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Pensamentos aleatórios

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3 de agosto de 2016

O Deus dos candidatos morreu*

Antes da reforma eleitoral, que tirou o dinheiro dos empresários das campanhas políticas, qualquer candidato rezava para um Deus, no caso, o marqueteiro: o ser capaz de mudar a opinião pública por meio de seus milagres.

Temendo desobedecê-lo, o candidato, com medo de ser punido nas urnas, seguia à risca todas as instruções dessa divindade quase onipotente, por mais absurdas que fossem.

Assim nasceram grandes vitórias e fracassos. Maluf, por exemplo, disse um dia: “se Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim”. Com isso, provou que arrependimento não mata.


Campanha política no Brasil era sinônimo de dinheiro

A verdade é que campanhas são verdadeiros calvários para qualquer ser humano normal. A pressão por desempenhar um bom papel, sem erros, e obter os votos necessários é muito grande. Todos têm uma opinião para dar, uma receita mágica para o sucesso, principalmente as pessoas mais próximas ao candidato. Os marqueteiros tinham que, além de fazer o trabalho deles, não deixar que outros atrapalhassem.

O fato é que as campanhas brasileiras assemelhavam-se às grandes produções cinematográficas: programas de televisão em alta definição, com os melhores profissionais e equipamentos; planos de governo desenvolvidos pelos economistas mais renomados do país; artistas e influenciadores envolvidos em eventos e na campanha.

Para pagar uma conta desse tamanho, só com a ajuda de empresários, pois o fundo partidário, apesar de polpudo, não consegue cobrir as despesas de comunicação, mobilização e de ordem política.

Boa parte do dinheiro que financiava o Deus acabou. Inclusive, operações da polícia federal acabaram colocando alguns deuses no banco dos réus. É provável que marqueteiros de renome nem venham mais a se envolver com campanhas, agora que a fonte secou.

Como se a tragédia fosse pouca, a barata voa. Isto é, além do fim do financiamento corporativo, o período eleitoral ficou menor e o tempo da propaganda televisiva foi reduzido para meros 35 dias.

Em contrapartida, há o fim de uma limitação importante: a da exposição da pretensão de candidatura. Desde 2015, qualquer político pode se pronunciar como possível candidato a qualquer tempo. Portanto, se eu quisesse lançar minha candidatura à presidência em 2030, poderia divulgá-la hoje.

Reforma política: tudo o que os candidatos sabiam não vale mais

Na prática, o que a reforma eleitoral fez foi reduzir a importância das superproduções dos marqueteiros e aumentar a importância do trabalho contínuo. Os canais digitais dos candidatos são a nova televisão. Todo dia é dia de campanha.

Candidato que esperar o período eleitoral para fazer campanha está morto caso encontre um adversário que se preparou.

Em suma, tudo o que políticos aprenderam sobre comunicação eleitoral terá que ser revisto. A televisão tinha a repetição da mensagem enlatada em um visual de esperança como fórmula mágica do sucesso.

A forma de se comunicar deve mudar. A comunicação deve deixar de ser em massa para ser segmentada, algo que ainda não é bem compreendido. Por exemplo, não dá para falar de educação ou de segurança pública com jovens, profissionais e idosos da mesma forma, o que sempre foi prático na televisão.

O posicionamento midiático também precisa evoluir. No Brasil, fora exceções, candidatos sempre fugiram de questões polêmicas. Era fácil evitar falar de liberação do aborto, da descriminalização das drogas e de qualquer outra pauta que entrava em conflitos com segmentos.

Muitos políticos ainda pensam que quanto menor a exposição do que pensa, mais fácil será seu caminho eleitoral. Essa máxima era verdadeira quando a televisão concentrava o esforço de campanha. Nela, por pouco tempo, era possível fugir de assuntos e questionamentos.

Na web essa conduta não funciona. Internet não é televisão. Na televisão os espectadores não conseguem interagir com o conteúdo e nem escolher o que querem ver. Na internet as pessoas querem saber como o político pensa, quem ele realmente é e o que pretende. Menos frases motivacionais e mais trabalho.

O digital é cruel com o político que se mostra incapaz de tomar um posicionamento. A campanha de Marina Silva para a presidência em 2014 virou suco assim. Memes e vídeos mostrando a incoerência de seu discurso desconstruíram a candidata.

Fora isso, a web tem o poder de reviver defuntos. Aconteceu com Ciro durante a campanha política de Dilma em 2010.

Dois dias após ele assumir a coordenação da campanha petista, foi publicado um vídeo em que ele afirmava, dentre outras coisas, que Serra era melhor candidato que Dilma, que o PMDB era um agrupamento de bandidos e que o IBOPE vendia pesquisas. No dia seguinte, deixou o cargo.


Lula também foi lembrado por uma declaração sua em vídeo, dizendo ser contra o assistencialismo do governo Fernando Henrique, afirmando que projetos como o Bolsa Família eram para “calar a boca do povo com comida”.


Em outro vídeo, Bolsonaro, muito antes de imaginar-se candidato à presidência, afirma que fecharia o congresso no dia seguinte de uma possível eleição para Presidente. Isso quebra qualquer chance de captar votos de pessoas que não são doentes por ele, inviabilizando sua eleição majoritária.


Sim, caros candidatos, seu Deus morreu. Aceitem, abandonem velhos vícios e sigam em frente.

 *Por Marcelo Vitorino
Consultor e palestrante de comunicação, marketing digital e gestão de crise na internet. É professor na ESPM-São Paulo, dos cursos “Marketing Político Eleitoral: a vez do digital” e “Estratégias Digitais para Resultados” e no MBA do IESB -Brasília, na disciplina Marketing Político em Ambientes Digitais.

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23 de março de 2015

Quem comprou mesmo a Rádio Liberdade?

O texto a seguir, falando sobre a venda da rádio Liberdade FM, eu li no Blog do Mamede e, por acreditar que faz uma ótima análise da situação, compartilho aqui no blog:

E a disputa pela comunicação em Catalão? Quem não comunica se trumbica?

Gente boa do Blog, quem reside em Catalão e é um pouco plugado sabe que por aqui o período eleitoral não acaba nunca, passam se as eleições, e as disputas políticas continuam e podem ser vistas em vários aspectos, um deles que veio á tona esses dias foi na comunicação. Vamos aos fatos:

A Rádio Liberdade FM, que está no ar há aproximadamente 28 anos foi vendida para um grupo de compradores, vários empresário, comerciantes, advogados, todos ligados ao PMDB, entre eles, claro, consta que estão também o deputado estadual Adib Elias e o vereador Deusmar Barbosa.

Mas porque tanto interesse em adquirir uma emissora de rádio? Deve-se perguntar os menos ligados, se do ponto de vista financeiro não é algo tão atraente assim, se fosse o grupo familiar que detinha seu poder há décadas não venderia, que mesmo fazendo mudanças na forma de gestão, até com contratação de assessoria especializada em administração de veículos de comunicação, a emissora não conseguiu sair do vermelho, vale ressaltar que comunicadores que trabalhavam na emissora há anos acabaram sendo demitidos por contenção de gastos, mas mesmo com tantos problemas administrativos e uma folha de pagamento alta e vários acertos trabalhistas a fazer, à emissora foi disputada a ferro e fogo por dois grupos políticos catalanos, nem precisa dizer que o prefeito Jardel Sebba via emissários tentou adquirir a rádio e o deputado estadual Adib Elias, da mesma forma, eles se esbarraram em mais essa disputa, com vitória para os aliados ao deputado.

O PMDB de Catalão começa a melhorar na performance comunicação, muitos devem se lembrar que esse foi um dos calcanhares de Aquiles da administração de Velomar Rios, bom prefeito, honesto, centrado, daqueles que não mata a mãe pelo poder e que desde o começo de seu mandato sabia das dificuldades e dos desafios, mas mesmo em meio a muita pressão, não perdeu as responsabilidades e terminou o mandato de cabeça erguida, mas que não comunicou de forma ágil e muito menos política sua administração, apenas foi técnico nas questões da comunicação e aí acabou “trumbicando” e sendo apontado erroneamente como um dos culpados pela derrota de Adib Elias para Jardel Sebba.

Assim, mesmo ficando 12 anos a frente da administração do município, e torrando todas as verbas publicitárias legais, o partido não adquiriu ou fundou nenhum meio de comunicação, rádios, jornais, sites, e televisão, todos trabalharam e serviram ao partido e as suas administrações, mas nenhum foi adquirido ou montado por eles, tudo muito diferente dos adversários, o prefeito Jardel Sebba, que cansou de apanhar dos meios de comunicação patrocinados pelos PMDBistas, tratou logo de adquirir via esposa várias ações da Rede de Rádio Sucesso, campeã de audiência na região, vários jornais só existiam e ainda existem com o beneplácito de Jardel, da mesma forma para se combater alguns blogs que se destacavam na criticas a ele, alguns outros foram criados e patrocinados e inclusive passaram a receber boas verbas publicitárias para simplesmente comunicarem várias ações da prefeitura.

Dessa forma, até então Jardel Sebba vencia Adib também na comunicação, o que deverá mudar de forma substancial com a aquisição da emissora Liberdade FM pelos PMDBistas.

Nessa disputa, vale ressaltar que o ex-prefeito Rodrigão, agora inimigo político do prefeito, também foi esperto e tratou de se armar também, aumentando o “laranjal” nesse negócio de compra de meios de comunicação, conseguiu achar alguns sindicalistas para assumirem o comando de uma das emissoras comunitárias da cidade, assim ele, Rodrigão, também passou a ter não somente a informação de seu lado, mas a formação que nesses casos se tenta fazer na cabeça dos ouvintes, apesar que o vice prefeito está esquentando para outro comer, como se diz no ditado popular.

Pois bem, o PMDB está corretíssimo ao aumentar seu poder de fogo, uma emissora do porte de uma Rádio Liberdade, com alcance regional, pode até não render muito do ponto de vista econômico, mas politicamente falando, é o que todo político precisa para se gabaritar mais para querer assumir o comando político do município.

Nesse sentido, podem apostar, que a disputa pela notícia em Catalão ganhará novos vieses, e neles a força política eleitoral do PMDB ficará mais robusta.
Mas como perguntar não ofende, por que será que mesmo recebendo uma oferta financeira maior, a família Rodrigues de Paula preferiu vender por um valor menor justamente para os PMDBistas? Claro que precisamos ressaltar, a emissora era deles, eles podem vender para quem quiser e ninguém tem nada haver com isso, até porque quem sentia o calo apertar eram eles.
Aguardemos os próximos capítulos!!!

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