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Pensamentos aleatórios

19 de fevereiro de 2013

Gifs bobos

Navegando pela web a gente encontra de tudo, abaixo alguns GIFs que fazem rir (ao menos eu ri, ora):

Japonês engraçadinho
Dominó misterioso

Preparado

Gato manhoso

Gordinho Jedi

Te amo papai
 
Woody?!

Não pode dirigir pelo acostamento, burro!

Armadilha no Jipe

18 de fevereiro de 2013

Um desabafo sobre o transporte coletivo



Eu não votei no Jardel Sebba para prefeito em 2012. E não foi por ter qualquer coisa contra ele, muito pelo contrário. Jardel foi o meu voto em três das ultimas quatro eleições (prefeito em 2008 e deputado estadual em 2010 e 2006 - só não votei nele para deputado quando o outro candidato da região foi o Fernando Netto, em 2002). Em 2008 entendia que era o momento de haver a alternância de poder em Catalão e pessoalmente eu o achava mais preparado para ser prefeito que Velomar naquela época. Já em 2012, além de estar me candidatando a vereador na coligação do PMDB, entendia que no momento atual Catalão precisava ter um prefeito da base aliada do Governo Federal, pois uma disputada eleição presidencial vem aí e os recursos federais (os que importam de verdade) com certeza virão para os aliados, ou alguém é ingênuo de acreditar que o PT vai enviar verbas gordas para prefeitos do PSDB?! Portanto, mesmo com todo o desgaste de 12 anos do PMDB em Catalão, e dos benefícios imediatos que a alternância de poder sempre apresenta, era melhor ter um aliado da Dilma na prefeitura do que um do Marconi, desgastado por conta da quebradeira do Governo Estadual e da relação suspeita com o Cachoeira. Pois bem, escrevi tudo isso só para dizer que hoje, mesmo com todos os contras anteriores, tem um motivo pelo qual eu gostaria de ter votado no Jardel para prefeito em 2012, uma única promessa de campanha, a de tirar da Transduarte o transporte coletivo da cidade.

Não é brincadeira, nem loucura, muito menos mudança de lado, mas quando lembro do descaso com o transporte coletivo me arrependo de não ter votado no Jardel, de verdade! Gostaria de ter votado só para poder dizer que contribuí de alguma forma para saída da Transduarte. E isso não é raiva da empresa, nem de seus funcionários, diretores ou donos, nada disso. Simplesmente não dá mais para suportar o que a Transduarte representa: o completo descaso com o transporte coletivo em Catalão.

Um sistema de transporte coletivo de qualidade é um dos meios mais eficazes de conseguir melhoras no trânsito. Se o coletivo é bom, mais pessoas deixam seus veículos na garagem, desafogando o tráfego. Fica mais barato se deslocar de coletivo e é mais seguro. Mas se o transporte é ruim a tendencia é todo mundo que tiver condição adquirir um carro ou moto, simplesmente para não depender mais do coletivo e é isso que a Transduarte provoca: raiva do transporte público e vontade de comprar um carro. Escrevo isso com experiência própria de quem está usando o coletivo e sofre com os horários dos ônibus e vê diariamente o tratamento raivoso de alguns funcionários do terminal, principalmente com os estudantes, maiores usuários do transporte coletivo. Alguns parecem nutrir ódio da pessoa que estuda, tamanha a animosidade com que tratam estudantes, especialmente os universitários. 

É verdade que a Transduarte não é culpada sozinha pelo descaso com o coletivo. Transporte público é historicamente ignorado no Brasil todo e em Catalão é pior, pois culturalmente é algo associado à pobreza (só pobre anda de coletivo) e por isso é desprezado pela maioria. Mas nas cidades onde o coletivo funciona o trânsito e a própria vida cotidiana melhora, pois além de diminuir a poluição o coletivo se torna um espaço de comunicação e socialização. Ao longo do trajeto pode-se encontrar amigos, fazer novos, conversar e discutir todo tipo de questões, desde os jogos CRAC até eventos políticos e culturais na cidade (quando existirem) e dá para aproveitar o tempo para pequenas tarefas como a preparação de uma lista de compras, a leitura de uma revista, palavras cruzadas, jogos eletrônicos e outras  pequenas atividades, desde que o usuário não fique estressado com a demora. 

E em Catalão o serviço prestado não é de todo ruim, o preço da passagem não é caro, os ônibus em sua maioria são bem conservados e limpos, a maioria dos cobradores e motoristas são capacitados, mas quando chega no quesito tempo a coisa fica feia. Para me deslocar de casa (moro no Estrela) até a UFG levo em média sete minutos de carro, de coletivo gasto uma hora e vinte minutos, sendo que cerca de meia hora é parado no terminal esperando todos os ônibus chegarem, um absurdo! Como é que alguém vai deixar seu carro na garagem e perder tanto tempo assim? Até quem quer dar sua contribuição para melhorar o trânsito vai mudar de ideia. E a única solução parece ser mesmo a saída da empresa, já que a omissão do PROCON, da Prefeitura e do Ministério Público em fiscalizar essa importante concessão pública e cobrar melhorias aparentemente não ia ter fim.

De qualquer forma é lamentável que tenha que haver uma mudança política na cidade para o Poder Público se dar ao trabalho de olhar pelo transporte coletivo, mas se esse foi o caminho então resta-nos dar tchau tchau para a Transduarte e cobrar o cumprimento da promessa e torcer para não ficar apenas no campo eleitoral ou se tornar mais um factoide, um "Recupera Catalão" do coletivo, com muito barulho e pífios resultados práticos.

14 de fevereiro de 2013

Depois do Carnaval II

Depois do belo texto de Cecília Meireles, segue uma seleção de charges sobre o momento pós-carnaval:












Depois do Carnaval*


Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.

À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.
Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?

Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.
Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.

Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...

Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?
"Ved de quán poco valor
Son las cosas tras que andamos 
Y corremos..." 
dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...


*Cecília Meireles: Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 93.

8 de fevereiro de 2013

Depois da tragédia


Ótimo texto de Walcir Carrasco, também acessado no site da Revista Época:


Depois da tragédia


Estamos em pleno Carnaval, mas a tragédia de Santa Maria ainda ecoa nos corações. Entre um ziriguidum e outro, de repente alguém lança um olhar no salão superlotado e pergunta a si mesmo:


– E se pegar fogo?

Esperei para falar do assunto. Queria avaliar a atuação dos órgãos públicos. Aconteceu o previsto: um tsunami de fiscalização inundou o país. No Rio de Janeiro, fecharam até espaços públicos. No centro de São Paulo, em pleno Carnaval, casas noturnas tradicionais não funcionam mais. E daí?

Falou-se muito sobre um choque de fiscalização. É importante, claro. Mas queria ouvir sobre uma reestruturação mais profunda. Explico: você, em São Paulo, já tentou legalizar uma obra? A reforma de uma casa? Conseguir o carimbo de “Habite-se”? Eu já.

Certa vez, comprei uma casa no Morumbi. Enviei a planta da reforma, que nem aumentava a área já existente. Durante um ano, trabalhamos munidos apenas de um protocolo, porque a autorização não saía. Mudei. Mais um ano e ainda não conseguira legalizar a casa. Recebia avisos de “Comunique-se”. A cada um, nova exigência. Quando comparecia, eu pedia somente que todas as exigências fossem feitas de uma vez, para cumpri-las. Impossível. Gastei uma fortuna em plantas, sempre refeitas. Finalmente capitulei. Contratei um sujeito especializado no processo de aprovação de plantas. O que ele fez, eu imagino. Em 15 dias, saiu o “Habite-se”.

Imagino o que passa alguém que queira legalizar uma casa noturna. Ou teatro. Em São Paulo, é impossível legalizar um carrinho de cachorro quente. Juro. Um amigo certa vez botou na cabeça que se tornaria milionário montando uma rede de hot dog. Tipo Nova York, onde há um carrinho em cada esquina. Tentou uma licença por todos os meios. Impossível. Finalmente, o encarregado na prefeitura aconselhou:

– Desista. Isso não é para um sujeito como você. Vai ter de enfrentar muita barra-pesada.

O futuro empresário teimou. Comprou uma van e estacionou numa esquina com seus hot dogs. Foi ameaçado de morte por vendedores que já estavam por lá. Combinados com fiscais que vigiavam a área, o expulsaram. O hot dog é ilegal, mas os fiscais não enxergam os carrinhos quando interessa. Finalmente, meu amigo desistiu. Repassou o financiamento da van a outra futura empresária. Fez contrato de gaveta porque, legalmente, não conseguiu transferir. A compradora não pagou as prestações e ainda atropelou alguém. Ele queria fazer tudo de acordo com a lei. Mas ficou com o nome sujo, dívida nas costas e ainda respondeu a processo criminal, como proprietário oficial do veículo.

Imagino o que é montar uma casa noturna! Espaços são abertos com protocolos na mão. Inclusive restaurantes elegantes. O sujeito comprou o ponto, paga aluguel, vai esperar dois anos pela vistoria? Mais fácil se haver com fiscais que topam facilitar. O negócio começa a funcionar, e os fiscais continuam fazendo vista grossa. Vale para qualquer classe. Alguém já viu policial pagar conta em bar? O dono do estabelecimento prefere oferecer. Vai que tem alguma coisa errada? Quando acontece a tragédia, vem o choque. Por que a surpresa? Todo mundo está farto de saber que há corrupção em todos os níveis dos órgãos públicos. Convivemos com isso. Os encarregados de fiscalizar em Santa Maria responderão por homicídio? Duvido. Houve só uma gritaria, devido à pressão da imprensa. Sinceramente, nem sei se a lei permite processar o sujeito que fechou os olhos. E seus superiores, responsáveis em instância maior.

Resolver seria possível. Por exemplo: se todo o processo fosse informatizado, a planta seria entregue pela internet. Se cumprisse as especificações, o interessado poderia tirar o alvará da obra em algumas horas. A imensa cadeia de carimbos existentes para a aprovação perderia o sentido. Da mesma forma, ocorreria com as outras exigências. O alvará de funcionamento, sim, dependeria de visitas dos técnicos responsáveis, que fiscalizariam o cumprimento das regras. Se conseguiram informatizar o Imposto de Renda com tanta perfeição, por que não fazem o mesmo em relação a outras áreas?

A resposta até dói de tão simples: não interessa.

Muita gente ganha com as dificuldades. A ilegalidade se tornou regra porque dá grana.

Outra tragédia pode acontecer a qualquer momento. Vamos nos chocar. Chorar. Lamentar. Mas a mudança estrutural nem foi cogitada. É mais lucrativo deixar como está, até a próxima lágrima.

Condenada mulher que expôs traição na internet em 2010. Lembra esse vídeo?

Essa eu vi no site da Revista Época:

Vocês se lembram do caso da mulher que expôs na internet a traição que sofreu do marido com a melhor amiga em Sorocaba, interior de São Paulo? Pois bem, a traída foi condenada a pagar R$ 67 mil (!!!) de indenização à suposta amante do ex-marido. A decisão, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ainda admite recurso. Bom, o caso bombou no país inteiro em 2010. Depois de descobrir que o marido a traía com a amiga, uma advogada de 35 anos chamou a mulher em sua casa e gravou um vídeo em que mostrava as provas da traição e a agredia. A mulher vingativa postou o vídeo em sua página no Orkut, mas acabou indo parar no YouTube. Além de destratar a rival, ela a agarrou pelos cabelos e a derrubou sobre a cadeira. Típica briga de mulher.

A suposta amante, que também era casada – e os casais eram amigos! -, entrou com ação por danos morais. De acordo com o advogado dela, Márcio Leme, a decisão não levou em conta a traição, mas a humilhação pública sofrida pela cliente. A tese que o TJ-SP levou em conta foi de que não se pode expor a privacidade de outra pessoa. Para o advogado, o tribunal considerou que a mulher traída praticou um ato ilícito ao ter planejado a ação, além de ter declarado à imprensa, na época, que o fez por vingança. Segundo ele, o valor da indenização não repara a humilhação sofrida pela vítima, mas ao menos penaliza a autora da ofensa. A advogada desta, por sua vez, informou que vai entrar com recurso.

Relembre o vídeo:



7 de fevereiro de 2013

Três Ranchos não vai ter Motocross


Essa eu vi no Blog do Mamede (eis o link) e quase não acreditei. Após 24 anos sendo realizado ininterruptamente na cidade de Três Ranchos este ano não haverá o tradicional Carnacross, evento que faz parte do carnaval no interior de Goiás e do calendário do campeonato nacional de motocross e tradicionalmente abria a temporada de competições.

E o duro é a justificativa do secretário Rodrigão (outro, não aquele do asfalto à prova de chuva) de que o Carnacross não dá retorno para a cidade. Ora, esse é um dos diferenciais do carnaval de Três Ranchos. Sem o Carnacross a festa em Três Ranchos se torna apenas mais uma farra de final de semana prolongado, regada a muita bebida e falta de limites.

Fazendo assim perdem Rolvander e Rodrigão (o ex-gordo, não o ex-metalúrgico) e também os moradores da cidade que ainda acreditam que podem viver do turismo em uma cidade turística que se dá ao luxo de dispensar atrações (daqui a pouco vão dispensar os turistas também).

Segundo Rodrigão, eles vão investir em eventos mais ordeiros, como o Caldas Country, por exemplo.


Trânsito de Catalão: A solução veio do Tocantins?



O trânsito de Catalão é algo fácil de ser resolvido, basta ter vontade de fazer e não ter medo de dar a canetada (porque é com uma canetada que se resolve). É só criar mais uma faixa de circulação de veículos em frente aos cartórios, fechar o canteiro em frente ao Supermercado Reis (usado irregularmente como retorno e estacionamento), fazer mais uma campanha educativa sobre o uso de cadeirinhas, celulares e cinto de segurança (este ultimo com a participação do Rodrigão) e pronto, resolvem-se todos os problemas de circulação, estacionamento e parada de veículos, bem como o respeito à sinalização e aos pedestres. E para fazer isso, em menos de uma semana diga-se, foi só trazer um engenheiro de trânsito de Tocantins, que teve o peito de fazer tudo o que os outros superintendentes e prefeitos anteriores não tiveram coragem de fazer. Bom, ao menos é essa a impressão que tenho vendo a divulgação das ações do novo superintendente de trânsito de Catalão, nos sites e blogs de nossa cidade.

Em menos de uma semana à frente do cargo o sujeito está sendo apontado como um ser superior que, de fora, via a bagunça do tráfego catalano e chegou com poderes mágicos de arrumar tudo. Só faltou anunciarem que foi ele trouxe o asfalto a prova de chuva (se bem que esse o Rodrigão não deixava). É muito exagero.

Trânsito é um tema complexo em qualquer lugar, não algo que se resolve com uma canetada ou com o fechamento de um canteiro, portanto, não dá para ficar calado ao ver tanta gente babando com ações paliativas. É verdade que algumas já deveriam ter sido feitas (como o fechamento do canteiro em frente ao Reis), mas não acrescentam nada ao nosso complicado tráfego de veículos. A atitude mais comentada, duplicar a faixa de circulação na avenida Raulina em frente aos cartórios retirando trinta vagas de estacionamento, imediatamente só vai provocar mais tráfego, pois vai ter mais veículos circulando justamente porque não tem outros lugares para estacionar. E a campanha orientativa sobre o uso de cadeirinhas, celulares e cinto de segurança? Adiantaria alguma coisa se o exemplo viesse de quem cobra, mas numa cidade onde o vice-prefeito, os motoristas da prefeitura, a polícia e demais autoridades públicas sequer usam o cinto de segurança como exigir isso e mais do cidadão? Sem contar que essa campanha educativa foi feita pela mesma SMTC há menos de três meses (talvez o superintendente ache que além de mudar o prefeito também mudaram os motoristas da cidade).

Trânsito é complexo, mas também não é um bicho de sete cabeças que só um engenheiro de trânsito com doutorado na França possa matar. Os problemas todo mundo conhece: excesso de veículos, pouco estacionamento, falta de educação, desrespeito pelas leis de trânsito... Não é possível pensar em resolver problemas fazendo ações separadas. Criar mais faixas de circulação? Ótimo, desde que venha junto com estacionamento rotativo (Zona Azul). Exigir cinto de segurança e inibir o uso de celular ao volante através de multa? Perfeito, se houver o exemplo das autoridades públicas, em especial daqueles que lidam com a fiscalização. Desrespeito às leis de trânsito? Deixe os agentes multarem e não retire a multa, se doer no bolso (e nos pontos da CNH) o sujeito aprende. Muitos acidentes? Diminua os cruzamentos e descentralize serviços e o usuário vai deixar de passar pelo centro da cidade, descongestionando o trânsito. Excesso de veículos? Dê transporte coletivo barato e de qualidade que o cidadão vai deixar o seu veículo na garagem. Não existe mágica, mas ações desenvolvidas separadamente também não resolvem nenhum problema, na realidade só jogam os atuais para frente.

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6 de fevereiro de 2013

CATALÃO: o fenômeno do desenvolvimento econômico em Goiás



Excelente texto do amigo Gabriel de Melo, publicado ontem no jornal O Popular:

CATALÃO: o fenômeno do desenvolvimento econômico em Goiás

Nos últimos anos tem sido constante a divulgação de informações sobre as potencialidades econômicas de Catalão, recebendo destaque inclusive na mídia nacional, não sendo raras também, informações no cenário internacional (por exemplo, em 2010 o site WikiLeaks divulgou uma “lista secreta” do governo Estadunidense, a qual mostrava um alto interesse na cidade, devido as suas reservas minerais). Tal situação tem representado fator de satisfação para gestores públicos, devido às altas arrecadações de impostos – o município possui uma das maiores arrecadações Per capita de Goiás – para o comércio local, incluindo todo o setor de serviços que é uma referência regional, aos trabalhadores, diante da grande oferta de empregos. E principalmente, para os empresários que são os maiores beneficiados que veem as suas taxas de lucros cada vez mais ampliadas diante dos investimentos realizados.

Os recentes anúncios da ampliação de investimentos no parque industrial, sobretudo no setor automobilístico – uma única empresa divulgou em abril/2012 investimento na ordem de 1,2 bilhão – e da produção minero-química – a gigante Vale, realizou em 2010 a compra de uma grande mineradora da cidade e tem anunciado juntamente com outras empresas do ramo, significativa ampliação da produção – sem ignorar o agronegócio que através da DuPont Pioneer instalou em novembro/2012 uma de suas maiores unidades produtoras de sementes no mundo, notícias que deixam claro que o ciclo de pujança econômica de Catalão, continua em franco progresso. No entanto, pode parecer contraditório, mas essa é uma situação preocupante para a sociedade local, frente a diferentes impactos sociais e ambientais que visivelmente são percebidos na cidade.

Ao longo da última década é inquestionável o crescimento econômico e populacional de Catalão. O município sofreu transformações profundas, principalmente diante da instalação/consolidação de duas montadoras (Mitsubishi e John Deer) e da ampliação da produção mineral, atualmente concentrado 9,33% de toda produção goiana, representando a 3ª maior partição do estado, com destaque para o Nióbio e o Fosfato (DNPM/2010), situação que conferiu ao município importantes “títulos”, “5ª maior economia do estado de Goiás (atingindo a sua melhor posição em 2005, ficando atrás apenas de Goiânia e Anápolis)”, “melhor índice de qualidade de vida no estado de Goiás segundo a FIRJAN” – segundo edição da pesquisa publicada em 2008, com dados do ano base 2005. Contudo, na última edição, de forma surpreendente caiu para a 31ª posição – “3º maior parque industrial do estado de Goiás” (SEPLAN/GO/2011), entre outros indicadores econômicos que atualmente causam inveja a qualquer cidade brasileira.

Todavia, o “outro lado da moeda” – os aspectos socioambientais – não tem recebido o mesmo destaque pelos diferentes veículos de imprensa, situação similar à posição dos gestores públicos, sobretudo, dos órgãos que tem a finalidade de garantir o cumprimento dos mecanismos de controle ambiental, bem como da qualidade de vida da sociedade e de forma especial dos trabalhadores das empresas instaladas no município (doenças/lesões associadas às atividades profissionais vem constituindo-se em questão crítica na cidade).

Entre outros problemas socioambientais existentes em Catalão destaca-se a poluição atmosférica que tem causado relevantes prejuízos a saúde da população, principalmente das crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. O caso é tão grave que é comumente relatado pela população em geral, “um estranho odor no ar” em praticamente toda a cidade, cuja a(s) fonte(s) emissora(s) possivelmente, está relacionado as atividades minero-químicas. Após inúmeras manifestações, abaixo-assinados, denúncias em diferentes órgãos, entre outras ações populares, o Ministério Público goiano está promovendo um processo de investigação.

A especulação imobiliária é outro grande problema já que o mercado imobiliário encontra-se aquecido, com investimentos vultosos. Para se ter uma ideia, apenas nos últimos dois anos foram lançados aproximadamente 15 loteamentos. Todo esse processo tem sido realizado de “forma nebulosa” e no atropelo da lei. Uma grande evidência de tal fato, foi a modificação no Plano Diretor do município, no qual sem qualquer debate com a sociedade ou realização de estudos técnicos, aprovou-se a ampliação do Perímetro Urbano em tempo recorde – menos de duas semanas – conforme Lei Municipal n° 2.821/11, motivando a proposição de Ação Civil Pública em outubro/2012 pelo MP/GO . A questão imobiliária tem provocado fortes impactos na economia local, diante da grande valorização de terrenos/imóveis e no custo dos aluguéis que tem sacrificado principalmente as famílias com baixo poder aquisitivo. Sem ignorar ainda os prejuízos sobre a degradação das áreas verdes que são incorporadas e no caos que tem se transformado a organização urbana do município.

Diante da exposição, salienta-se que é inegável os benefícios gerados para os “índices econômicos” do município, no entanto, o preço pago por esse modelo de desenvolvimento, no mínimo deve provocar algumas reflexões frente os nítidos e graves problemas ambientais e sociais já existentes e os anunciados para um futuro próximo em Catalão.


1 de fevereiro de 2013

Estatal goiana é cabide de empregos


Essa está no blog da Fabiana Pulcineli, de O Popular. Fala da estatal Celg Telecom, braço da Celg para lidar com a transmissão de dados. Criada em  2011 até hoje não saiu do papel, mas possui diretores ganhando 15 mil reais por mês e gasta a maior parte do aporte financeiro recebido do estado para pagar o salários dos diretores e consultorias. Revolta ver como o nosso dinheiro é "investido" pelo Governo do Estado, e depois do apagão de quarta-feira em Catalão, causado pela ausência de investimento da Celg na rede elétrica de nossa cidade, me senti na obrigação de compartilhar aqui:



Estatal sem atividade abriga aliados do Governo


Criada há quatro anos, mas ainda sem atividade, a Celg Telecom é comandada por um trio de indicações políticas que não conseguiu cumprir a missão de tirá-la do papel. 

As nomeações foram em setembro, mas só agora publicadas no Diário Oficial do Estado. O motivo oficial: falta de dinheiro para pagar os anúncios. Sem faturamento, a empresa precisa de aportes do Estado para quitar despesas administrativas.

A nova diretoria, indicada pelo governo estadual, tem como presidente Pedro de Moraes Jardim, ex-superintentende do Tesouro Estadual da Secretaria da Fazenda. O diretor técnico e comercial é o presidente estadual do PSDB, Paulo de Jesus. E Jayme de Oliveira Júnior responde pela diretoria administrativa e financeira.

O salário dos diretores, reajustado um mês depois que assumiram, é de R$ 15 mil.

Na assembleia do Conselho de Administração que aprovou as nomeações, o conselheiro indicado pelos acionistas minoritários e funcionário de carreira da Celg D, Pettersonn Gomes Caparrosa Silva, solicitou que os indicados se apresentassem. Depois dos discursos, falou da seriedade dos cargos e "arguiu não haver dentre os membros indicados nenhum com formação acadêmica compatível com a área de telecomunicação" - segundo texto da ata.

"Destarte as considerações explanadas, os conselheiros reconheceram não haver nada obstante ao grau de conhecimento da matéria pertinente e aprovaram por unanimidade as indicações", segue a ata.

Com prejuízo líquido de R$ 733 mil no balanço de 2011, a Celg Telecom recebeu aporte de R$ 1 milhão do Estado, a pedido da nova diretoria, para pagar salários de conselheiros e diretores, além de outras despesas administrativas. "Pagamos salários atrasados de quase dois anos. O gasto hoje é de R$ 400 mil. Quando acabar, o Estado entra com mais", diz Paulo de Jesus.

A estatal funciona em uma pequena sala na Secretaria de Infraestrutura, no 4º andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. 

A Celg Telecom tem um acerto para contrato de cessão de uso de redes de fibra óptica (617 quilômetros) da Celg D, mas que ainda não foi oficializado nem validado pela Aneel. O objetivo é prestar serviços de transmissão de dados, voz e imagem, via rede elétrica. Segundo especialistas, a empresa tem potencial grande de mercado.

"Estamos de stand by aguardando a Celg D fechar a autorização. Pedimos seis meses para estruturar a empresa. Se ela não se viabilizar, não tem sentido continuarmos lá", diz Paulo de Jesus.

O presidente do PSDB afirma que concorda com a cobrança do conselheiro Petterson, mas que o momento é mais de ação política do que técnica. "Precisamos ter força para buscar avanços nesse acordo com a Celg. Depois disso, vamos investir em suporte técnico", justifica.

"Nós inclusive estamos cogitando a possibilidade de eu assumir a diretoria financeira e abrir espaço para um engenheiro da área na diretoria técnica", diz Paulo de Jesus, que é advogado e saiu da Superintendência de Articulação Política da Secretaria de Articulação Institucional para ir para a estatal.

Jayme Oliveira, administrador de empresa e ligado ao deputado Helder Valin (PSDB), deve sair da Celg Telecom para assumir a diretoria financeira da Assembleia Legislativa, que será presidida pelo tucano. Valin confirma o convite e diz tratar-se de um "bom técnico". Jayme foi também assessor da presidência da Celg D na gestão do vice-governador José Eliton (DEM).

O blog não conseguiu falar com Pedro Jardim nem na Celg Telecom nem no celular. A secretária que atendeu na estatal disse que estava no local apenas Jayme Oliveira, que não quis falar e sugeriu que a reportagem voltasse a ligar dois dias depois para falar com o presidente. Pedro Jardim é engenheiro agrônomo e ocupou funções na antiga Telegoiás e na Brasil Telecom, além de outros cargos no governo.

No segundo mês de governo, em 2011, o govenador Marconi Perillo (PSDB) recebeu do então secretário de Infraestrutura Wilder Morais (DEM), hoje senador, projeto de reestruturação da Celg Telecom com previsão de 120 dias. À época, Wilder criticou a falta de engajamento do governo anterior para colocar a empresa em funcionamento.