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28 de agosto de 2017
21 de agosto de 2017
23 de março de 2017
3 de agosto de 2016
O Deus dos candidatos morreu*
Antes da reforma eleitoral, que tirou o dinheiro dos empresários das campanhas políticas, qualquer candidato rezava para um Deus, no caso, o marqueteiro: o ser capaz de mudar a opinião pública por meio de seus milagres.
Temendo desobedecê-lo, o candidato, com medo de ser punido nas urnas, seguia à risca todas as instruções dessa divindade quase onipotente, por mais absurdas que fossem.
Assim nasceram grandes vitórias e fracassos. Maluf, por exemplo, disse um dia: “se Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim”. Com isso, provou que arrependimento não mata.
Campanha política no Brasil era sinônimo de dinheiro
A verdade é que campanhas são verdadeiros calvários para qualquer ser humano normal. A pressão por desempenhar um bom papel, sem erros, e obter os votos necessários é muito grande. Todos têm uma opinião para dar, uma receita mágica para o sucesso, principalmente as pessoas mais próximas ao candidato. Os marqueteiros tinham que, além de fazer o trabalho deles, não deixar que outros atrapalhassem.
O fato é que as campanhas brasileiras assemelhavam-se às grandes produções cinematográficas: programas de televisão em alta definição, com os melhores profissionais e equipamentos; planos de governo desenvolvidos pelos economistas mais renomados do país; artistas e influenciadores envolvidos em eventos e na campanha.
Para pagar uma conta desse tamanho, só com a ajuda de empresários, pois o fundo partidário, apesar de polpudo, não consegue cobrir as despesas de comunicação, mobilização e de ordem política.
Boa parte do dinheiro que financiava o Deus acabou. Inclusive, operações da polícia federal acabaram colocando alguns deuses no banco dos réus. É provável que marqueteiros de renome nem venham mais a se envolver com campanhas, agora que a fonte secou.
Como se a tragédia fosse pouca, a barata voa. Isto é, além do fim do financiamento corporativo, o período eleitoral ficou menor e o tempo da propaganda televisiva foi reduzido para meros 35 dias.
Em contrapartida, há o fim de uma limitação importante: a da exposição da pretensão de candidatura. Desde 2015, qualquer político pode se pronunciar como possível candidato a qualquer tempo. Portanto, se eu quisesse lançar minha candidatura à presidência em 2030, poderia divulgá-la hoje.
Reforma política: tudo o que os candidatos sabiam não vale mais
Na prática, o que a reforma eleitoral fez foi reduzir a importância das superproduções dos marqueteiros e aumentar a importância do trabalho contínuo. Os canais digitais dos candidatos são a nova televisão. Todo dia é dia de campanha.
Candidato que esperar o período eleitoral para fazer campanha está morto caso encontre um adversário que se preparou.
Em suma, tudo o que políticos aprenderam sobre comunicação eleitoral terá que ser revisto. A televisão tinha a repetição da mensagem enlatada em um visual de esperança como fórmula mágica do sucesso.
A forma de se comunicar deve mudar. A comunicação deve deixar de ser em massa para ser segmentada, algo que ainda não é bem compreendido. Por exemplo, não dá para falar de educação ou de segurança pública com jovens, profissionais e idosos da mesma forma, o que sempre foi prático na televisão.
O posicionamento midiático também precisa evoluir. No Brasil, fora exceções, candidatos sempre fugiram de questões polêmicas. Era fácil evitar falar de liberação do aborto, da descriminalização das drogas e de qualquer outra pauta que entrava em conflitos com segmentos.
Muitos políticos ainda pensam que quanto menor a exposição do que pensa, mais fácil será seu caminho eleitoral. Essa máxima era verdadeira quando a televisão concentrava o esforço de campanha. Nela, por pouco tempo, era possível fugir de assuntos e questionamentos.
Na web essa conduta não funciona. Internet não é televisão. Na televisão os espectadores não conseguem interagir com o conteúdo e nem escolher o que querem ver. Na internet as pessoas querem saber como o político pensa, quem ele realmente é e o que pretende. Menos frases motivacionais e mais trabalho.
O digital é cruel com o político que se mostra incapaz de tomar um posicionamento. A campanha de Marina Silva para a presidência em 2014 virou suco assim. Memes e vídeos mostrando a incoerência de seu discurso desconstruíram a candidata.
Fora isso, a web tem o poder de reviver defuntos. Aconteceu com Ciro durante a campanha política de Dilma em 2010.
Dois dias após ele assumir a coordenação da campanha petista, foi publicado um vídeo em que ele afirmava, dentre outras coisas, que Serra era melhor candidato que Dilma, que o PMDB era um agrupamento de bandidos e que o IBOPE vendia pesquisas. No dia seguinte, deixou o cargo.
Lula também foi lembrado por uma declaração sua em vídeo, dizendo ser contra o assistencialismo do governo Fernando Henrique, afirmando que projetos como o Bolsa Família eram para “calar a boca do povo com comida”.
Em outro vídeo, Bolsonaro, muito antes de imaginar-se candidato à presidência, afirma que fecharia o congresso no dia seguinte de uma possível eleição para Presidente. Isso quebra qualquer chance de captar votos de pessoas que não são doentes por ele, inviabilizando sua eleição majoritária.
Sim, caros candidatos, seu Deus morreu. Aceitem, abandonem velhos vícios e sigam em frente.
*Por Marcelo Vitorino
Consultor e palestrante de comunicação, marketing digital e gestão de
crise na internet. É professor na ESPM-São Paulo, dos cursos “Marketing
Político Eleitoral: a vez do digital” e “Estratégias Digitais para
Resultados” e no MBA do IESB -Brasília, na disciplina Marketing
Político em Ambientes Digitais.
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18 de maio de 2015
Um texto para reflexão: Financiamento empresarial e a corrupção
A Câmara Federal vai decidir novas regras para o nosso sistema político.
Essa agenda é a mesma do Chile. Em abril, a presidente Michele
Bachelet, apresentou ao Congresso o fim do financiamento empresarial,
limite de doação para pessoas físicas, redução de gastos de campanha e
reorganização dos partidos. No Chile, assim como no Brasil, essas
propostas emergem em meio a escândalos de corrupção e instabilidade
política.
O financiamento empresarial da política e a corrupção
caminham juntos. Essa é a percepção da sociedade civil, encabeçada por
CNBB, OAB, UNE e a CUT, que lutam pela proibição do financiamento
empresarial de partidos e candidatos.
A promiscuidade entre o setor público e as empresas privadas tem sua
origem nas campanhas eleitorais. O financiamento empresarial, além de
estabelecer laços suspeitos entre financiadores e eleitos, limita o
acesso dos que têm menor poder econômico, aumentando a distância entre
os representantes e a sociedade. Sequestra uma das regras básicas da
democracia – igualdade na disputa eleitoral – e corrói a transparência
dos partidos.
A nossa democracia não pode depender do dinheiro de bancos, empreiteiras
e outras empresas. Não há democracia digna que possa nascer desse
sistema. Os aportes empresariais nas eleições brasileiras representam
mais de 90% do que os partidos arrecadam; em 2014 ultrapassaram R$ 5
bilhões. Uma única empresa doou R$360 milhões! Se os parlamentares não
mudarem radicalmente esse modelo não serão eliminadas as causas da
corrupção que desvia recursos públicos que deviam ser investidos para
melhorar a qualidade da saúde, da educação e da segurança.
A grave crise do sistema político exige posição clara. A reforma
política deve enfrentar o mal pela raiz: proibir o financiamento
empresarial de partidos e candidatos. Soaria estranho à sociedade que os
congressistas não ponham fim a uma regra que favorece suas próprias
eleições. Com campanhas mais baratas e representantes eleitos por
compromissos e ideias e não por dinheiro, teremos uma democracia e uma
República melhores para o Brasil.
Por Miguel Rosseto, no site Carta Maior.
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30 de setembro de 2013
10 de julho de 2013
28 de junho de 2013
A raiz dos problemas do Brasil
Em tempos de manifestação clamando por mudanças sociais, de reformas profundas no estado brasileiro e no entendimento que a raiz dos problemas de nosso país está na política, o texto abaixo, disponível na revista Superinteressante do mês de julho, dá uma iluminada no debate que está acontecendo e dá um norte, um foco, a seguir:
"O grande problema do Brasil hoje é que os políticos não trabalham para nós, como deveria ser. O patrão deles não é o povo: é o sujeito que assina o cheque que banca sua campanha eleitoral. Essa questão está na raiz de praticamente todas as bobagens que os governos municipais, estaduais e federal têm cometido nos últimos anos (usinas gigantescas feitas mais para agradar construtoras que para gerar energia; regras que prejudicam empreendedorismo, saúde pública, meio ambiente, para beneficiar alguém grandão; cidades que só cuidam do setor imobiliário e esquecem das pessoas; saúde, educação, transporte entregues aos tubarões etc.).
Campanhas eleitorais são caríssimas e, quase sempre, quem tem mais dinheiro ganha. Os eleitores vão às urnas escolher se preferem o PT, o PSDB, o PMDB, o DEM, o PSD, o PQP. O que eles não sabem é que, no fundo, essa escolha não tem muita importância, porque quem banca cada um desses partidos são sempre os mesmos: grandes construtoras, incorporadoras, bancos, gigantes do agronegócios, dos alimentos, das bebidas alcoólicas. São eles que pagam as contas das campanhas eleitorais."
Essa é a rede que precisa ser contida. Mais do que punir os corruptos ou ampliar a transparência dos atos públicos, o principal é mudar a forma como as eleições são financiadas, estabelecendo limites de gastos, financiamento exclusivamente público das campanhas e punindo com a perda do mandato a prática do Caixa Dois ou a compra de votos.
Se as campanhas políticas forem iguais, em matéria de estrutura e gastos, o destaque serão as propostas e o comprometimento dos candidatos com o bem público, e aí sim o debate será qualificado e a população vai dar mais atenção ao processo político escolhendo aquelas pessoas realmente comprometidas com a função pública e não com o próprio bolso ou de quem financiou sua campanha.
Tudo que foi conseguido até o momento com as manifestações recentes foi positivo, é claro (links abaixo), mas é apenas um melzinho na chupeta para diminuir a insatisfação e a mobilização do povo. A raiz do problema é muito mais profunda e este é o momento histórico que o brasileiro não pode perder para mudar essa situação, basta não ceder a tentação de generalizar as demandas, a classe política está assustada e a faca e o queijo estão em nossas mãos como nunca estiveram antes.
Notícias recentes dos resultados das manifestações:
Prefeito de SP Cancela licitação para contratar empresas de ônibus.
Aprovação da redução das Tarifas de transporte coletivo.
Prisão de político corrupto.
Fim do 13º e 14º Salário dos Políticos por unanimidade.
Senado aprova projeto que torna corrupção crime hediondo.
Deputados pedem cancelamento de suas férias de julho.
Câmara derruba PEC 37 e propõe 75% dos royalties para a educação.
Aprovação da redução das Tarifas de transporte coletivo.
Prisão de político corrupto.
Fim do 13º e 14º Salário dos Políticos por unanimidade.
Senado aprova projeto que torna corrupção crime hediondo.
Deputados pedem cancelamento de suas férias de julho.
Câmara derruba PEC 37 e propõe 75% dos royalties para a educação.
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