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Pensamentos aleatórios

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12 de julho de 2017

A Lava Jato subiu no telhado...

Por Elder Dias.


Uma gravação incrimina o presidente da República, envolve congressistas e lança o País em mais um escândalo. Logo a seguir, surge o cenário em que o Palácio do Planalto nega qualquer culpa e passa a trabalhar para se preservar, mesmo diante das evidências: articula com deputados, oferece ministérios a partidos aliados e tenta acelerar todo o rito processual para evitar que o tempo trabalhe contra si.

Parece história recente? Parece. E até é, de fato. Mas também reconta outra trama, de 20 anos atrás. Em maio de 1997, gravações jogaram na berlinda a aprovação da emenda da reeleição na Câmara dos Deputados. Dois parlamentares, Ronivon Santiago e João Maia, confessaram ter vendido o voto a favor da reeleição por R$ 200 mil. O intermediador teria sido Sérgio Motta, então ministro das Comunicações e homem-forte do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – que jogava tudo para a aprovação da emenda constitucional. Pela lógica de hoje, haveria um prato cheio para a descontinuidade do mandato – o impeachment – e não por seu acréscimo por mais quatro anos.

O presidente da Câmara era um certo Michel Temer, homem da mais estrita confiança do presidente; o líder do partido governista na Câmara, um certo Aécio Neves. Para matar no nascedouro as pretensões de uma CPI – que chegou a ocorrer, mas durou apenas três horas –, o governo brindou o PMDB com duas pastas na Esplanada de Brasília, uma delas a dos Transportes, para um certo Eliseu Padilha. A outra foi o Ministério da Justiça, que caiu no colo do então senador Iris Rezende. Resultado: a “operação abafa”, como ficou conhecida a manobra, se deu no dia 16 de maio; seis dias após, a CPI era sepultada, com a renúncia de Santiago e Maia, ameaçados de cassação.

Eram outros tempos, sem Operação Lava Jato, sem Polícia Federal agindo de forma intensiva e por vezes até midiática e, principalmente, com uma Procuradoria-Geral cujo comandante durante os dois governos FHC foi Geraldo Brindeiro, conhecido também como “engavetador-geral da República – em tempo, uma das denúncias arquivadas por ele foi a da compra de votos para aprovação da emenda da reeleição.

Duas décadas depois, é impressionante a naturalidade com que a imprensa noticia as mesmas negociatas para sobrevivência do presidente flagrado em ato de prevaricação – para dizer apenas um dos crimes de responsabilidade cometidos por Michel Temer na temerária conversa noturna com o empresário espertalhão Joesley Batista.

Com todos os recursos tecnológicos, redes sociais e o olho invisível e presente do “big brother”, é incrível como a velha política teima em resistir à custa das mesmas velhas estratégias. Mais incrível ainda é que ela demonstre força para pôr em risco a maior investigação de todos os tempos sobre os altos círculos do poder. É isto: a Lava Jato pode, sim, estar no fim. Os sinais de alerta são vários.

É bem verdade que a operação nunca foi unanimidade e cometeu açodamentos, ilegalidades e exageros. A mão foi bem mais pesada contra o PT, o que seria, de certa forma, até natural, haja vista ter sido o partido que esteve no centro do poder durante mais de 13 anos. De qualquer forma, a população sedenta de uma política mais limpa, independentemente de coloração ideológica, via nela – e muitos ainda veem – uma chance de mudar o sistema.

Ocorre que o sistema é forte, antigo e resistente. E, pelas brechas deixadas pela investigação, vão surgindo as oportunidades para “estancar a sangria” e “fechar um acordo”, expressões trocadas entre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e Romero Jucá (PMDB-RR) na conversa pouco republicana que fez o senador se tornar o primeiro ex-ministro da era Temer.

Ao contrário dos tempos do impeachment de Dilma, a Lava Jato já não tem o apoio unânime da imprensa hegemônica e é contestada frontalmente por figuras importantes do Judiciário. O principal adversário da operação nesse Poder é Gilmar Mendes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que passou a entender a investigação como uma anarquia promovida por Sérgio Moro e um bando de justiceiros.

Um passo importante para o enfraquecimento da Lava Jato foi a decisão da Polícia Federal de extinguir o grupo de trabalho exclusivo da investigação em Curitiba, depois de ter um terço de seu orçamento cortado pelo governo. Porém, o maior sustentáculo que dava poder à investigação e agora tem faltado, de certa forma, é o apoio popular. Não que ele não exista: as redes sociais provam que há ainda a sensação de que não acabou e que as pessoas “querem mais”. Mas falta “rua” para canalizar esse apoio de maneira efetiva e efusiva. Os milhões que pintaram de amarelo as principais avenidas do País para tirar Dilma Rousseff (PT) da Presidência não parecem tão dispostos a usar a mesma energia contra Michel Temer, Aécio Neves e todos os demais, mesmo com provas mais robustas de corrupção e malfeitorias. O temor é o mesmo das lideranças dos antigos movimentos pró-impeachment – dos quais o Movimento Brasil Livre (MBL) foi o principal – e tem muito mais a ver com política do que com economia: usam a muleta da necessidade de estabilidade do País para evitar agir de forma eticamente coerente e necessária, mas que poderia ter como efeito colateral o reforço à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, que está no meio do caminho entre a cadeia de Curitiba e a cadeira da Presidência.

Há vários procedimentos questionáveis, como o abuso do instituto da prisão preventiva e da delação premiada com grandes benesses, desde que seja entregue de bandeja alguém mais poderoso e mais “interessante”. Alguns chegam a dizer que as investigações tinham perdido força para as delações há tempos. O generoso acordo de delação fechado pelo procurador-geral Rodrigo Janot com a cúpula da JBS, deixando esta praticamente impune, foi claramente também um tiro no pé, em termos de credibilidade.

Mas a derrocada da Lava Jato veio pelo pecado que costuma derrubar as grandes empreitadas: a vaidade. Quando Deltan Dallagnol apresentou slides em Power Point para demonstrar que Lula era a cabeça de todo o esquema, se dizendo “convicto”, mas sem apresentar provas, já era sinal de que algo não andava bem com o ego dos envolvidos.

A Lava Jato não morreu. Ainda não. Mas, como diz a história da vizinha que não queria assustar a avó ao dar de uma vez só a notícia da morte do gato durante a viagem da velhinha, a operação “subiu no telhado”. E se tudo acabar em pizza, como há 20 anos, será apenas mais uma evidência de que, como Nação, definitivamente não sabemos fazer a coisa certa.

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7 de julho de 2017

Polícia Federal confirma o fim da Lava Jato em Curitiba; panelas seguem mudas

Por Cynara Menezes:


A Polícia Federal divulgou nota nesta quinta-feira, 6 de julho, confirmando notícia veiculada pelo site da revista Época sobre o fim do grupo de trabalho da Lava-Jato em Curitiba. A justificativa oficial é de que “a medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário”. No entanto, os delegados deixarão de se dedicar com exclusividade à “maior operação contra a corrupção da história”, como a Lava-Jato era chamada antes da queda de Dilma Rousseff. À Época, investigadores falaram em “asfixia” da investigação.

Em maio, o governo Temer já havia reduzido o número de delegados da Força-Tarefa de nove para quatro e cortado a verba da PF, fato que nunca havia acontecido durante o governo Dilma. Pelo contrário: em março do ano passado, antes do impeachment, um dos procuradores da Lava-Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, chegou a elogiar a independência que as investigações da PF e do Ministério Público alcançaram nos governos Lula e Dilma, coisa que não ocorria na época de Fernando Henrique Cardoso.

“Aqui temos um ponto positivo que os governos do PT têm a seu favor. Boa parte da independência do Ministério Público e da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político, fato que tem que ser reconhecido. Os governos anteriores realmente mantinham o controle”, disse Santos Lima então.

Desde que o golpe se concretizou, o roteiro traçado no já célebre diálogo entre o senador governista Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, está se cumprindo à risca, reforçando cada vez mais a suspeita de que tiraram Dilma do cargo para acabar com a Lava-Jato. A “sangria” está sendo estancada diante dos olhos dos brasileiros, enquanto o Supremo (“com o Supremo, com tudo”) cuida de libertar políticos acusados de receber dinheiro vivo das mãos de empresários corruptos. Não se ouvem panelas.


Leia a íntegra da nota da PF abaixo:

Sobre a nota “PF acaba com grupo de trabalho da Lava Jato em Curitiba”, veiculada no portal da revista Época, a Polícia Federal informa:
Tendo em vista que cada delegado do Grupo de Trabalho da Lava Jato possuía cerca de vinte inquéritos cada um, essa equipe, juntamente com o Grupo de Trabalho da Operação Carne Fraca, passou a integrar a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (DELECOR);
2. A medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações;
3. Com a nova sistemática de trabalho, nenhum dos delegados atuantes na Lava Jato terá aumento de carga de trabalho, mas, ao contrário, ela será reduzida em função da incorporação de novas autoridades policiais;
4. O número de policiais dedicados a essas investigações chega a 70;
5. A iniciativa da integração coube ao Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado do Paraná, delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Operação Lava Jato no estado, e foi corroborada pelo Superintendente Regional, delegado Rosalvo Franco;
6. O modelo é o mesmo adotado nas demais superintendências da PF com resultados altamente satisfatórios, como são exemplos as operações oriundas da Lava Jato deflagradas pelas unidades do Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo, entre outros;
7. Também foi firmado o apoio de policiais da Superintendência do Espírito Santo, incluindo os delegados Márcio Anselmo e Luciano Flores, ex-integrantes da Operação Lava Jato;
8. O atual efetivo na Superintendência Regional no Paraná está adequado à demanda e será reforçado em caso de necessidade;
9. Conforme nota divulgada no dia 21/05/2017, deve-se ressaltar que as investigações decorrentes da Operação Lava Jato não se concentram somente em Curitiba, mas compreendem o Distrito Federal e outros dezesseis estados;
10. Desde o início, a Polícia Federal, de forma republicana e sem partidarismos, trabalha arduamente para o êxito das investigações, garantindo toda a estrutura e logística necessária para o esclarecimento dos crimes investigados.

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Estancando a sangria


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19 de junho de 2017

Às favas os escrúpulos



O IDP, de Gilmar Mendes, ganhou 2,1 milhões de reais da JBS. 

Um trecho da reportagem da Folha de S. Paulo:“O grupo J&F, que controla a JBS, gastou nos últimos dois anos R$ 2,1 milhões em patrocínio de eventos do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), que tem como sócio o ministro Gilmar Mendes, do STF (…). 

De acordo com o IDP e a JBS, um dos congressos incluídos nos patrocínios ocorreu em abril, em Portugal, pouco mais de uma semana depois de sete executivos do frigorífico firmarem um acordo de delação com o Ministério Público Federal. Participaram daquele encontro magistrados, ministros do governo de Michel Temer, além de advogados e políticos”. 

Perguntar não ofende: Já que os escrúpulos foram às favas o que restou à opinião pública?
 
 
Tá explicado!!!

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28 de abril de 2017

Diário de Goiás: após Lava Jato, nome do PMDB goiano para disputar o governo é Adib Elias

Essa saiu no Goiás 24 Horas:


A coluna Radar, do bem informado jornalista Marcos Cipriano, no Diário do Estado, revela nesta sexta-feira que, após a Operação Lava Jato colocar o deputado federal Daniel Vilela “na defensiva”, é Adib Elias, prefeito de Catalão, o nome do PMDB para disputar o governo do Estado em 2018.

Daniel Vilela foi citado por delatores da Odebrecht como destinatário de R$ 1 milhão em propinas, que teriam como contrapartida o atendimento de interesses da empreiteira na prefeitura de Aparecida, comandada, na época, pelo seu pai Maguito Vilela. O deputado está sendo investigado pela Procuradoria Geral da República, em Brasília.

Segundo apurou Marcos Cipriano, a tendência pelo nome de Adib Elias em 2018 se justificaria por que ele é visto como um político com grande experiência administrativa, forte apelo eleitoral depois de sua vitória esmagadora em Catalão e habilidade para unificar o PMDB.

Lembrando que o Goiás 24 Horas é o site mais marconista da internet e que a menção ao nome de Adib Elias como nome ao Governo de Goiás deve ter feito muito chefe de gabinete ficar com raiva...

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19 de abril de 2017

Assista: TV Anhanguera registra a fuga de Marconi para não responder repórteres sobre delação da Odebrecht

Ontem o governador Marconi Perillo (PSDB) teve extensa agenda, mas fugiu dos repórteres no Palácio das Esmeraldas, em evento do FCO em Goiás. A TV Anhanguera registrou, por duas vezes, na matéria que pode ser vista abaixo na íntegra, que ele não quis falar com os repórteres sobre nenhum assunto e, em um dos momentos, só cinegrafistas puderam entrar - nada de repórteres. Ou seja, Marconi preferiu não explicar porque pediu R$ 50 milhões à Odebrecht e como ele recebeu os R$ 8 milhões que os quatro delatores da empreiteira garantem ter repassado a Jayme Rincón, em dinheiro vivo.

A petição 6.755 (191), do STF, que trata do governador Marconi Perillo (PSDB) aponta que, nas eleições de 2014, o governador procurou a empresa e pediu nova contribuição para campanha diretamente a Marcelo Odebrecht, Fernando Cunha Reis e João Pacífico, executivos da empresa. O pedido ocorreu em almoço ocorrido na sede da empresa, em São Paulo. Os autos dizem que "na oportunidade, Marconi solicitou o valor de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais). Isso mesmo: R$ 50 milhões. Os pagamentos chegaram a "apenas" R$ 8 milhões, conforme dados repassados (com comprovantes) por Fernando Cunha Reis, em espécie, na cidade de São Paulo.

Segundo os delatores, os R$ 8 milhões foram entregues, em espécie, a Marconi Perillo (PSDB) num almoço em São Paulo em 2014 na sede da Odebrecht (clique aqui e veja este documento). E o governador deve essa explicação ao eleitorado goiano: o que ele fez com esses R$ 8 milhões? E por que pediu R$ 50 milhões? É o que a TV Anhanguera queria saber - e Marconi preferiu fugir dos repórteres.


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18 de abril de 2017

Saiu no Jornal Hoje: Marconi Perillo teria recebido 10 milhões de reais da Odebrecht em troca de obras de saneamento em Goiás

Para quem não viu segue a reportagem do Jornal Hoje sobre a delação da Odebrecht que implica o governador Marconi Perillo e Jayme Rincón, diretor da Agetop:


A matéria do Jornal Hoje mostra trechos da delação do executivo da Odebrecht Alexandre José Lopes Barradas. Ele fala de como começou o contato em 2010 (na casa do então senador Demóstenes Torres), com a presença do governador Marconi Perillo (PSDB). "Perillo foi apresentado ao Fernando Cunha Reis na casa do Demóstenes", afirma. Depois da eleição, Alexandre diz que procurou Marconi em março de 2011.

Fernando Cunha Aires Reis, outro delator da Odebrecht, também revela como Marconi Perillo pediu à Odebrecht uma quantia de R$ 50 milhões. "Ele, Marconi, disse que a expectativa era uma quantia da ordem de R$ 50 milhões, mas eu disse que achava inviável", aponta Alexandre. Marconi acabou sendo atendido em R$ 8 milhões só em 2014, como consta de quatro delações diferentes.

Alexandre Barradas diz que o interlocutor para receber os pagamentos era Jayme Rincón mas disse que, em determinado momento, a interlocução de Marconi era diretamente com o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht.

Ao contrário do que afirma a Nota Oficial do Governo de Goiás, da inexistência de obras da Odebrecht no estado, desde 2011 a Odebrecht Ambiental, por meio de parceria com a Saneago, assumiu a concessão dos serviços de tratamento de água e esgoto, pelo prazo de 28 anos, de quatro importantes municípios goianos: Aparecida de Goiânia, Trindade, Rio Verde e Jataí.

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24 de fevereiro de 2017

Jucá tem razão: Isso aqui é suruba. Mas você não foi convidado

Por Leonardo Sakamoto.
 
 
Quem teve estômago para assistir à sabatina de Alexandre de Moraes, indicado a ocupar a vaga de Teori Zavascki como ministro do Supremo Tribunal Federal, saiu com mais uma prova de que uma parte considerável da classe política despirocou e desistiu de manter as aparências.

Mesmo com seu polêmico currículo – que inclui desde uma gestão violenta da segurança pública em São Paulo, passando pela inabilidade em gerenciar uma crise nacional do sistema penitenciário até chegar a denúncias de plágio acadêmico – destacado desde que seu nome foi confirmado por Michel Temer, em nenhum momento ele passou real sufoco. A oposição sumiu, literalmente. Para terem ideia do que foi a sabatina, as cervejas que temos com amigos, no final de semana, contam com mais momentos de treta do que a ovação, desta terça (21), em Brasília.

O que é compreensível porque os senadores que são réus e outros tantos em investigação querem mais é que uma das soluções do governo Temer a fim de frear o impacto da operação Lava Jato à classe política assuma rapidamente no STF.

O país passa por um processo de derretimento de suas instituições – o que é, em minha opinião, a pior consequência do uso do Estado, à luz do dia, para proteger envolvidos em corrupção. O respeito da população com nossas instituições, que já era baixo, vai reduzindo cada vez mais, processo que não pode ser freado da noite para o dia.

Isso demandaria nova pactuação política e social, aliada a muito suor em articulações para a construção de consensos. Mas a reação em cadeia parece ser inevitável e nos levará inexoravelmente para algum lugar escuro que não imagino qual seja.

Por enquanto, o que o povo vê na TV é que os espertos representam a si mesmos e aos interesses de seus grupos, corporativo, econômico, político. O bem do país? Foda-se.

Instituições são responsáveis por ajudar a manter cada um no seu quadrado, seja através da força ou do diálogo, ao mostrar as vantagens em seguir as regras ou deixar bem claro o que acontece com quem as subverte. E quem estabeleceu a regras? Bem, se você está perguntando isso é porque não faz parte do seleto grupo que as fez. Apenas as aceita, por bem ou por mal.

Igreja, família, escola, trabalho, mídia, governo, cada instituição tem sua participação no processo de lembrar a cada um como se portar como engrenagem no processo. O problema é que quando, à luz do dia, pastores não demonstram arrependimento ao serem denunciados por usar igrejas a fim de lavar dinheiro; grandes empresários pedem que investigações contra a corrupção tenham um ponto final urgente para não atrapalharem a economia; atores sociais que atuaram em defesa do impeachment defendem calma diante da corrupção no novo governo; figurões do governo contratam parentes, manipulam vantagens para a construção de seus apartamentos ou deixam claro que, para eles, as leis são diferentes; e membros do Executivo, Legislativo e do Judiciário agem claramente para salvar sua pele e a de seus aliados, o cidadão comum passa a se perguntar: por que só eu tenho que seguir as regras?

Nisso, concordo plenamente com o senador Romero Jucá que, falando à Agência Estado, nesta segunda (20), explicou: ''Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada''.

A declaração foi uma crítica à proposta do Supremo Tribunal Federal de restringir o foro privilegiado de políticos apenas a fatos acontecidos no mandato em exercício, não abrangendo o que veio antes. Ele defendeu que a restrição do foro valha para todo mundo (como Judiciário e Ministério Público) ou para ninguém. Depois da repercussão negativa, disse que a declaração estava fora de contexto e, na verdade, ele estava citando uma música do finado grupo Mamonas Assassinas.

Talvez o trecho a que ele se referia, na música Vira-Vira, era ''Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda / E ainda não comi ninguém!''.

Essa história de quem comeu quem, aliás, lembra a gravação da conversa que Jucá teve com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que foi divulgada pela Folha de S.Paulo, em maio de 2016. Ele afirmou que havia ''caído a ficha'' de líderes do PSDB sobre o potencial de danos da Lava Jato: ''Todo mundo na bandeja para ser comido''. Sérgio Machado, que era do PSDB antes de se filiar ao PMDB, afirmou então que ''o primeiro a ser comido vai ser o Aécio''.

Mas Jucá está correto. A sabatina de Alexandre de Moraes mostrou isso. ''Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada.''

Quem está faltando nessa suruba é o povaréu. Por enquanto, os que resolvem reclamar do come-come em Brasília e de suas consequências para a população (como reformas que tiram dos pobres para manter aos ricos) levam paulada da polícia.

Se os mais pobres se cansarem de ser xepa e, jogando para o ar o respeito às regras e às leis criados para ''não falarem de crise, mas trabalhem'' e resolverem parar de sentir apenas dor para curtir um pouco do prazer que o povo do andar de cima sente desde Pedro Álvares Cabral, será uma zorra. Mas será lindo.
 
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