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Pensamentos aleatórios

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7 de julho de 2017

Polícia Federal confirma o fim da Lava Jato em Curitiba; panelas seguem mudas

Por Cynara Menezes:


A Polícia Federal divulgou nota nesta quinta-feira, 6 de julho, confirmando notícia veiculada pelo site da revista Época sobre o fim do grupo de trabalho da Lava-Jato em Curitiba. A justificativa oficial é de que “a medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário”. No entanto, os delegados deixarão de se dedicar com exclusividade à “maior operação contra a corrupção da história”, como a Lava-Jato era chamada antes da queda de Dilma Rousseff. À Época, investigadores falaram em “asfixia” da investigação.

Em maio, o governo Temer já havia reduzido o número de delegados da Força-Tarefa de nove para quatro e cortado a verba da PF, fato que nunca havia acontecido durante o governo Dilma. Pelo contrário: em março do ano passado, antes do impeachment, um dos procuradores da Lava-Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, chegou a elogiar a independência que as investigações da PF e do Ministério Público alcançaram nos governos Lula e Dilma, coisa que não ocorria na época de Fernando Henrique Cardoso.

“Aqui temos um ponto positivo que os governos do PT têm a seu favor. Boa parte da independência do Ministério Público e da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político, fato que tem que ser reconhecido. Os governos anteriores realmente mantinham o controle”, disse Santos Lima então.

Desde que o golpe se concretizou, o roteiro traçado no já célebre diálogo entre o senador governista Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, está se cumprindo à risca, reforçando cada vez mais a suspeita de que tiraram Dilma do cargo para acabar com a Lava-Jato. A “sangria” está sendo estancada diante dos olhos dos brasileiros, enquanto o Supremo (“com o Supremo, com tudo”) cuida de libertar políticos acusados de receber dinheiro vivo das mãos de empresários corruptos. Não se ouvem panelas.


Leia a íntegra da nota da PF abaixo:

Sobre a nota “PF acaba com grupo de trabalho da Lava Jato em Curitiba”, veiculada no portal da revista Época, a Polícia Federal informa:
Tendo em vista que cada delegado do Grupo de Trabalho da Lava Jato possuía cerca de vinte inquéritos cada um, essa equipe, juntamente com o Grupo de Trabalho da Operação Carne Fraca, passou a integrar a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (DELECOR);
2. A medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações;
3. Com a nova sistemática de trabalho, nenhum dos delegados atuantes na Lava Jato terá aumento de carga de trabalho, mas, ao contrário, ela será reduzida em função da incorporação de novas autoridades policiais;
4. O número de policiais dedicados a essas investigações chega a 70;
5. A iniciativa da integração coube ao Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado do Paraná, delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Operação Lava Jato no estado, e foi corroborada pelo Superintendente Regional, delegado Rosalvo Franco;
6. O modelo é o mesmo adotado nas demais superintendências da PF com resultados altamente satisfatórios, como são exemplos as operações oriundas da Lava Jato deflagradas pelas unidades do Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo, entre outros;
7. Também foi firmado o apoio de policiais da Superintendência do Espírito Santo, incluindo os delegados Márcio Anselmo e Luciano Flores, ex-integrantes da Operação Lava Jato;
8. O atual efetivo na Superintendência Regional no Paraná está adequado à demanda e será reforçado em caso de necessidade;
9. Conforme nota divulgada no dia 21/05/2017, deve-se ressaltar que as investigações decorrentes da Operação Lava Jato não se concentram somente em Curitiba, mas compreendem o Distrito Federal e outros dezesseis estados;
10. Desde o início, a Polícia Federal, de forma republicana e sem partidarismos, trabalha arduamente para o êxito das investigações, garantindo toda a estrutura e logística necessária para o esclarecimento dos crimes investigados.

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24 de agosto de 2016

Desvios na Saneago: as voltas que a política dá

As voltas que o mundo da política dá são sempre muito interessantes. 

Em 1999, José Taveira Rocha (presidente da Saneago preso hoje na Operação Decantação) era auxiliar do governo goiano como liquidante da Caixego e ilustrava matéria de O Popular em que o governador Marconi Perillo anunciava rigor contra corruptos e "criminosos do colarinho branco":


Depois de 20 anos no poder José Taveira se tornou aquilo que ele dizia combater.

E essa é a "escola de administração" que Jardel segue, o "exemplo" e a "grande parceria" que Catalão tem e que "precisa" continuar por mais quatro anos.

Há alguns males que não precisamos deixar desenvolver. O melhor é cortar na raiz mesmo...

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Polícia Federal prende presidente do PSDB de Goiás e mira desvio de recursos federais ocorridos na Saneago

Muitas pessoas se perguntam o que foi feito da arrecadação de mais de 1 bilhão de reais que Catalão teve nos últimos três anos e meio, haja vista a ausência de obras estruturantes e o excesso de empréstimos milionários e venda de patrimônio público para conseguir pagar os salários em dia, mas eis que uma operação da Polícia Federal deflagrada hoje no Rio de Janeiro pode dar uma ideia do ocorrido. Com informações do jornal O Globo:
 
Os parceiros: Marconi, Jardel, Ana Sebba, Valéria Perillo e Afrêni Gonçalves (presidente do PSDB)

RIO - Uma força-tarefa da Polícia Federal e do Ministério Público deflagrou nesta quarta-feira “Operação Decantação” com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável pelo desvio de cerca de R$ 4,5 milhões em recursos federais a partir da empresa de saneamento público do estado de Goiás, a SANEAGO. Segundo o “Bom Dia Brasil” da TV GLOBO, na ação foram presos os presidentes do PSDB-GO, Afrêni Gonçalves, e da SANEAGO, José Taveira Rocha.

A operação, que contou com apoio do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, evitou um prejuízo de quase R$ 7 milhões. Cerca de 300 policiais federais cumprem 120 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 21 de condução coercitiva e 67 de busca e apreensão na sede de empresas envolvidas e de um partido político, além de residências e outros endereços relacionados aos investigados.

As ordens judiciais foram cumpridas em Goiânia/GO, Aparecida de Goiânia/GO, Formosa/GO, Itumbiara/GO, São Paulo/SP e Florianópolis/SC. Também foi determinado o afastamento da função pública de oito servidores e a proibição de comunicação entre nove envolvidos. A PF identificou que dirigentes e colaboradores da empresa Saneamento de Goiás S/A – SANEAGO promoveram licitações fraudulentas mediante a contratação de uma empresa de consultoria envolvida no esquema criminoso.

Recursos públicos federais, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal, foram desviados para pagamento de propinas e dívidas de campanhas políticas. Outra forma de atuação da organização criminosa consistia no favorecimento pela consultoria contratada pela SANEAGO a empresas que participavam do conluio e que eram responsáveis, posteriormente, por doações eleitorais.

Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa e fraudes em processos licitatórios.

O nome Decantação faz alusão a um dos processos de tratamento de água, em que ocorre a separação de elementos heterogêneos.

Lembrando que Catalão não está entre as cidades investigadas, justamente por não existir aqui uma Saneago, mas não foi por falta de tentativa, já que uma das primeiras "obras" de Jardel foi colocar placas da Saneago em Catalão: 


E essa é a "escola de administração" que Jardel segue, o "exemplo" e o "grande parceiro" de Catalão, que quer continuar por mais quatro anos...

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4 de março de 2016

Nota mental importante: Pensar diferente não faz de alguém seu inimigo

Do Blog do Sakamoto:

Política é bom e é sensacional que as pessoas estejam vivendo, fazendo e respirando política.

Mas achei por bem resgatar esta discussão porque a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na Polícia Federal inflamou as redes sociais, de um lado e de outro, gerando uma escalada de violência que começa a vazar para a rua e tem tudo para tornar mais turvas ainda as relações sociais neste período turbulento do país

Fazer política significa também estômago forte e alma tranquila, considerando que está em jogo a forma pela qual achamos que o país deve ser conduzido.

Ou seja, em tese, o seu interlocutor – seja ele um avatar estranho teclando loucamente em uma rede social ou o seu melhor amigo lançando perdigotos em um debate acalorado – não é seu inimigo.

Ele está no mesmo barco e, também em tese, compartilha com você um mesmo objetivo comum: uma vida melhor.

Enfim, manter um mínimo de civilidade é importante, como sempre lembro por aqui. Até porque o país continua depois que campanhas eleitorais terminam e que grandes investigações de corrupção são finalizadas. O mundo não começou ontem, muito menos acaba amanhã.

Há pessoas que parecem não aceitar serem questionadas. Talvez para afastar os medos e inseguranças sobre suas próprias crenças. E há outras que acham que exercer sua cidadania é xingar ou difamar alguém. Talvez porque aceitem tudo o que é dito a elas sem refletir ou fazer um exercício básico de lógica.

Acreditamos que nossos pontos de vista estão corretos. E defendemos eles de corpo e alma. Mas isso não os faz únicos. Uma outra pessoa pode defender que a forma mais correta de acabar com a fome, a violência, as guerras, a injustiça seja por outro caminho.

Já encontrei respostas para indagações pessoais em pessoas que escrevem sob um ponto de vista totalmente diferente do meu. E, creio, que o mesmo já aconteceu para muita gente.

Desse enfrentamento de ideias e de propostas sairá um vetor resultante que apontará para uma direção, dependendo da correlação de forças envolvidas, dos atores dedicados a isso, da aceitação dessas propostas pelo restante de uma sociedade. E não da vontade de um pequeno grupo.

Eu sei que é duro acreditar nisso neste momento. E, pior: com as redes sociais distribuindo granadas à população para que entre em uma guerra fratricida.

Mas vamos discutir os argumentos que embasam as diferentes posições e não chamar o outro de canalha ou burro, esquerdista idiota ou direita fascista, e travar por aí a discussão.

A saída para contrapor uma voz não é um xingamento, mas sim outra voz.

Discordo o que defendem vários colegas de profissão, mas não quero que eles sejam atacados.

Pelo contrário, desejo que se fortaleçam, bem como as vozes dissonantes a eles, de forma a contemplar devidamente o espectro ideológico, garantindo ponto e contraponto, peso e contrapeso à democracia.

Repetindo Voltaire, discordo, mas defendo o direito de que seja dito. Lembrando, contudo, que os discursos que incitarem a violência a terceiros, indo contra o que está determinado pela Constituição, terão que responder legalmente após serem ditos. Nunca antes, pois isso seria censura.

Muitos simplesmente repetem mantras que leem na internet, ouvem em bares ou veem na igreja, desde que concordem com aquilo, sem parar para pensar se aquilo é verdade ou não. Ou seja, desde que isso sirva na sua matriz de intepretação do mundo, retuita-se, compartilha-se, curte-se.

É um Fla-Flu, um nós contra eles cego, que utiliza técnica de desumanização, tornando esse outro uma coisa sem sentimentos.

É mais fácil pensar de forma binária, preto no branco, os de lá, os de cá. “Ah, mas você faz isso!'' Todos nós em alguma medida fazemos, infelizmente. Mas é como percebemos isso e atuamos para mudar nossas atitudes que realmente conta. Afinal, ninguém nasce pronto.

Pois, caso contrário, a vida vai ficando mais pobre, paramos de evoluir como humanidade. Do outro lado sempre estará um monstro e do lado de cá os santos. Isso sem contar a impossibilidade de apreciar tudo o que o outro tem de melhor – do ombro amigo à conversa inflamada em uma mesa de bar.

Sugiro que busquem a tolerância no diálogo, mesmo que firme e duro, e se perguntem, a todo o momento, se as informações que usam são confiáveis e fazem sentido, uma vez que nossa natureza não é de certezas e sim de dúvidas e falhas que só poderão ser melhor percebidas no tempo histórico.
 
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