causando a demissão de 800 pessoas e provocando uma grave crise na cidade, cuja economia gira em torno da empresa.


Ontem, dia 29 de abril, três meses após o anúncio da suspensão, o governador Marconi Perillo esteve em Niquelândia onde anunciou uma série de medidas para amenizar os impactos negativos que o fechamento da usina vem provocando na cidade, conforme notícia do Jornal Opção:


Diz a matéria que desde o anúncio de suspensão das atividades, o governador tem trabalhado junto aos empresários locais para encontrar alternativas de geração de emprego e renda de forma que a população de Niquelândia sofra o mínimo possível e cita uma fala do prefeito da cidade, Luiz Teixeira Alves, enaltecendo esse esforço do governador: “Essa ajuda que o governador traz para Niquelândia é muito positiva para a cidade. Vai movimentar nossa economia”. Detalhe: Luiz Teixeira é do PMDB, partido antagônico do PSDB de Marconi.

Ok, e daí?

Daí que a rapidez com que Marconi agiu para socorrer uma cidade administrada pelo PMDB contrasta com a lerdeza para o tratamento que o governador tem com Catalão, administrada pelo seu compadre, parceiro, amigo, colega, companheiro e quase irmão Jardel Sebba, que desde o anúncio do início das demissões na MMC, em meados de outubro de 2015 (SETE MESES ATRÁS), não recebeu sequer uma visita de solidariedade do governador quanto mais anúncios de medidas para salvar o emprego dos catalanos ou mitigar a recessão pela qual passa o município, que só da MMC já conta mais de 1400 desempregados.




Muito diferente de Niquelândia onde, repito, o prefeito é do PMDB (seria um sinal para os catalanos?).

Aí eu pergunto: qual a vantagem de ter um prefeito que é compadre, parceiro, amigo, colega, companheiro e quase irmão do governador se nada do Governo de Goiás vem pra Catalão?

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28 de abril de 2016

Prefeitura de Catalão investe no comércio... das outras cidades!!!

Uma das coisas que mais aflige a população catalana atualmente é preocupação com o emprego, situação bastante agravada com a diminuição da produção da MMC, a consequente demissão de mais de 1000 trabalhadores da empresa e a notícia da venda da planta da Anglo American localizada no município, o que gera ainda mais incerteza com a manutenção dos postos de trabalho que movimentam a economia local.

O cenário de crise é global, não cabendo atribuir culpa exclusiva aos agentes públicos locais pela recessão atual. No entanto, caberia ao poder público municipal elaborar mecanismos e políticas, se não de proteção aos empregos gerados pela indústria, para criação de alternativas à população de modo a diminuir a dependência a apenas alguns nichos econômicos. Isso se daria com a atração de novas empresas (função da Secretaria de Indústria e Comércio), de capacitação de trabalhadores e criação de programas alternativos de geração de renda (função da Secretaria de Trabalho e Renda), por meio de incentivos econômicos a micro e pequenas empresas, através da diminuição de impostos para quem garantisse o emprego dos funcionários (Secretaria de Finanças) e, por último, mas não menos importante, investindo no comércio local licitando, comprando e pagando de empresas e fornecedores locais, de modo que o dinheiro da Prefeitura circulasse na cidade, gerando e mantendo empregos daqui. Esse último mecanismo foi usado com frequência nas gestões anteriores, especialmente na gestão Velomar que investia cerca de 6 milhões de reais por mês no comércio local (e pagando em dia, diga-se), mas infelizmente foi abandonado nessa gestão, que além de ter Secretarias que não cumprem sua função optou por comprar e contratar com empresas de outras cidades, levando para fora o dinheiro gerado em Catalão, o que provocou a crise no comércio local, pois o dinheiro não circula mais na economia catalana.

Para provar a argumentação seguem alguns Extratos de Licitação recentes publicados pela Comissão de Licitação da Prefeitura, que atestam a sacanagem (não existe outra palavra que defina tão bem essa situação) que a gestão Jardel faz com o comércio local. Confira:

 19/04/2016 - Contrato de aluguel: 198 mil reais de Catalão... para UBERLÂNDIA.

19/04/2016 - Aquisição de mesas e cadeiras: 65 mil reais de Catalão... para GUAPIAÇU/SP.

 


25/04/2016 - Manutenção e solda de veículos: 237 mil reais de Catalão... para GOIÂNIA.




27/04/2016 - Aquisição de óleo, graxa e filtros para veículos: 394 mil reais de Catalão... para UBERLÂNDIA, GOIÂNIA e PINDORAMA/SP.

É claro que se não existirem empresas locais capazes de prestar os serviços solicitados não há problemas algum em a Prefeitura buscar fora, o que deve ser o caso desses processos acima, pois é difícil achar em Catalão quem tenha prédio para alugar, fábrica de móveis, oficina para manutenção e solda de veículos e empresa que vende óleo, graxa e filtros para veículos.

E depois ainda tem a pachorra de tirar foto com o presidente da MMC e dizer que está protegendo o emprego dos catalanos...

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Recordar é viver: reedição de post de 2014

Grandes líderes políticos e suas fotos sem camisa (cada povo tem o líder que merece):


É nóis!!!

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As aventuras de Capachão, o melhor vereador da base aliada


Aguente firme, Capachão, no final seu esforço será reconhecido!!!

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27 de abril de 2016

Larga essa cruz, irmão!!!


Sabemos que você é católico, Silvano, mas Cristo é um só e ele já carregou os pecados da humanidade, não precisa se sacrificar tanto...

Se bem que, como diz a Bíblia, os humilhados serão exaltados, então... AMÉM IRMÃO!!!

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26 de abril de 2016

Quem propõe eleições gerais como saída da crise política brasileira é desinformado ou está contando lorota

Segundo opinião do advogado especialista em Direito Eleitoral, Dyogo Crosara, publicada na edição de ontem do jornal O Popular, não é possível antecipar o fim dos mandatos e convocar eleições gerais, simplesmente porque esse mecanismo não está previsto na Constituição Federal. 

Para que isso ocorresse seria necessário convocar uma assembleia constituinte para a elaboração de uma nova constituição. Como a antecipação das eleições não está prevista em nosso ordenamento jurídico, se ocorresse seria um golpe, mesmo que a convocação de eleições se desse por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), pois atingiria uma das cláusulas pétreas da Carta Magna: o regime democrático, que prevê mandato de quatro anos para presidente da República.

Ou seja, quem propõe a realização de eleições gerais como solução para a crise política brasileira pode se enquadrar em duas categorias: ou é desinformado e está falando o que não sabe ou então é demagogo e está contando lorotas para enganar a população, pois legalmente essa possibilidade não existe.


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A matéria da revista Exame que você jamais verá no site da Prefeitura de Catalão


No começo deste ano foi veiculada com muito estardalhaço uma matéria da revista Exame, da Editora Abril, que destacava Catalão colocando-a na 42ª posição entre as 100 melhores cidades brasileiras com melhor infraestrutura no Brasil o que, segundo o texto divulgado no site da Prefeitura, é devido a moderna gestão que Jardel faz em Catalão. 


Que coisa boa, né?!

Pena que toda essa infraestrutura toda não tenha servido para atrair nenhuma grande empresa para Catalão nos últimos três anos, diferente de Palmeiras de Goiás, Ipameri e Rialma, que sequer aparecem no ranking e receberão, com o apoio do Governo de Goiás (do compadre Marconi), cerca de 600 milhões de reais em investimentos através da instalação de oito novas empresas, que irão gerar mais de 3.884 (TRÊS MIL OITOCENTOS E OITENTA E QUATRO) vagas de emprego, entre diretos e indiretos. Será que nem um pouco desses investimentos e empregos poderia ser direcionado para Catalão para minimizar a crise causada pelas demissões na MMC? Aparentemente o compadre Marconi não acha e o prefeito concorda, pois não se ouviu nenhuma crítica dele sobre isso...

Isso o site da Prefeitura não divulga, né?! 

Mas outro coisa que o site da Prefeitura não vai divulgar é uma nova matéria da mesma revista Exame destacando Catalão, mas agora colocando-a no ranking das cidades com maior proporção de cargos comissionados, em segundo lugar entre 19 municípios pesquisados, ficando atrás apenas de Aragarças que, coincidência é claro, também tem um prefeito tucano:


Lembrando que esse ranking foi elaborado com dados de 2015, devendo ser muito maior agora, afinal é ano de eleição e é sabido que a principal moeda para atração de apoios é a indicação de cargos comissionados pelos partidos aliados o que, é claro, não deve ocorrer em Catalão, afinal as pessoas se aproximam de Jardel só o fazem pela ótima gestão que ele está fazendo e pelo desejo de apoiar e trabalhar por Catalão.

Isso é o que o site da Prefeitura vai divulgar.

O link da matéria completa da revista Exame pode ser acessado aqui.

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25 de abril de 2016

A contraditória entrevista de Jardel ao Diário da Manhã


Acabei de ler a entrevista concedida pelo prefeito Jardel Sebba ao jornal Diário da Manhã, publicada na edição de ontem, e recomendo que leiam, pois é um show de contradições e ódio como poucas visto em manifestações anteriores do prefeito.

O principal ponto da entrevista é a crítica veemente que Jardel faz ao apoio do PSDB a um possível Governo Temer, taxando o Impeachment de golpe e o vice-presidente de oportunista, indo na contramão do PSDB nacional e de seu compadre Marconi, que já declarou apoio a Temer e, oportunisticamente, já está se reunindo com o provável "núcleo duro" do próximo Governo, como noticiado pelo Jornal Opção:


Quanto às declaração do prefeito sobre o processo do Impeachment tenho que concordar com ele, pois também considero o que está acontecendo no Congresso Nacional um golpe, no entanto estranho ele criticar o Impeachment somente agora, pois há poucos dias  publicou em seu perfil no Facebook que "a democracia brasileira saiu fortalecida" com a aprovação do Impeachment:


Que mudança, hein?!

Também não entendo quando ele critica o "oportunismo" de Temer, afinal o seu compadre Marconi é o maior oportunista de todos os tempos quando o assunto é se aproveitar do Governo Federal, e Jardel nunca criticou a posição "duas-caras" do compadre que, se fosse coerente, orientaria sua bancada a votar contra o impedimento da Presidente, já que o Governo Dilma o carregou nas costas durante os últimos quatro anos. Mas paciência, para Jardel pau que bate em Chico não serve para bater em Francisco.


Outra coisa que chamou a atenção na entrevista foi o ódio com o qual ele critica o PMDB goiano, que segundo ele produziu escândalos de corrupção que envergonharam e quebraram Goiás, com o especial destaque para Catalão, que de acordo com Jardel produziu "dois históricos escândalos de supostos desvios de recursos públicos para bolsos privados": a Operação Ouro Negro (desvio de 11 milhões de reais em obras de pavimentação) e o caso das Pastinhas do IPASC (que teria causado prejuízo também de 11 milhões de reais ao Instituto de Previdência dos Servidores de Catalão). Estranhamente nem Jardel nem o repórter que conduziu a entrevista mencionaram o fato que nenhuma das duas "operações" deu em nada, ninguém foi indiciado nem condenado a devolver nenhum centavo dos supostos desvios cometidos. Situação totalmente diferente do próprio Jardel, que nos últimos anos teve bens bloqueados pela Justiça na valor de R$ 6.225.957,03 (quase 7 milhões de reais) por duas operações do Ministério Público que apuram desvio de recursos por meio da contratação de funcionários fantasmas (Padre Fantasma e Operação Poltergeist), isso sem mencionar o pedido de bloqueio de R$ 3.738.767,19 pela contratação de mais 32 funcionários fantasmas na época em que Jardel foi presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, o que vai totalizar quase 10 milhões de reais em bens bloqueados, conforme consulta ao site do Ministério Público:


E isso só da época em que ele foi presidente da Assembleia!!!

Outra consulta ao site do MP, agora sobre a gestão Jardel na Prefeitura de Catalão, produziu muito mais resultados (confira aqui), que vão desde recomendações ignoradas pelo prefeito (como no caso da contratação do Instituto Qualicon para realizar os concursos da SAE e da Prefeitura), passando por ações para anulação da cobrança de taxas ilegais (as da SAE), de improbidade pela contratação de assessoria jurídica sem o devido processo licitatório (também para a SAE), de ressarcimento de valores gastos para contratar shows para inaugurar postos de saúde que até hoje não funcionam por falta de materiais básicos (UBS Pontal Norte e Evelina Nour) e de outras irregularidades na gestão, o que comprova a incompetência e irresponsabilidade no uso do dinheiro público, algo impensável para um político experiente e tão bem articulado quanto Jardel. Esse último ponto inclusive é lembrado na entrevista, destacando que Jardel é um "tucano de alta plumagem" já tendo sido Presidente da Assembleia e Governador interino, amigo de Aécio Neves (e isso é vantagem?) e de Marconi Perillo, embora fatos dos últimos anos contradigam essa afirmação.

Desde o início da gestão Jardel na Prefeitura de Catalão Marconi parece ter se esquecido dessa amizade, afinal nenhuma das vantagens que os catalanos teriam com a famosa "parceria" com o Governo de Goiás foi vista até agora: o CREDEQ não saiu do papel, a duplicação da rodovia até Goiânia também não, o Colégio Militar muito menos, sem mencionar o funcionamento do aeroporto, a reforma do Ginásio Internacional, a não ampliação da área do DIMIC e a não instalação de NENHUMA empresa em Catalão nos últimos três anos (diferente de outras cidades que não tem prefeito compadre do governador e receberam várias grandes empresas). Daí deduz-se que a plumagem tucana de Jardel já não é mais a mesma, afinal se fosse Marconi não lhe daria o puxão de orelha que deu por sua declaração contrária ao Impeachment:
 

No final da entrevista são citados alguns números sobre Catalão (153º lugar no IDEB, 5º maior PIB de Goiás, 12º lugar - em quê? - entre os 246 municípios goianos) dando a entender que foi a gestão Jardel que levou a cidade a atingir esses índices, no entanto não cita que Catalão ocupa o 1º lugar no ranking do desemprego dos município do interior de Goiás (dados do CAGED do Ministério do Trabalho), ocupa o vergonhoso 120º lugar em transparência entre os 246 municípios goianos (ranking do Ministério Público Federal) e nem que a gestão Jardel contraiu empréstimos e dívidas milionárias que deverão ser pagos pelos próximos dois prefeitos (CELG, PMAT, Caixa Econômica, dívidas protestadas em Cartório e outras), sem mencionar a malha asfáltica deteriorada e a incompetência em trocar lâmpadas, coisas que não são condizentes para um eficiente gestor público.

Jardel também cita como solução para a crise e o impasse político no Brasil a realização de eleições gerais em outubro deste ano, certo de que o atual sistema político é bom, ruim são os que estão em seus mandatos (ele incluído), a proposta mais equivocada, pois foi justamente o atual sistema, através do financiamento empresarial de campanhas e voto proporcional que levou a crise instalada, ou seja, de nada adiantariam novas eleições sem uma ampla e profunda reforma política, que diminuísse a disparidade das campanhas (acabando com a dependência de financiamento), estabelecesse o voto distrital (de modo que nenhuma região ficasse sem representação), acabasse com os partidos de aluguel e estabelecesse a possibilidade de a população avaliar, pelo voto direto, os seus governantes. Aí sim, a gente poderia começar do zero e realizar novas eleições para todos os cargos, de vereador, prefeito, deputados, senadores, governadores e presidente. Sem isso propor eleições diretas não passa de demagogia barata.

A verdade é que a birra de Jardel com Temer nada tem a ver com o golpe ou com o desrespeito a democracia. Tem a ver sim é com o medo do impacto que uma presidência do PMDB terá nas eleições municipais deste ano, principalmente em Catalão, onde Temer já veio pedir voto na eleição passada, para o adversário. Daí a indignação de Jardel, que o levou até a ir contra a posição de seu mentor. Mas é uma bobagem e exagero de Jardel, pois mesmo que Michel Temer assuma a Presidência e venha pedir voto para seu principal adversário não é isso que vai acabar com suas chance de reeleição, isso Jardel fez sozinho sendo o pior prefeito que Catalão já teve, e esse fato nenhuma oportunista mudança de opinião vai conseguir tirar da cabeça dos eleitores.
 
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Fogo amigo: Marconi critica opinião de Jardel sobre impeachment


A base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB) já não tem a mesma sintonia. Os discursos, que eram ensaiados, agora têm tomado caminhos antagônicos. Neste fim de semana, por exemplo, o prefeito de Catalão, Jardel Sebba (PSDB), denominou o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) como “golpe” e teve a resposta de bate-pronto do governador goiano.

“O que está acontecendo é um verdadeiro golpe de uma oligarquia corrupta contra Dilma. O PSDB não pode compactuar com isso e compor o governo de Michel Temer (PMDB)”, disse Jardel em entrevista ao Diário da Manhã - mesmo ciente da articulação de Perillo nos bastidores para conquistar um espacinho no novo cenário do Governo Federal.

Marconi foi rápido e mandou a resposta dos Estados Unidos: “Falar em golpe é ignorar os avanços conquistados e a vontade popular. O atual momento político é fruto de uma democracia consolidada e instituições fortes.”

Fonte: Goiás Real. 

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20 de abril de 2016

Belas, recatadas e do lar!!!


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Desmontando a cuspida no Bolsonaro

Assista o vídeo abaixo, feito com alguns célebres momentos do deputado Jair Bolsonaro, aquele que ao votar favorável ao Impeachment homenageou um torturador, tomou uma sonora vaia e levou uma cusparada do deputado Jean Willys, que também foi vaiado, pois errou a cuspida. Confira:


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O que Jardel fez para atrapalhar Catalão enquanto ele foi deputado?

Nos 16 anos em que foi deputado Jardel Sebba nunca foi oposição ao Governo de Goiás, na realidade sempre gozou de grande simpatia e proximidade com o Governador, daí não ser absurda e bem crível sua promessa de se fosse prefeito ter obras e recursos através de parceria com o Governo de Goiás para fazer "o melhor governo da vida dos catalanos".

É...

Mas o tempo passou e a promessa, como tudo o mais nessa gestão, não vingou. A enaltecida parceria não deu em nada e o Governo de Goiás, que deveria investir na cidade, usou os recursos municipais de muleta e conseguiu que Jardel tocasse obras de sua obrigação com dinheiro da Prefeitura em troca de "100 km lineares de asfalto" (uma promessa de 2013 e cujo resultado os amortecedores dos veículos dos catalanos conhecem muito bem), aí o Labibe Faiad foi reformado, o Vapt-Vupt foi climatizado, o IML reformado, o Batalhão dos Bombeiros mudado, um prédio para o Rita Bretas alugado, mobiliário para o aeroporto comprado e, em breve, o ginásio internacional (que está caindo aos pedaços) também será reformado... tudo feito com dinheiro da Prefeitura e em nome da "parceria" (pena que a parte do Estado nunca chegue).

Mas, para quem pensa que acabou, na semana passada uma declaração de Jardel, provavelmente endereçada ao deputado Adib Elias, acendeu o alerta para deboche dos catalanos:


Eu aceitei o desafio o que, acredito, muita gente também deve ter feito e passei a elaborar a minha lista de ações do então deputado Jardel que, se não foram entraves causados deliberadamente para atingir os prefeitos adversários, demonstram falta de empenho em usar do prestígio com o Governo de Goiás para atrair benefício aos moradores de Catalão:

  • Jardel impediu a renovação do termo de cessão do Ginásio Internacional à Prefeitura de Catalão, o que levou ao abandono do prédio e sua atual deterioração, hoje servindo de moradia para andarilhos e dependentes químicos;
  • Jardel retirou de Catalão o escritório regional da CELG, levando-o para Morrinhos, o que obrigou os moradores a recorrerem a um serviço de 0800 sempre que precisassem dos serviços da estatal, causando transtornos e prejuízos pela lentidão do serviço;
  • Jardel nunca se empenhou para ampliar a área do DIMIC, tendo o distrito a mesma área de quando foi criado, o que repercute na geração de empregos, pois podem até existir empresas interessadas em se instalar em Catalão, mas diante da ausência de áreas optam por não fazê-lo e vão para outras cidades;
  • Jardel se omitiu quando Marconi levou a Hyundai para Anápolis, mesmo sendo a tendência da empresa instalar-se em Catalão, devido à consolidação do polo automotivo capitaneado pela MMC e John Deere, o então deputado não disse uma palavra sequer em defesa de sua cidade natal;
  • Jardel não trouxe um único show para Catalão, mesmo tendo emendas para isso (todos os deputados governistas têm), privilegiando outras cidades, algumas muito menores que Catalão;
  • O aeroporto de Catalão já foi inaugurado cerca de cinco vezes e até hoje não está apto a receber voos comerciais regulares, Jardel nunca emitiu um documento sequer cobrando do Governo de Goiás agilidade nas obras;
  • Jardel se omitiu de novo sobre a instalação da Suzuki em Itumbiara e, para agradar o seu líder Marconi, deixou o prefeito José Gomes levar parte dos investimentos que também eram tendência virem para Catalão, mais uma vez prejudicando a população de sua cidade natal.

Como é uma lista feita com base em lembranças, e não em pesquisa, devem ter outros fatos que não me recordo, mas é uma relação que outros com certeza podem complementar.

E aí, qual é a sua sugestão para essa lista?

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19 de abril de 2016

No "Dia do Índio", nos lembremos de Juruna, o índio deputado do Brasil

Por Cynara Menezes

Juruna e sua esposa, Doralice, no dia da posse. Foto: Orlando Brito

Parece incrível, mas em 125 anos de República o Brasil só teve um parlamentar indígena: Mario Juruna (1942-2002). E nunca mais foi Dia do Índio no parlamento desde que ele saiu de lá –em vez disso, multiplicaram-se no Congresso os inimigos da causa indígena. No final da década de 1970, Juruna se tornara conhecido por empunhar um gravador onde registrava as falsas promessas feitas por altos funcionários do governo de devolver as terras dos Xavante. Dizia: “homem branco mente muito”. Acabou eleito deputado federal pelo PDT de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, com mais de 30 mil votos, na eleição de 1982.

Sua passagem pelo Congresso foi marcada pela tentativa de ridicularizá-lo e de transformá-lo num bufão. Jô Soares, em seu programa humorístico na Globo, logo criou um índio que mal sabia falar o português para que os telespectadores rissem dele. O general João Baptista de Figueiredo, último presidente militar, foi o primeiro a rosnar contra Juruna, dizendo que o Rio de Janeiro só tinha eleito “índios e cantores de rádio”. Seu ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Matos, verbalizou a definição inconfessável que estava em todas as cabeças da direita: “aculturado exótico”.

O líder xavante fora convencido a entrar na política por Darcy, que denunciou a campanha contra o índio deputado feita sobretudo pela imprensa. “Este índio novo, tão melhor armado para a sua própria defesa, provoca grandes antipatias. O seu símbolo maior, Mário Juruna, chega a desencadear ódios como se fosse um ser detestável. É profundamente lamentável que até a imprensa mais respeitável do país, a exemplo do Jornal do Brasil, tenha mantido, durante anos, uma campanha sistemática de desinformação contra o deputado Mário Juruna, através dos procedimentos mais antiéticos, indignos da sua tradição jornalística.” Segundo Darcy, foi “graças à mobilização que ele fez de todos os Xavantes e à declaração de guerra que impôs à sociedade brasileira, que recuperou para o seu povo mais da metade do território tribal, roubado com a conivência de funcionários da FUNAI”.

No dia da sua posse como deputado, em março de 1983, Juruna foi aplaudidíssimo, mais até que Ulysses Guimarães. Decidido a só fazer seu primeiro discurso no Dia do Índio, resolveu falar uns dias antes apenas para reclamar das alfinetadas de Figueiredo. “Estou muito revoltado. Este presidente da República tem que fazer serviço para garantir emprego ao povo brasileiro e não para fazer campanha de calúnia contra as pessoas. Eu sou contra a repressão, contra a violência e também contra a mentira e a sujeira. O presidente não pode falar besteira, que é contra a eleição, que é contra mim. Graças a Deus fui eleito pelo Rio de Janeiro. Os cariocas me deram oportunidade para vir a Brasília, onde existe pecado, existe treteiro, existe corrupto, para protestar contra o que está errado. O governo federal quer ganhar eleições em todos os Estados do Brasil, mas ele não vai ganhar a consciência do povo, do homem carecido. O presidente não pode meter o pau em nenhum companheiro, em nenhum deputado. Ele que salve o Brasil.”

No dia 19 de abril, como prometido, subiu à tribuna e voltou à carga, valente, criticando os ministros do governo militar e pedindo sua demissão. Em setembro de 1983, iria além e chamaria os ministros de ladrões. “Todo ministro é a mesma panelinha, é a mesma cabeça. Não tem ministro nenhum que presta. Pra mim todo ministro é corrupto, ladrão, sem vergonha e mau caráter. Não vou dizer que todo ministro é bom, legal e justo. Vou dizer que todo ministro é do mesmo saco que aproveita o suor do povo trabalhador”.

Figueiredo, furioso, chegou a pedir a cassação de Juruna, mas o deputado acabou recebendo apenas uma censura por parte da Mesa. Em 1985, Mário Juruna denunciaria a tentativa de Paulo Maluf de comprar seu voto no colégio eleitoral. Devolveu o dinheiro e votou em Tancredo Neves. Desgostoso com a política após não conseguir se reeleger em 1986, Juruna morreu em 2002, vítima de diabetes. O único índio deputado morreu pobre e esquecido.

Neste Dia do Índio tão pouco lembrado, reproduzo trechos daquele primeiro discurso histórico de Juruna como deputado federal. Triste constatar como muitas das críticas que ele fazia continuam atuais. Quando vai surgir um novo Juruna no Congresso?

***

Por Mário Juruna, 19/04/1983, Congresso Nacional

Eu quero apresentar exemplo com minha candidatura, porque hoje já podia ter deputado índio. Podia ter deputado aqui no Brasil mas nós não somos culpados. Quem é culpado, é responsável, é essas pessoas que não dão oportunidade pra índio. É por isso que nós só aprende, só estuda o primário.

Então primeiro eu quero falar em nome do companheiro trabalhador, porque vocês é a mesma coisa como índio, como posseiro, é a mesma coisa como lavrador e é a mesma coisa como a tribo. Esse pessoal que está lá em cima, que a gente sofre repressão da autoridade, esse pessoal é o filho do empresário, o filho do deputado, o filho do senador. Esse resto que é o pessoal filho de pobre, eu quero considerar mais ainda esse pessoal que leva sacrifício, pessoal que sofre muito mais que a gente que está vivendo muito bem aqui na Câmara Federal.

E muita gente que achava, quando eu entrei na política, muita gente falava contra Juruna, falava: “Imagina como que Juruna vai entrar no plenário, imagina, o índio, o que é que vai resolver no plenário, como é que índio vai representar índio?” E eu quero saber: imagina, o que é que o branco pode? Talvez índio pode representar melhor do que qualquer deputado, qualquer senador e qualquer da República.

Juruna é o primeiro índio que está representando brasileiro, porque o governo brasileiro não dá oporunidade pra índio, porque ele quer continuar tutelar toda vida índio. E nós não somos tutelados, somos responsáveis, nós somos gente, nós somos ser humano.

Quem não tem consciência, me trata como objeto, me trata como boneca. E quando eu passo aqui dentro de plenário e alguns companheiros à frente de mim e diz cara emburrada é ridículo. Eu não vim aqui fuxicar com ninguém, eu vim aqui pra trabalhar, pra defender povo, eu vim aqui pra lutar. Eu quero que gente começa a respeitar nome de Juruna. Eu quero que gente trata índio brasileiro o mais possível dentro do melhor.

Cada um de nós tem consciência e cada um de nós tem capacidade. Ninguém tem menos capacidade. Todos nós tem capacidade e todos nós tem inteligência e todos nós tem a vontade para assumir onde que existe poder. Eu acho esse já é fruto está nascendo aqui dentro do Brasil, esse já é sinal está nascendo aqui dentro do plenário. Único índio que tá falando hoje, único deputado que tá falando hoje: não é terceiro, não é quinto deputado, não é cinquenta deputado. Se tiver ao menos mais cinquenta Juruna, o Juruna já tinha mudado o Brasil.

Governo da República não pode ser indicado por uma pessoa. Presidente da República tem que ser mais votado com povo brasileiro. Até eu me lembro muito bem que antes de 64 Brasil tinha muito ouro, era muito sagrado e hoje Brasil não tem mais muito ouro não. Está estragado. O Brasil não tem mais ouro. Quem está estragando o Brasil é o próprio governo federal, é este presidente da República que está estragando nosso Brasil, junto com Delfim, esse responsável pelo Brasil.

Quero falar problema do Brizola. O Brizola é homem, foi cassado, como acontece com o índio, por isso eu apoio Brizola e por isso quero dar liberdade para Brizola, porque, como acontece com o posseiro, como acontece com o índio, o Brizola foi expulso do Brasil sem necessidade. E por que o governo não expulsa outro agora? Expulsa todo o ministério, tira todo o ministério! Bota na rua todo mundo!

Se o governo federal, ele tem capacidade, ao lado do povo, se o governo federal assume, como homem, tira meia dúzia de ministro que atrapalha o nosso Brasil. Tirava meia dúzia, o presidente da República, qualquer um de nós apoiava ele. Nós apoiamos o presidente da República e nós levava para crescer mais ainda o nome dele. Desse jeito, ninguém vai apoiar o presidente. Ninguém pode apoiar sujeira. Eu mesmo não pode apoiar sujeira porque eu quero que o presidente muda o nosso Brasil. Porque o presidente é responsável da Nação, o presidente é juízo do povo, o presidente é o pai do povo, o pai do Brasil. Agora, como está hoje, o presidente é o pai do povo? Não existe pai do povo, não. Aqui não tem pai do povo, não.

O presidente foi eleito com empresário, presidente foi compromisso com multinacional, com fazendeiro, com empresário e grande empresário. Se presidente pai do Brasil, presidente segurava toda barra que está acontecendo no Brasil. E aqui gente tá morrendo. E por quê? Porque não tem presidente, não tem autoridade. E toda autoridade é comprada, toda autoridade está se vendendo, quer o dinheiro, quer ganhar dinheiro.

Às vezes, presidente é bom e assessor diretor quem engana o presidente, assessor que não leva verdade para presidente. Por isso que presidente passa mal assessorado. Se tiver assessor bom, se tiver diretor bom que levava recomendação do povo, eu acredito que presidente atendia pedido do povo.

Sou homem do povo, sou homem de campo, quando me criei não encontrei nem um branco, não encontrei nem um avião, nem automóvel, nem estrada; onde me criei era sertão, eu só escutava canto do passarinho, e hoje eu encontro muito pressão contra índio, e invasor, e estrada. A gente está recebendo muita pressão.

Quando eu tive na Holanda, é país pequeno, todo holandês vive igual. Aqui Brasil é muito grande e muita gente tá precisando da terra. Aqui eu quero pedir a V.Excia., presidente, vamos pensar juntos, vamos reformar o nosso Brasil, viu? Vamos dividir, terra é para posseiro, é terra para fazendeiro, é terra para índio, vamos dividir a nossa terra.

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Bolsonaro é violento por ter audiência ou tem audiência por ser violento?


Por Leonardo Sakamoto
 

Bolsonaro é violento? Sim, ele é. Mas não é burro. E nem está sozinho.

Representa uma camada da população que divide com ele a visão de mundo e tem orgasmos múltiplos ao ouvir as estripulias de seu deputado. Estripulias que não vêm de rompantes do fígado, mas são milimetricamente calculadas para ganhar espaço na mídia, nas redes sociais.

Todos os pontos de vista merecem ter voz em uma democracia. O problema é que a visão de mundo de Bolsonaro e representados torna o diálogo e mesmo a convivência pacífica muitas vezes impossível. Um estranho paradoxo: Bolsonaro e representados defendem a antítese da democracia, apesar de só continuarem podendo se expressar livremente por conta dela.

No capítulo mais recente, em seu voto pelo impeachment, pouco depois de parabenizar Eduardo Cunha, homenageou o açougueiro e torturador Brilhante Ustra e celebrou o golpe militar de 1964.

Bolsonaro é causa e consequência da violência de nossa sociedade. Verbaliza a visão de uma parte que reproduz processos que mantém a opressão, a dor e o preconceito. Ou seja, o que me angustia não é ele e um grupo pequeno de gente com ideias cheirando a naftalina, mas que parte do Brasil está com eles. Nas rodas de amigos em bares, mas mesas de jantar com a família, na hora do cafezinho no trabalho ou no silêncio do banheiro, lendo as notícias do dia no tablet.

Mas, principalmente, entre os mais ricos. Como destacou Fernando de Barros e Silva, na revista Piauí, entre os que têm renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (5% da população), Bolsonaro lidera a corrida presidencial na última pesquisa Datafolha. Em um dos cenários, atinge 23% desses eleitores. Entre os mais escolarizados, atinge 15% – atrás apenas de Marina Silva. Entre os que ganham dois salários mínimos, ele tem 4% – mas com potencial de crescimento porque, creio, ele não é tão conhecido nesse estrato social.

Bolsonaro tinha 29 anos quando Figueiredo deixou o Planalto para cuidar de seus cavalos. Ficou 15 anos no Exército e mantinha-se na Câmara dos Deputados devido à sua defesa dos direitos trabalhistas dos militares (pela quantidade de rifles que desaparecem dos quartéis no Rio e reaparecem nas mão do tráfico, verifica-se como os salários seguem vergonhosamente baixos). Daí, foi se destacando na defesa de assuntos simbolicamente relevantes para os seus representados.

Bons exemplos disso não faltam. Foi ele quem colocou um cartaz na porta de seu gabinete na Câmara com os dizeres “Desaparecidos do Araguaia, quem procura osso é cachorro”, zombando das famílias de vítimas da Gloriosa para encontrar as ossadas dos guerrilheiros mortos pela ditadura e enterradas em local que o Exército nega revelar.

Ou o machismo truculento presente na entrevista dada para a revista Isto é Gente, em 2000: “Meu primeiro relacionamento despencou depois que elegi a senhora Rogéria Bolsonaro vereadora, em 1992. Ela era uma dona-de-casa. Por minha causa, teve 7 mil votos na eleição. Acertamos um compromisso. Nas questões polêmicas, ela deveria ligar para o meu celular para decidir o voto dela. Mas começou a frequentar o plenário e passou a ser influenciada pelos outros vereadores. (…) Foi um compromisso. Eu a elegi. Ela tinha que seguir minhas ideias. Acho que sempre fui muito paciente e ela não soube respeitar o poder e liberdade que lhe dei''. Note o “que lhe dei''.

Outra frase de efeito: “O grande erro foi ter torturado e não matado” – esta dita após seminário no Clube Militar, no Rio de Janeiro, em 2008, contra manifestantes do Grupo Tortura Nunca Mais e da União Nacional dos Estudantes. Segundo ele, essa teria sido a melhor solução para evitar que, hoje, pessoas perseguidas pela ditadura pedissem indenização ou reclamassem a justa e correta abertura dos arquivos que contam o que aconteceu na época.

Menos “humano'' que o então seu colega de partido Paulo Maluf, que outrora sugeriu aos criminosos “estupre, mas não mate''.

Em um quadro de perguntas e respostas do programa CQC, veiculado há dois anos, compartilhou impressões sobre o mundo. Um filho que fuma maconha merece levar “porrada”. Ser um pai presente e dar boa educação garante que a prole não seja gay. E caso seus filhos se apaixonassem por uma negra, respondeu que eles eram educados e que não viveram em ambiente de promiscuidade, como a cantora Preta Gil, autora da pergunta. No dia seguinte, sua página trouxe uma justificativa: de que a pergunta foi “percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay''. Ah, então tá.

É claro que Bolsonaro e alguns militares da reserva (com a ajuda de alguns “estrelados'' da ativa) querem que a verdade e a Justiça permaneçam enterradas em cova desconhecida junto com assassinados pela ditadura. E, pelo que parece, que sejam enviados para as mesmas covas, os direitos conquistados a duras penas depois que a ditadura, que ele defende, caiu.

E tendo em vista os posicionamentos conservadores, machistas, homofóbicos, preconceituosos de grande parte da população brasileira e que são defendidos com unhas e dentes pelo nobre deputado e seu grupo, talvez você esteja do lado dele. E nem perceba.

Após seu voto violento, que fez apologia à tortura, um crime contra a humanidade, ele foi ovacionado nas redes sociais por aquela legião de pessoas que pouco se importa com a dignidade alheia.

Bolsonaro foi um dos principais beneficiados pelo processo que culminou na abertura de processo de impeachment de Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados – ao lado de Michel Temer, claro. De congressista caricatural, ele já tem 8% do eleitorado. Em 2018, não duvidaria que ele parta de índices de 15% para a campanha presidencial.

Como disse aqui, nesta segunda, Bolsonaro ocupa um espaço de porta-voz de comentaristas de redes sociais, público insatisfeito pelo fato de que seus queridos preconceitos estão sendo atacados. Segue na mesma linha de Donald Trump, mas sem o mesmo charme ou recursos financeiros.

Ambos dizem que essa parcela não precisa se sentir mal ou de adaptar à evolução do mundo, que vem incluindo pessoas antes alijadas de seus direitos. Basta lutar contra a “ditadura do politicamente correto'', uma grande besteira, pois se ela de fato existisse, não haveria sem-tetos, gente passando fome, mulheres negras ganhando menos do que homens brancos, nem pessoas mortas por amar alguém do seu jeito.

Por fim, vale lembrar que os três primeiros colocados para a eleição, em 2014, de deputado federal do Rio de Janeiro – Jair Bolsonaro (6,10%), Clarissa Garotinho (4,40%) e Eduardo Cunha (3,06%) – bem como os de São Paulo – Celso Russomanno (7,26% do total de votos), Tiririca (4,84%) e Marco Feliciano (1,90%) – têm uma característica em comum: sabem se beneficiar da exposição midiática. Parte deles fez sua carreira na mídia e a outra conseguiu entender a lógica da cobertura política e, produzindo factóides, surfou nessa lógica, mantendo-se constantemente em evidência em seus mandatos.

Discordo das avaliações de que eles foram os primeiros apenas por conta de suas pautas conservadoras, a importância da exposição é fundamental. Eles souberam criar narrativas que são um prato cheio para nós, jornalistas, ávidos por registrar e transmitir discursos que, por fugir do que acreditamos ser a forma tradicional de fazer política, chamam a atenção e produzem audiência.

Aos leitores que se enquadram como cães de guarda do pensamento mais tacanho, que não compreendem que sua liberdade não pode ferir a dignidade do seu semelhante e torcem para que possam ser preconceituosos e segregacionistas sem medo de serem incomodados, três coisas: a) esqueçam, isso não vai acontecer; b) livros de história são muito baratos; c) deve ser muito cansativo defender tanto ódio o tempo todo. Sugiro férias.

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Nada como um dia após o outro (especial votação do Impeachment)...


O prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PSB), foi preso preventivamente pela Polícia Federal em Brasília na manhã de segunda-feira. Ele é marido da deputada Raquel Muniz (PSD), que votou a favor do impeachment, e estava na capital justamente para acompanhar o processo contra a presidente Dilma Rousseff, segundo informações do jornal O Globo.

A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de fraudes em licitação na área da saúde. A ação foi batizada de “Operação Mascara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde”. Ocorreram ainda outras prisões em Montes Claros.

Ao proferir seu voto na sessão de domingo, a deputada fez questão de exaltar a gestão do marido:

– Meu voto é em homenagem às vítimas da BR-251. É para dizer que o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão. Meu voto é por Tiago, David, Gabriel, Mateus, minha neta Julia, minha mae Elza. É pelo norte de Minas, é por Montes Claros, é por Minas Gerais, é pelo Brasil. Sim, sim, sim.

Ela já tinha antecipado sua posição na discussão do processo de impeachment na sexta-feira e a gestão do marido foi vendida por ela como exemplo no combate à corrupção.

– A corrupção que assola o nosso País é a ferrugem que impede o desenvolvimento. Não podemos mais permitir essa situação. Em Montes Claros, minha cidade natal, o Prefeito Ruy Muniz, senhoras e senhores, criou a Secretaria de Prevenção à Corrupção. E, lá, temos lutado para dar mais qualidade de vida aos montes-clarenses, para garantir dignidade à nossa gente – disse Raquel Muniz, na sexta-feira.

É...

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Marcos Araken, ex-Secretário de Comunicação de Jardel, é acionado pelo Ministério Público por enriquecimento ilícito de funcionário fantasma

Marcos Araken: MP pede o bloqueio de 234 mil reais por enriquecimento de funcionária fantasma

É... contratar funcionários fantasmas e permitir o enriquecimento ilícito deles é prática comum para as pessoas ligadas ao prefeito Jardel Sebba, ao menos parece ser essa a opinião do Ministério Público de Goiás. 

Depois da denúncia dos 32 funcionários fantasmas nomeados por Jardel para trabalharem na Assembleia Legislativa de Goiás (ALEGO), mas que nunca compareceram ao trabalho nem desempenharam as funções para as quais foram contratados, agora o Ministério Público aciona o ex-Secretário de Comunicação de Jardel, Marcos Araken D'amico, por permitir o enriquecimento ilícito de funcionária fantasma na época em que trabalhou na Agência Goiana de Comunicação (Agecom) sob o comando de José Luiz Bittencourt Filho, outro amigão do prefeito de Catalão.

Namore com alguém que te olhe como o Jardel olha para o José Luiz Bittencourt


Segundo denúncia do promotor Fernando Krebs, o ex-presidente da Agecom, José Luiz Bittencourt Filho, cometeu improbidade administrativa ao permitir que Maria Dulce Lopes Gonçalves, então ocupando o cargo de Assessor Especial E III, lotada na Agecom, não comparecesse ao seu local de trabalho, o Gabinete da Presidência da agência, no período de fevereiro de 2011 a agosto de 2013, mas mesmo assim recebesse seus vencimentos normalmente, com anuência de Marcos Araken D’Amico, que atestou a frequência da servidora, possibilitando o enriquecimento ilícito dela e de Bittencourt Filho.

O Ministério Público apurou também que, antes de trabalhar na Agecom, Maria Dulce trabalhou quatro anos no gabinete do deputado federal Luiz Bittencourt, irmão do ex-presidente da Agecom, fato que demonstra o vínculo pessoal da ré com a família Bittencourt, reforçando os indícios de que era ela empregada doméstica na casa de José Luiz. Ouvidas pela CGE, servidoras da Agecom afirmaram nunca terem visto Maria Dulce, o que evidencia que ela não exerceu efetivamente suas atividades laborais.

Para garantir o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos, o Ministério Público requereu o bloqueio dos bens de Maria Dulce e José Luiz Bittencourt Filho, no valor total de R$ 429.630,63. Já de Marcos Araken foi requerido o bloqueio de R$ 234.626,08.

Tanto Bittencourt Filho quanto Araken logo devem receber a solidariedade do prefeito, pois Jardel também sabe como é chato ter bens bloqueados por contratar funcionários fantasmas (R$ 1.284.581,02, pelo padre fantasma; R$ 4.941.376,01, pela Operação Poltergeist e R$ 3.738.767,19, pelos 32 fantasmas da ALEGO), o que é injusto, diga-se, já que nomear pessoas para cargos públicos e estas receberem sem trabalhar não é crime é só implicância de promotores que não têm o que fazer e ficam pegando no pé de quem dá emprego pro povo.


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18 de abril de 2016

A charge do dia


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As lições que o dia de ontem deixou para pensar o nosso voto amanhã

Compartilho aqui no blog um excelente texto da jornalista Cileide Alves sobre o dia de ontem, que vale demais como reflexão e para pensar o voto nas eleições deste ano:

Cunha mirou um alvo, acertou outro
Sem querer o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ofereceu ao Brasil uma grande oportunidade ao realizar a sessão de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff em um domingo para o brasileiro acompanhar ao vivo.
Cunha mirou em um alvo. Queria que o Brasil parasse em frente à TV e, assim, constrangesse os parlamentares contrários ao impeachment a votar a favor da presidente. Difícil saber se esse alvo foi atingido. A julgar pelos discursos eloquentes de todos os que votaram no governo, parece que não houve constrangimento.
O presidente da Câmara, entretanto, acertou outro alvo. A sessão deste domingo (17) foi extremamente educativa. A transmissão ao vivo permitiu aos brasileiros conhecer melhor seus representantes no Parlamento. E o que viram não foi nada interessante.
As declarações de voto da imensa maioria dos deputados revelaram a baixa qualidade política dos nossos representantes e beiraram à bizarrice ou a uma ópera bufa. Houve declaração de voto pelo aniversário da neta, oferecimento à mulher, a pais e mães, a filhos, netos, tios, sobrinhos, todos citados nominalmente. Votos pela “família quadrangular”, pelos “fundamentos do cristianismo”, pelos princípios que ensinou à filha, a Deus etc. Teve cenas hilárias, como a do deputado que levou o filho para votar por ele. Cunha agiu rápido e o impediu. O voto do dito cujo era pelo impeachment e poderia ser anulado.
Todavia nem tudo foi piada. Houve momento de terror: o voto do deputado Jair Bolsonoro (PSC-RJ). “Eles perderam em 1964 e vão perder em 2016”, disse ele comparando o atual momento político brasileiro com a vitória do golpe militar. Disse que derrotaria “os comunistas” e prestou homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, e um dos maiores representantes dos torturadores da ditadura militar.
A população espera mudança, acredita que o país viverá uma nova história a partir da aprovação do impeachment por 367 votos favoráveis, 137 contrários, 7 abstenções e 2 ausências. No entanto, não há como nos iludir. Assistindo aos discursos ficamos cara a cara com quem nos representa. Não sou ingênua, mas até eu que sou veterana em coberturas políticas me assustei com esse encontro, sem intermediário, com os deputados. A população, mais distante desses círculos, deve ter se assustado mais ainda.
Vimos parlamentes despreparados, sem formação política, sem treino para a oratória, que deveria ser uma das qualidades de um bom político. Muitos berraram, pois confundem contundência política com grosseria. Ouvimos falar muito do “baixo clero”, mas poucos sabem bem o que é baixo clero e seu tamanho. A sessão deste domingo confirmou que ele existe e que é bem maior do que poderíamos imaginar.
Então me pergunto: como eles conseguiram passar no “vestibular” da eleição se são tão incapacitados para o exercício da função parlamentar? Uma das respostas pode estar no financiamento das campanhas. Ressalvando as exceções de meia dúzia de parlamentares que se elegeram pelo conjunto de seus trabalhos, a maioria chegou lá graças a caríssimas campanhas eleitorais. Em 2014, ouvia-se no meio político que a eleição de um deputado federal não custaria menos de R$ 4 milhões. Óbvia a conclusão de que com dinheiro não é necessário ter preparo para o exercício da função. Basta ter ricos doadores. É como comprar o mandato.
Dilma Rousseff caiu na Câmara, e certamente cairá no Senado, mas essa mesma Câmara que conhecemos hoje continuará lá. Nós devemos um agradecimento especial ao Eduardo Cunha por ter nos possibilitado ficar face a face com os parlamentares que ele lidera. Tomara que essa exposição por seis longas horas pela TV contribua para que nós eleitores melhoremos a qualidade de nosso voto. Não podemos nos esquecer do aprendizado de hoje para qualificar a nossa escolha nas eleições. E já, na eleição de outubro.

Cileide Alves é jornalista, especializada em política, e mestre em História pela Universidade Federal de Goiás. cileide.alves@gmail.com

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E depois?


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São 367 picaretas com anel de doutor

Por Cynara Menezes


O Brasil e o mundo inteiro viram, transmitido ao vivo, o show de horrores que foi a aprovação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff pelo plenário da Câmara. Parlamentares votando em nome das próprias famílias, parlamentares falando em nome de Deus, parlamentares assumindo que o real interesse é o estatuto do desarmamento, parlamentares falando em democracia enquanto passavam por cima da Constituição e aplicavam um golpe “constitucional” numa presidente democraticamente eleita. Teve até parlamentar saudando torturador da ditadura militar. A “razão jurídica” para o impeachment da presidenta Dilma foi absolutamente esquecida, desnudando que ela pouco importa, nunca importou. O julgamento foi político.

Os políticos corruptos ou acusados de corrupção que votaram em favor do impeachment se mostraram inteiros diante das câmeras da TV Câmara para quem quisesse ver: despreparados, sem estofo, inteiramente desconectados com o povo que os elegeu. Gente sem nenhum resquício de caráter, com cifrões no lugar dos olhos e zero preocupação com o futuro do país. Sob o signo da traição do vice-presidente da República, a cara da direita brasileira esteve exposta hoje durante seis horas ininterruptas e se mostrou provinciana, tacanha, intolerante, burra. Não sou eu quem digo, basta rever as imagens e conferir um a um os parlamentares que disseram “sim” ao impeachment. Só alguém ingênuo ou igualmente desonesto e mau caráter pode se reconhecer num político desses.

É um dia triste para o Brasil. Não sabemos o que será de nosso país daqui para a frente. Mas eu fico aliviada em saber que essa gente não me representa. Fico aliviada em saber que não só não votei nesses pilantras como não estive ao lado deles nesta votação. Quem esteve ao lado dos golpistas, não adianta se esquivar, é responsável pelo que ocorrer com o Brasil daqui para a frente. Eu vou cobrar, a esquerda vai cobrar. Agora é com vocês.

Quando Lula, em 1994, disse que havia “300 picaretas com anel de doutor” no Congresso Nacional, acharam que ele estava exagerando. Hoje vimos que ele errou na conta. São 367 picaretas na Câmara. E ainda falta contar os picaretas do Senado.

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