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Pensamentos aleatórios

8 de fevereiro de 2013

Depois da tragédia


Ótimo texto de Walcir Carrasco, também acessado no site da Revista Época:


Depois da tragédia


Estamos em pleno Carnaval, mas a tragédia de Santa Maria ainda ecoa nos corações. Entre um ziriguidum e outro, de repente alguém lança um olhar no salão superlotado e pergunta a si mesmo:


– E se pegar fogo?

Esperei para falar do assunto. Queria avaliar a atuação dos órgãos públicos. Aconteceu o previsto: um tsunami de fiscalização inundou o país. No Rio de Janeiro, fecharam até espaços públicos. No centro de São Paulo, em pleno Carnaval, casas noturnas tradicionais não funcionam mais. E daí?

Falou-se muito sobre um choque de fiscalização. É importante, claro. Mas queria ouvir sobre uma reestruturação mais profunda. Explico: você, em São Paulo, já tentou legalizar uma obra? A reforma de uma casa? Conseguir o carimbo de “Habite-se”? Eu já.

Certa vez, comprei uma casa no Morumbi. Enviei a planta da reforma, que nem aumentava a área já existente. Durante um ano, trabalhamos munidos apenas de um protocolo, porque a autorização não saía. Mudei. Mais um ano e ainda não conseguira legalizar a casa. Recebia avisos de “Comunique-se”. A cada um, nova exigência. Quando comparecia, eu pedia somente que todas as exigências fossem feitas de uma vez, para cumpri-las. Impossível. Gastei uma fortuna em plantas, sempre refeitas. Finalmente capitulei. Contratei um sujeito especializado no processo de aprovação de plantas. O que ele fez, eu imagino. Em 15 dias, saiu o “Habite-se”.

Imagino o que passa alguém que queira legalizar uma casa noturna. Ou teatro. Em São Paulo, é impossível legalizar um carrinho de cachorro quente. Juro. Um amigo certa vez botou na cabeça que se tornaria milionário montando uma rede de hot dog. Tipo Nova York, onde há um carrinho em cada esquina. Tentou uma licença por todos os meios. Impossível. Finalmente, o encarregado na prefeitura aconselhou:

– Desista. Isso não é para um sujeito como você. Vai ter de enfrentar muita barra-pesada.

O futuro empresário teimou. Comprou uma van e estacionou numa esquina com seus hot dogs. Foi ameaçado de morte por vendedores que já estavam por lá. Combinados com fiscais que vigiavam a área, o expulsaram. O hot dog é ilegal, mas os fiscais não enxergam os carrinhos quando interessa. Finalmente, meu amigo desistiu. Repassou o financiamento da van a outra futura empresária. Fez contrato de gaveta porque, legalmente, não conseguiu transferir. A compradora não pagou as prestações e ainda atropelou alguém. Ele queria fazer tudo de acordo com a lei. Mas ficou com o nome sujo, dívida nas costas e ainda respondeu a processo criminal, como proprietário oficial do veículo.

Imagino o que é montar uma casa noturna! Espaços são abertos com protocolos na mão. Inclusive restaurantes elegantes. O sujeito comprou o ponto, paga aluguel, vai esperar dois anos pela vistoria? Mais fácil se haver com fiscais que topam facilitar. O negócio começa a funcionar, e os fiscais continuam fazendo vista grossa. Vale para qualquer classe. Alguém já viu policial pagar conta em bar? O dono do estabelecimento prefere oferecer. Vai que tem alguma coisa errada? Quando acontece a tragédia, vem o choque. Por que a surpresa? Todo mundo está farto de saber que há corrupção em todos os níveis dos órgãos públicos. Convivemos com isso. Os encarregados de fiscalizar em Santa Maria responderão por homicídio? Duvido. Houve só uma gritaria, devido à pressão da imprensa. Sinceramente, nem sei se a lei permite processar o sujeito que fechou os olhos. E seus superiores, responsáveis em instância maior.

Resolver seria possível. Por exemplo: se todo o processo fosse informatizado, a planta seria entregue pela internet. Se cumprisse as especificações, o interessado poderia tirar o alvará da obra em algumas horas. A imensa cadeia de carimbos existentes para a aprovação perderia o sentido. Da mesma forma, ocorreria com as outras exigências. O alvará de funcionamento, sim, dependeria de visitas dos técnicos responsáveis, que fiscalizariam o cumprimento das regras. Se conseguiram informatizar o Imposto de Renda com tanta perfeição, por que não fazem o mesmo em relação a outras áreas?

A resposta até dói de tão simples: não interessa.

Muita gente ganha com as dificuldades. A ilegalidade se tornou regra porque dá grana.

Outra tragédia pode acontecer a qualquer momento. Vamos nos chocar. Chorar. Lamentar. Mas a mudança estrutural nem foi cogitada. É mais lucrativo deixar como está, até a próxima lágrima.

Condenada mulher que expôs traição na internet em 2010. Lembra esse vídeo?

Essa eu vi no site da Revista Época:

Vocês se lembram do caso da mulher que expôs na internet a traição que sofreu do marido com a melhor amiga em Sorocaba, interior de São Paulo? Pois bem, a traída foi condenada a pagar R$ 67 mil (!!!) de indenização à suposta amante do ex-marido. A decisão, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ainda admite recurso. Bom, o caso bombou no país inteiro em 2010. Depois de descobrir que o marido a traía com a amiga, uma advogada de 35 anos chamou a mulher em sua casa e gravou um vídeo em que mostrava as provas da traição e a agredia. A mulher vingativa postou o vídeo em sua página no Orkut, mas acabou indo parar no YouTube. Além de destratar a rival, ela a agarrou pelos cabelos e a derrubou sobre a cadeira. Típica briga de mulher.

A suposta amante, que também era casada – e os casais eram amigos! -, entrou com ação por danos morais. De acordo com o advogado dela, Márcio Leme, a decisão não levou em conta a traição, mas a humilhação pública sofrida pela cliente. A tese que o TJ-SP levou em conta foi de que não se pode expor a privacidade de outra pessoa. Para o advogado, o tribunal considerou que a mulher traída praticou um ato ilícito ao ter planejado a ação, além de ter declarado à imprensa, na época, que o fez por vingança. Segundo ele, o valor da indenização não repara a humilhação sofrida pela vítima, mas ao menos penaliza a autora da ofensa. A advogada desta, por sua vez, informou que vai entrar com recurso.

Relembre o vídeo:



7 de fevereiro de 2013

Três Ranchos não vai ter Motocross


Essa eu vi no Blog do Mamede (eis o link) e quase não acreditei. Após 24 anos sendo realizado ininterruptamente na cidade de Três Ranchos este ano não haverá o tradicional Carnacross, evento que faz parte do carnaval no interior de Goiás e do calendário do campeonato nacional de motocross e tradicionalmente abria a temporada de competições.

E o duro é a justificativa do secretário Rodrigão (outro, não aquele do asfalto à prova de chuva) de que o Carnacross não dá retorno para a cidade. Ora, esse é um dos diferenciais do carnaval de Três Ranchos. Sem o Carnacross a festa em Três Ranchos se torna apenas mais uma farra de final de semana prolongado, regada a muita bebida e falta de limites.

Fazendo assim perdem Rolvander e Rodrigão (o ex-gordo, não o ex-metalúrgico) e também os moradores da cidade que ainda acreditam que podem viver do turismo em uma cidade turística que se dá ao luxo de dispensar atrações (daqui a pouco vão dispensar os turistas também).

Segundo Rodrigão, eles vão investir em eventos mais ordeiros, como o Caldas Country, por exemplo.


Trânsito de Catalão: A solução veio do Tocantins?



O trânsito de Catalão é algo fácil de ser resolvido, basta ter vontade de fazer e não ter medo de dar a canetada (porque é com uma canetada que se resolve). É só criar mais uma faixa de circulação de veículos em frente aos cartórios, fechar o canteiro em frente ao Supermercado Reis (usado irregularmente como retorno e estacionamento), fazer mais uma campanha educativa sobre o uso de cadeirinhas, celulares e cinto de segurança (este ultimo com a participação do Rodrigão) e pronto, resolvem-se todos os problemas de circulação, estacionamento e parada de veículos, bem como o respeito à sinalização e aos pedestres. E para fazer isso, em menos de uma semana diga-se, foi só trazer um engenheiro de trânsito de Tocantins, que teve o peito de fazer tudo o que os outros superintendentes e prefeitos anteriores não tiveram coragem de fazer. Bom, ao menos é essa a impressão que tenho vendo a divulgação das ações do novo superintendente de trânsito de Catalão, nos sites e blogs de nossa cidade.

Em menos de uma semana à frente do cargo o sujeito está sendo apontado como um ser superior que, de fora, via a bagunça do tráfego catalano e chegou com poderes mágicos de arrumar tudo. Só faltou anunciarem que foi ele trouxe o asfalto a prova de chuva (se bem que esse o Rodrigão não deixava). É muito exagero.

Trânsito é um tema complexo em qualquer lugar, não algo que se resolve com uma canetada ou com o fechamento de um canteiro, portanto, não dá para ficar calado ao ver tanta gente babando com ações paliativas. É verdade que algumas já deveriam ter sido feitas (como o fechamento do canteiro em frente ao Reis), mas não acrescentam nada ao nosso complicado tráfego de veículos. A atitude mais comentada, duplicar a faixa de circulação na avenida Raulina em frente aos cartórios retirando trinta vagas de estacionamento, imediatamente só vai provocar mais tráfego, pois vai ter mais veículos circulando justamente porque não tem outros lugares para estacionar. E a campanha orientativa sobre o uso de cadeirinhas, celulares e cinto de segurança? Adiantaria alguma coisa se o exemplo viesse de quem cobra, mas numa cidade onde o vice-prefeito, os motoristas da prefeitura, a polícia e demais autoridades públicas sequer usam o cinto de segurança como exigir isso e mais do cidadão? Sem contar que essa campanha educativa foi feita pela mesma SMTC há menos de três meses (talvez o superintendente ache que além de mudar o prefeito também mudaram os motoristas da cidade).

Trânsito é complexo, mas também não é um bicho de sete cabeças que só um engenheiro de trânsito com doutorado na França possa matar. Os problemas todo mundo conhece: excesso de veículos, pouco estacionamento, falta de educação, desrespeito pelas leis de trânsito... Não é possível pensar em resolver problemas fazendo ações separadas. Criar mais faixas de circulação? Ótimo, desde que venha junto com estacionamento rotativo (Zona Azul). Exigir cinto de segurança e inibir o uso de celular ao volante através de multa? Perfeito, se houver o exemplo das autoridades públicas, em especial daqueles que lidam com a fiscalização. Desrespeito às leis de trânsito? Deixe os agentes multarem e não retire a multa, se doer no bolso (e nos pontos da CNH) o sujeito aprende. Muitos acidentes? Diminua os cruzamentos e descentralize serviços e o usuário vai deixar de passar pelo centro da cidade, descongestionando o trânsito. Excesso de veículos? Dê transporte coletivo barato e de qualidade que o cidadão vai deixar o seu veículo na garagem. Não existe mágica, mas ações desenvolvidas separadamente também não resolvem nenhum problema, na realidade só jogam os atuais para frente.

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6 de fevereiro de 2013

CATALÃO: o fenômeno do desenvolvimento econômico em Goiás



Excelente texto do amigo Gabriel de Melo, publicado ontem no jornal O Popular:

CATALÃO: o fenômeno do desenvolvimento econômico em Goiás

Nos últimos anos tem sido constante a divulgação de informações sobre as potencialidades econômicas de Catalão, recebendo destaque inclusive na mídia nacional, não sendo raras também, informações no cenário internacional (por exemplo, em 2010 o site WikiLeaks divulgou uma “lista secreta” do governo Estadunidense, a qual mostrava um alto interesse na cidade, devido as suas reservas minerais). Tal situação tem representado fator de satisfação para gestores públicos, devido às altas arrecadações de impostos – o município possui uma das maiores arrecadações Per capita de Goiás – para o comércio local, incluindo todo o setor de serviços que é uma referência regional, aos trabalhadores, diante da grande oferta de empregos. E principalmente, para os empresários que são os maiores beneficiados que veem as suas taxas de lucros cada vez mais ampliadas diante dos investimentos realizados.

Os recentes anúncios da ampliação de investimentos no parque industrial, sobretudo no setor automobilístico – uma única empresa divulgou em abril/2012 investimento na ordem de 1,2 bilhão – e da produção minero-química – a gigante Vale, realizou em 2010 a compra de uma grande mineradora da cidade e tem anunciado juntamente com outras empresas do ramo, significativa ampliação da produção – sem ignorar o agronegócio que através da DuPont Pioneer instalou em novembro/2012 uma de suas maiores unidades produtoras de sementes no mundo, notícias que deixam claro que o ciclo de pujança econômica de Catalão, continua em franco progresso. No entanto, pode parecer contraditório, mas essa é uma situação preocupante para a sociedade local, frente a diferentes impactos sociais e ambientais que visivelmente são percebidos na cidade.

Ao longo da última década é inquestionável o crescimento econômico e populacional de Catalão. O município sofreu transformações profundas, principalmente diante da instalação/consolidação de duas montadoras (Mitsubishi e John Deer) e da ampliação da produção mineral, atualmente concentrado 9,33% de toda produção goiana, representando a 3ª maior partição do estado, com destaque para o Nióbio e o Fosfato (DNPM/2010), situação que conferiu ao município importantes “títulos”, “5ª maior economia do estado de Goiás (atingindo a sua melhor posição em 2005, ficando atrás apenas de Goiânia e Anápolis)”, “melhor índice de qualidade de vida no estado de Goiás segundo a FIRJAN” – segundo edição da pesquisa publicada em 2008, com dados do ano base 2005. Contudo, na última edição, de forma surpreendente caiu para a 31ª posição – “3º maior parque industrial do estado de Goiás” (SEPLAN/GO/2011), entre outros indicadores econômicos que atualmente causam inveja a qualquer cidade brasileira.

Todavia, o “outro lado da moeda” – os aspectos socioambientais – não tem recebido o mesmo destaque pelos diferentes veículos de imprensa, situação similar à posição dos gestores públicos, sobretudo, dos órgãos que tem a finalidade de garantir o cumprimento dos mecanismos de controle ambiental, bem como da qualidade de vida da sociedade e de forma especial dos trabalhadores das empresas instaladas no município (doenças/lesões associadas às atividades profissionais vem constituindo-se em questão crítica na cidade).

Entre outros problemas socioambientais existentes em Catalão destaca-se a poluição atmosférica que tem causado relevantes prejuízos a saúde da população, principalmente das crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. O caso é tão grave que é comumente relatado pela população em geral, “um estranho odor no ar” em praticamente toda a cidade, cuja a(s) fonte(s) emissora(s) possivelmente, está relacionado as atividades minero-químicas. Após inúmeras manifestações, abaixo-assinados, denúncias em diferentes órgãos, entre outras ações populares, o Ministério Público goiano está promovendo um processo de investigação.

A especulação imobiliária é outro grande problema já que o mercado imobiliário encontra-se aquecido, com investimentos vultosos. Para se ter uma ideia, apenas nos últimos dois anos foram lançados aproximadamente 15 loteamentos. Todo esse processo tem sido realizado de “forma nebulosa” e no atropelo da lei. Uma grande evidência de tal fato, foi a modificação no Plano Diretor do município, no qual sem qualquer debate com a sociedade ou realização de estudos técnicos, aprovou-se a ampliação do Perímetro Urbano em tempo recorde – menos de duas semanas – conforme Lei Municipal n° 2.821/11, motivando a proposição de Ação Civil Pública em outubro/2012 pelo MP/GO . A questão imobiliária tem provocado fortes impactos na economia local, diante da grande valorização de terrenos/imóveis e no custo dos aluguéis que tem sacrificado principalmente as famílias com baixo poder aquisitivo. Sem ignorar ainda os prejuízos sobre a degradação das áreas verdes que são incorporadas e no caos que tem se transformado a organização urbana do município.

Diante da exposição, salienta-se que é inegável os benefícios gerados para os “índices econômicos” do município, no entanto, o preço pago por esse modelo de desenvolvimento, no mínimo deve provocar algumas reflexões frente os nítidos e graves problemas ambientais e sociais já existentes e os anunciados para um futuro próximo em Catalão.


1 de fevereiro de 2013

Estatal goiana é cabide de empregos


Essa está no blog da Fabiana Pulcineli, de O Popular. Fala da estatal Celg Telecom, braço da Celg para lidar com a transmissão de dados. Criada em  2011 até hoje não saiu do papel, mas possui diretores ganhando 15 mil reais por mês e gasta a maior parte do aporte financeiro recebido do estado para pagar o salários dos diretores e consultorias. Revolta ver como o nosso dinheiro é "investido" pelo Governo do Estado, e depois do apagão de quarta-feira em Catalão, causado pela ausência de investimento da Celg na rede elétrica de nossa cidade, me senti na obrigação de compartilhar aqui:



Estatal sem atividade abriga aliados do Governo


Criada há quatro anos, mas ainda sem atividade, a Celg Telecom é comandada por um trio de indicações políticas que não conseguiu cumprir a missão de tirá-la do papel. 

As nomeações foram em setembro, mas só agora publicadas no Diário Oficial do Estado. O motivo oficial: falta de dinheiro para pagar os anúncios. Sem faturamento, a empresa precisa de aportes do Estado para quitar despesas administrativas.

A nova diretoria, indicada pelo governo estadual, tem como presidente Pedro de Moraes Jardim, ex-superintentende do Tesouro Estadual da Secretaria da Fazenda. O diretor técnico e comercial é o presidente estadual do PSDB, Paulo de Jesus. E Jayme de Oliveira Júnior responde pela diretoria administrativa e financeira.

O salário dos diretores, reajustado um mês depois que assumiram, é de R$ 15 mil.

Na assembleia do Conselho de Administração que aprovou as nomeações, o conselheiro indicado pelos acionistas minoritários e funcionário de carreira da Celg D, Pettersonn Gomes Caparrosa Silva, solicitou que os indicados se apresentassem. Depois dos discursos, falou da seriedade dos cargos e "arguiu não haver dentre os membros indicados nenhum com formação acadêmica compatível com a área de telecomunicação" - segundo texto da ata.

"Destarte as considerações explanadas, os conselheiros reconheceram não haver nada obstante ao grau de conhecimento da matéria pertinente e aprovaram por unanimidade as indicações", segue a ata.

Com prejuízo líquido de R$ 733 mil no balanço de 2011, a Celg Telecom recebeu aporte de R$ 1 milhão do Estado, a pedido da nova diretoria, para pagar salários de conselheiros e diretores, além de outras despesas administrativas. "Pagamos salários atrasados de quase dois anos. O gasto hoje é de R$ 400 mil. Quando acabar, o Estado entra com mais", diz Paulo de Jesus.

A estatal funciona em uma pequena sala na Secretaria de Infraestrutura, no 4º andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. 

A Celg Telecom tem um acerto para contrato de cessão de uso de redes de fibra óptica (617 quilômetros) da Celg D, mas que ainda não foi oficializado nem validado pela Aneel. O objetivo é prestar serviços de transmissão de dados, voz e imagem, via rede elétrica. Segundo especialistas, a empresa tem potencial grande de mercado.

"Estamos de stand by aguardando a Celg D fechar a autorização. Pedimos seis meses para estruturar a empresa. Se ela não se viabilizar, não tem sentido continuarmos lá", diz Paulo de Jesus.

O presidente do PSDB afirma que concorda com a cobrança do conselheiro Petterson, mas que o momento é mais de ação política do que técnica. "Precisamos ter força para buscar avanços nesse acordo com a Celg. Depois disso, vamos investir em suporte técnico", justifica.

"Nós inclusive estamos cogitando a possibilidade de eu assumir a diretoria financeira e abrir espaço para um engenheiro da área na diretoria técnica", diz Paulo de Jesus, que é advogado e saiu da Superintendência de Articulação Política da Secretaria de Articulação Institucional para ir para a estatal.

Jayme Oliveira, administrador de empresa e ligado ao deputado Helder Valin (PSDB), deve sair da Celg Telecom para assumir a diretoria financeira da Assembleia Legislativa, que será presidida pelo tucano. Valin confirma o convite e diz tratar-se de um "bom técnico". Jayme foi também assessor da presidência da Celg D na gestão do vice-governador José Eliton (DEM).

O blog não conseguiu falar com Pedro Jardim nem na Celg Telecom nem no celular. A secretária que atendeu na estatal disse que estava no local apenas Jayme Oliveira, que não quis falar e sugeriu que a reportagem voltasse a ligar dois dias depois para falar com o presidente. Pedro Jardim é engenheiro agrônomo e ocupou funções na antiga Telegoiás e na Brasil Telecom, além de outros cargos no governo.

No segundo mês de governo, em 2011, o govenador Marconi Perillo (PSDB) recebeu do então secretário de Infraestrutura Wilder Morais (DEM), hoje senador, projeto de reestruturação da Celg Telecom com previsão de 120 dias. À época, Wilder criticou a falta de engajamento do governo anterior para colocar a empresa em funcionamento.


31 de janeiro de 2013

A Lei Seca endureceu, e daí?


Enfim, tolerância zero, em forma de lei, para a combinação álcool e direção, desde ontem, quarta-feira, 30 de janeiro de 2013. O CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito), definiu quais sinais deverão ser avaliados pelos agentes de trânsito para confirmar a embriaguez de um motorista.

A partir de agora, se o bafômetro marcar 0,05 miligrama de álcool por litro de ar ou mais é infração gravíssima, multa de quase R$ 2 mil e habilitação suspensa por um ano. Se for igual ou superior a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar, é crime. Além da multa, o motorista pode pegar de seis meses a três anos de prisão. No exame de sangue, o motorista será multado por qualquer concentração de álcool, e pode ser preso se tiver mais que seis decigramas de álcool por litro de sangue. Tornou-se mais viável também a fiscalização depois que a embriaguez passou a poder ser comprovada por outras formas além do teste do bafômetro, que a maioria dos alcoolizados se recusa a fazer, amparados pelo pressuposto legal de que o sujeito não é obrigado a produzir provas contra si mesmo.

O Governo Federal diz que, na prática, é tolerância zero mesmo para quem beber e dirigir e que o clamor da sociedade foi finalmente ouvido, que a tolerância zero veio realmente para valer e que os criminosos ao volante serão efetivamente punidos com todo o rigor que a legislação prevê... a questão é: dá para acreditar?

Nós temos uma das legislações mais rígidas no que se refere a crimes de trânsito, incluindo aí penas restritivas de liberdade e do direito de dirigir, mas o que mais vemos é o completo desrespeito a essas leis e a impunidade dos envolvidos em acidentes causados pela mistura álcool e direção. Quando a Lei Seca foi promulgada foi anunciado com estardalhaço o fim das baladas irresponsáveis e da impunidade, já que a lei estava se tornando extremamente rígida. O resultado foram blitzes frequentes nos primeiros dias da nova lei em vigor e a diminuição inicial do número de motoristas bêbados para depois tudo voltar ao que era antes. E agora, faltando dez dias para o carnaval, o Governo quer que acreditemos que a era da impunidade no trânsito acabou, e tudo em uma canetada só, que maravilha!

A Lei Seca, assim como tantas outras, infelizmente já nasceu morta, justamente por falta de fiscalização e da posterior punição do criminoso. De nada adianta aplicar multas pesadas em quem tem condições para pagar ou ameaçar de prisão quem sabe que não vai ficar preso (os filhos do Eike Batista sentiram o pagamento das multas ou ficaram presos? E o o Alexandre Pires?). Essa lei, assim como tantas outras, será discutida judicialmente caso a caso e só vão sofrer os efeitos totais dela aqueles que não tiverem os recursos financeiros para recorrer ou os padrinhos políticos para ajudar. Para os demais pode até funcionar, mas aí já não é nenhuma novidade (o pobre sendo punido e o rico não é quase como a lei da gravidade), o que precisa melhorar é a conscientização dos motoristas, o que só vem através da educação, mas isso é um processo demorado e mais caro que criar factoides com uma canetada, além de abrir os olhos da população para outras coisas, outras leis que não funcionam e manobras econômicas para maquiar a inflação, mas isso já é outra história...

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30 de janeiro de 2013

Divulgando...


O Departamento Editorial (Depecac) do Câmpus Catalão (CAC) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Companhia das Letras convidam para o lançamento do livro "Herança de sangue - um faroeste brasileiro", do autor Ivan Sant'anna, que será realizado nesta quarta-feira, 30, às 19 horas no auditório professora Sirlene Duarte, nas dependências do câmpus. A entrada é franca e o evento será aberto com a mesa redonda "Herança de sangue: diálogo entre história e ficção". 
Em seguida, às 20h30, será realizado no subsolo da Biblioteca a sessão de autógrafos e atendimento à imprensa. Neste caso se faz necessária a retirada do convite no Departamento Editorial do câmpus, situado no prédio de anexos da universidade. Informações adicionais pelo telefone (64) 3441-5351.
O livro é um relato de lances cinematográficos de luta, crime, ódio, paixão, selvageria e crueldade, onde Ivan Sant'anna reconstitui a saga de Catalão, tido como o lugar mais perigoso do Brasil até a primeira metade do século XX.

29 de janeiro de 2013

A batida do Rodrigão



Acidentes acontecem. Pode ser com qualquer um, a qualquer momento, de forma inesperada e imprevista, daí porque é chamado de "acidente". Até o ocorrido em Santa Maria foi um acidente, mesmo que agravado por vários fatores, pois não foi algo previsto e esperado pelos donos da boate. E em Catalão também ocorrem acidentes diariamente e no nosso caso a possibilidade de ser um acidente de trânsito é enorme, pois temos muitos veículos, nossa ruas são apertadas, os condutores não respeitam a sinalização e a chuva contribui para agravar os fatores de risco. Por tudo isso o acidente de trânsito ocorrido no sábado com o Vice-prefeito Rodrigão não é nada de anormal, poderia ter acontecido com qualquer um. Seria um assunto para ser rapidamente esquecido, só que não, e por culpa única e exclusiva do próprio Rodrigão.

Um acontecimento corriqueiro e pequeno como esse, mesmo sendo com o Vice-prefeito e este abandonando o local do acidente e a posterior divulgação do fato no Facebook, seria algo facilmente esclarecido com uma Nota Oficial elaborada pela competente Secretaria de Comunicação da atual gestão, mas a ânsia em se manter em destaque, mais a necessidade de atacar os antecessores, levaram a atrapalhada entrevista coletiva, onde em menos de 20 minutos Rodrigão se contradisse inúmeras vezes e não explicou nada: começou dizendo que não estava bêbado, não bebeu naquele dia, se bebeu não se lembra e se bebeu foi apenas um pouco, mais cedo, em companhia do Luiz Cláudio, do Blog da Verdade; que não bebe, mas tem uma garrafa de pinga em sua sala para servir aos funcionários da Secretaria (eles podem beber); que a repercussão do fato é por causa da inveja dos PMDBistas, que tem ciúme do tanto que ele trabalha, já que em 25 dias fez mais do que todas as gestões anteriores nos últimos 12 anos (incluindo o Cesar da PC, que ocupou o cargo por 18 meses); que roda muito, porque Secretário tem que conhecer os limites do município (curiosamente é nessa gestão que tem mais assessores de fora em toda a história de Catalão, mas tudo bem); que estava voltando da Custódia e resolveu checar se o terminal de coletivos havia sido levado pela chuva (oi?); que não corria, mas não teve tempo de colocar o cinto de segurança (a segurança do passageiro é feita por sua mão), de frear ou mesmo de desviar do carro; que só foi embora porque precisava levar sua assessora ao Pronto Socorro, machucada no supercílio que sangrava, depois disse que era um hematoma (e hematoma não sangra); que não tem raiva do rapaz que divulgou o acidente no Facebook e torce pelo seu sucesso, mas disse que se ele montar uma fábrica de toco os meninos vão nascer sem cabeça, porque é muito ruim e sem sorte... enfim, falou muito, mas não disse nada.

Rodrigão é a figura de destaque desse início de mandato e o provável candidato a deputado estadual do PSDB no lugar de Jardel Sebba. Sob sua responsabilidade ficou a Secretaria que mais aparece e a principal ação da prefeitura até o momento (o "Recupera Catalão"), vai às rádios quase todo dia, tem presença constante no Facebook e se tornou diretor do CRAC, tudo para se manter sob os holofotes. Mas a exposição maciça tem também o seu lado negativo, já que os erros ficam mais presentes na memória da população do que os acertos. Dono de uma biografia política singular Rodrigão tem tudo para se tornar um dos maiores destaques do PSDB goiano em um futuro próximo, se conseguir conter a vontade de aparecer, parar com as declarações bombásticas (ótimas para provocar risadas, mas cansam) e mostrar serviço de verdade. O "Recupera Catalão" deveria se chamar "Recupera AVENIDAS Catalão", pois até o momento só as ruas principais de cada bairro foram atingidas pela poda e pelo tapa-buraco (com o asfalto à prova de chuva que saiu na primeira chuva, os moradores do Castelo Branco que o digam). Pintar a cidade de azul também não acrescentou nada na vida de ninguém e ser diretor do CRAC serve para o quê mesmo?

Os próximo dois anos serão fundamentais para consolidar a história política de Rodrigão e pavimentar o seu caminho para a Assembleia Legislativa, mas apenas se ele conseguir se cercar de pessoas que queiram contribuir com o seu crescimento político e não só de bajuladores sem coragem de apontar seus equívocos. Caso contrário vai passar para a história apenas como o Vice-prefeito Secretário do asfalto a prova de chuvas e do Vereador que queria transmitir os velórios pela internet, compartilhando e curtindo pelo Facebook.


Post do Facebook sobre o acidente de Rodrigão no sábado

28 de janeiro de 2013

Tragédia Nacional em Santa Maria


A gente já se acostumou a ver tragédias no começo do ano, em sua maioria causada pelas chuvas. Este ano parecia que tinhamos escapado de presenciar tragédias no começo do ano, Janeiro já estava acabando e as encostas do Rio e de São Paulo, se não estavam firmes, ao menos não deslizaram em cima de tanta gente como até então vinha ocorrendo anualmente. Mas eis que o destino é caprichoso e providenciou uma tragédia capaz de chocar muito mais do que o deslizamento das encostas. A população brasileira acompanha, com angustia e aflição, o trágico o acontecimento corrido no Rio Grande do Sul, que custou a vida de mais de 240 pessoas, a maioria jovens estudantes da Universidade Federal de Santa Maria. 

O acidente feriu todos os brasileiros e despertou o apelo por uma corrente nacional de solidariedade às famílias das vítimas. Povo tradicionalmente solidário, os goianos compartilham a dor e o sofrimento dos gaúchos, lembrando que a Universidade Federal de Santa Maria é como uma irmã gêmea da Universidade Federal de Goiás (UFG), pois ambas foram criadas em um mesmo ato, pelo presidente Juscelino Kubitschek, no final de 1960.

A tragédia chama a atenção também para descuidos e imprevidências que costumam acontecer no Brasil. Pelas informações apuradas até agora, a casa noturna em que houve o incêndio estava vulnerável em face desse risco de acidente e não dispunha de saída de emergência, além de existir denúncias da atuação ridícula dos seguranças ao não permitirem a saída das pessoas, sob justificativa de pagamento de comanda.

É duro de admitir, mas o fato é que as normas para a autorização de funcionamento de casas noturnas são frouxas e carecem de fiscalização rigorosa. A ausência de respeito às normas pode provocar tragédias e o resultado é só dor e sofrimento às famílias atingidas e que no caso de Santa Maria vão demorar muito tempo para se recuperar.
 
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