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Pensamentos aleatórios

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23 de junho de 2016

O ataque ao Cláudio Lima não pode ser politizado, mas isso tem que valer para os dois lados

Acabei de assistir ao pronunciamento do deputado Gustavo Sebba, em que ele repudia de forma veemente o ataque ao radialista Cláudio Lima, inclusive cobrando de forma pública a apuração dos fatos. 

Recomendo que assistam. Foi um pronunciamento coerente e lúcido, mostrando a maturidade e o preparo do jovem deputado para usar a tribuna. Ao final Gustavo criticou o fato de algumas pessoas quererem tirar proveito político do incidente sem sequer aguardar a apuração dos fatos ou se preocupar com a recuperação do agredido. Essa posição do deputado também é coerente e merece louvor, mas tem que valer para os dois lados hegemônicos da política local e não só para a oposição, pois o que se viu na noite de segunda e no dia seguinte foi um show de desinformação, de tentativa de desqualificar a agressão e de transformar o agredido em vilão, tudo protagonizado por pessoas ligadas a atual gestão municipal.

Mal começaram a circular as imagens do Cláudio, todo machucado e ensanguentado, no WhatsApp e o primeiro blog a noticiar o ocorrido foi o Diante do Fato, com conhecida ligação ao prefeito Jardel, que soltou a seguinte matéria:


"Afirmou ter sido agredido"? "Versão do radialista"? "A agressão NÃO tem ligação com política"? Esse tipo de cobertura não é nada além de uma forma de politizar o fato: as afirmações levantam suspeição sobre o agredido, numa clara tentativa de desacreditá-lo; não havia como saber o motivo da agressão, se política ou não, mas mesmo assim o blogueiro fez um juízo do fato; diz a matéria que o radialista não sofreu nenhum ferimento grave, mas mesmo assim foi transferido para outra unidade de saúde, por quê?

Mas isso é pouco. No WhatsApp os comentários eram absurdos e no dia seguinte as barbaridades começaram pra valer com o maciço compartilhamento de banners no Facebook, induzindo o internauta a crer que a agressão ao radialista seria um factoide dele mesmo com o intuito de criar simpatia no eleitorado:
 


Se isso não é querer tirar proveito político da situação não sei o que poderia ser, mas não receberam nenhum crítica ou nota de repúdio, nem do deputado Gustavo ou do prefeito Jardel.

O fato é que uma pessoa foi brutal e covardemente agredida, e isso ninguém discute mais. O que não podemos admitir é que os discursos de repúdio sejam somente discursos e não ações efetivas para inibir a propagação da violência. Catalão não pode voltar a ser a cidade violenta do final do Século XIX e início do Século XX, em que os partidos Papo-Roxo e Papo-Amarelo (que recebiam a alcunha de acordo com a cor das coronhas das carabinas que usavam),  se revezavam no poder através da barganha dos votos, da intimidação dos eleitores e da violência.

Que esse episódio com o Cláudio sirva para que os líderes políticos acalmem os ânimos de seus comandados e possamos ter um verdadeiro debate de ideias e não de mentiras, acusações, difamações e agressões que vêm se tornando frequente nos últimos anos. O contrário disso é muito ruim e estaremos fadados a testemunhar mortes na política este ano e isso é que não pode passar de forma alguma.

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28 de janeiro de 2016

Falta de memória ou deboche? O vídeo em que Jardel mente descaradamente à população de Catalão

Para quem ainda não viu, segue trecho do vídeo em que o prefeito de Catalão, Jardel Sebba, perde a vergonha na cara e mente descaradamente à população da cidade:


Sério mesmo: assumiu a prefeitura ENDIVIDADA, a cidade ESBURACADA e os SALÁRIOS ATRASADOS?!

Tenha dó dos ouvidos e da memória do povo, prefeito.

Velomar não foi o melhor prefeito do mundo, mas lhe entregou a Prefeitura sem nenhuma dívida, com dinheiro em caixa e salários em dia, mais 644 apartamentos do "Minha Casa Minha Vida" e 30 milhões de reais captados no PAC do Governo Federal para ampliação da rede de esgoto, esses dois últimos inaugurados na sua gestão como se fossem realizações exclusivamente suas.

Quem endividou a Prefeitura foi o senhor, através de empréstimos milionários e o não pagamento de fornecedores locais, levando a Prefeitura a ser protestada em cerca 12 milhões de reais, algo inédito na história da cidade.


Quem esburacou a cidade também foi o senhor, pois no início do mandato (2013) não havia reclamações de buraqueira como hoje, ou seja, resultado do trabalho de conservação feito no ano anterior, algo que o senhor não conseguiu fazer desde então. Daí não consegue tapar os buracos e joga a responsabilidade por sua incompetência em um suposto desvio de dinheiro feito há quase oito anos atrás, apurado por uma operação policial que não rendeu nada além do factoide, que, se ocorreu mesmo, teria surrupiado 10 milhões de reais dos cofres públicos, o mesmo valor gasto por sua gestão em propaganda nos últimos três anos e ínfimo perto da arrecadação total nesse mesmo período.



Ao final o senhor diz que AGORA as finanças estão saneadas, mas o que a população vê e sente não é isso. As grandes obras se resumem a maquiagens em espaços públicos já existentes (pintando tudo de azul) e serviços básicos (poda de árvores e pintura de meio fios com cal). Não há sinalização horizontal de trânsito nas poucas vias recapeadas, ainda faltam remédios na farmácia municipal, ainda existem fornecedores sem receber da Prefeitura (sem mencionar a Corpus e a Samma que tomaram um calote judicializado), a troca de lâmpadas queimadas praticamente inexiste além do parcelamento da dívida com a CELG e o pagamento dos empréstimos de 36 milhões e 20 milhões de reais, que serão responsabilidade dos próximos dois prefeitos, algo que jamais havia ocorrido e impensável para uma cidade com arrecadação de 30 milhões por mês. Sanear as finanças é parcelar contas pra outro pagar?

 

O senhor acreditar nisso não tem problema, afinal cada um acredita no que quer, mas achar que a população não tem memória ou é obrigada a engolir qualquer falácia sem reclamar aí já é demais. 

 
De duas uma: ou é deboche ou então é caso de internação!

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26 de maio de 2015

É hoje: dia de muito trabalho na Câmara de Vereadores de Catalão

Assessores e vereadores se movimentam para um intenso dia de trabalho e debates em volta da instalação de Comissões Especiais de Inquérito, que visam, é claro, o bem do povo:


Uma pena que debater a falta de ambulâncias, o aumento da violência, as mortes no trânsito, a possibilidade de falta de água e outros problemas cotidianos é menos importante que a criação de cortinas de fumaça para desviar o foco da caótica gestão municipal ou criar factoides que visam apenas desgastar adversários políticos (resultados concretos nenhuma delas irá produzir, sabemos).
 
E a população, que paga toda essa farra e assiste impotente esse espetáculo deprimente, assim se sente:


E o deboche reina na Nova Catalão: seja no Executivo ou no Legislativo, o que importa é fazer o eleitor de palhaço!

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27 de abril de 2015

Catalão (2013/2016): Uma gestão comprometida com obras e programas duradouros


Esse post vai para aqueles que acham que eu só critico o prefeito e não enxergo as coisas boas que ele faz em Catalão.

Para provar que não sou uma viúva ressentida, mas sim um cidadão crítico que aponta equívocos, mas também reconhece quando está errado, relaciono a seguir algumas obras e programas feitos na atual gestão da Prefeitura de Catalão, todos anunciados com o estardalhaço e foguetório característico, e o tempo de duração de cada uma:
Recupera Catalão: Início do mandato (2013). O objetivo era limpar a cidade de todo matagal e lixo. Durou 90 dias, depois foi renovado por mais 90, custou mais de 1 milhão de reais (em contratos terceirizados e aluguel de máquinas) e os único resultados práticos foram uma foto do Jardel com uma enxada e a demissão do Rodrigão, acusado pelos ex-aliados tucanos de desviar recursos do Recupera.
Horário do Trabalhador: Fevereiro de 2013. Farmácia Municipal e Centro de Pediatria passaram a atender até as 22 horas. Ótimo, pena que não haviam remédios na Farmácia e nem horários para atendimento no Centro de Pediatria.
Reforma do Ginásio Internacional: Anunciada em julho de 2013, iniciada em março de 2014, paralisada em junho, retomada em setembro e novamente paralisada (de vez) em outubro. Obra em parceria com a AGETOP que atingiu o objetivo de colocar placas de propaganda e que será retomada este ano, custando os mesmos 3 milhões de 2014, mas só após o período chuvoso.
 
Gustavo Sebba atendendo em Santo Antônio do Rio Verde: Com o objetivo de turbinar o currículo médico (e dar votos) ao inexperiente estudante de Medicina a ação atingiu seu intento nos 4 meses em que durou (de agosto a dezembro de 2013).

Operação Buraco Zero: Iniciado em janeiro de 2014, com o objetivo de zerar os buracos na cidade. Durou 180 dias e os resultados são sentidos até hoje pelos veículos dos catalanos.
Centro de Especialidades "Dr. Eduardo Caixeta": Inaugurado em fevereiro de 2014 com o objetivo de oferecer atendimento médico especializado à população. Funcionou durante 9 meses (de abril a dezembro) e foi desativado. O prédio onde funcionava (alugado) foi demolido e nem se fala mais nessa "grande obra" que levou o nome de um importante cidadão catalano que agora não tem nenhuma homenagem em seu nome.
Rodovida Urbano: Início em março de 2014. Programa fruto de uma parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado (AGETOP) que custou 6 milhões de reais (3 milhões da Prefeitura e 3 milhões da AGETOP), com o objetivo de asfaltar "100 km lineares de ruas da cidade". Parou no meio do objetivo, pois a AGETOP não entrou com sua parte do recurso e promete voltar este ano, com os mesmos 3 milhões do ano passado, assim que passar o período chuvoso.

Lixeiras Meclix: Inauguradas em maio de 2014 funcionaram até janeiro de 2015, ou seja, 9 meses.

Aeroporto de Catalão: Finalmente inaugurado em junho de 2014, após 4 anos de reformas, até hoje não opera voos regulares por falta de mobiliário, instalações elétricas e abastecimento de água.

Cartão Vale Mais Catalão: Cartão magnético no valor de 100 reais mensais, idealizado para substituir as cestas básicas distribuídas para funcionários da Prefeitura. Lançado em dezembro de 2014, implantando em janeiro de 2015 e substituído por cestas básicas em março deste ano. Não durou nem três meses.

Fossas no residencial Maria Amélia: Após nove meses de terminada a construção dos apartamentos do programa "Minha Casa Minha Vida" (março 2014) no bairro Maria Amélia, a Prefeitura lembrou que não existia rede de esgoto no local e providenciou a construção de fossas coletivas para possibilitar a entrega das unidades aos contemplados. Tal entrega foi feita em 26 de março deste ano e as fossas entupiram e começaram a vazar no dia 15 de abril, ou seja, uma obra que durou menos de  15 dias. 

Escola Integral Cristina de Cássia Rodovalho: Inaugurada em abril de 2015 (após o início do período letivo) e funcionando em um prédio alugado. Pode-se prever que o destino da escola será o mesmo do Centro de Especialidades, ou seja, vai funcionar entre dez meses e um ano e meio.

131% de aumento do repasse para Santa Casa: Maior feito na Saúde de 2013 até então, pena que só durou até setembro de 2014, suspensos sem justificativa pela Prefeitura. Depois disso os atrasos foram constantes, os médicos da instituição fizeram greve para assegurar a regularização dos repasses e o Ministério Público teve que bloquear contas bancárias da Prefeitura para garantir o pagamento dos hospitais particulares conveniados (Nars Faiad e São Nicolau).

UPA: Anunciada em fevereiro de 2013, com início das obras em agosto do mesmo ano, paralisada (por falta de pagamento à empreiteira) em setembro de 2014, retomada em março de 2015, prevista para inaugurar em abril deste ano (já foi) e jogada para agosto. É a principal aposta da gestão, junto com as UBSs, para melhorar os índices de popularidade do prefeito, mas pelo retrospecto (inaugura, mas não funciona) dificilmente surtirá o efeito desejado.
E é assim que atual gestão do município de Catalão se comporta: anuncia, inaugura, solta foguetes, tira fotos, coloca na internet e divulga aos quatro ventos suas inúmeras obras e realizações. Se vão funcionar ou durar não é problema do prefeito, afinal gestão pública é feita de propaganda e disso a gestão Jardel vai muito bem.



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14 de abril de 2015

Tome cuidado, dona Cleuzadir


Semana passada foi veiculado pela mídia tucana de nossa cidade, com o habitual estardalhaço e replicação nos perfis do Facebook que recebem (ou não) para espalhar "notícias", a aprovação pela Câmara de Vereadores de Catalão (a legislatura mais submissa e improdutiva dos últimos 10 anos) de um projeto de lei do prefeito Jardel destinando 80 mil reais para a Fundação Espírita Nova Vida (FENOVA), que serão repassados em parcelas mensais até o final do ano, ou seja, 10 mil reais por mês que poderão ser usados pela fundação para suprir gastos com alimentação e pagamento de salários. Sem dúvida uma ótima notícia para a fundação, que há 26 anos presta um importante e reconhecido trabalho social na cidade de Catalão. Bom, SERIA uma ótima notícia, se pudéssemos acreditar com o cumprimento do que  gestão Jardel se compromete, mas pelo retrospecto das últimas parcerias deste tipo feitas pela atual gestão do município seria prudente à dona Cleuzadir Aires, competente e séria gestora da FENOVA, não fazer compromisso com esse dinheiro.

Explico: desde que assumiu a gestão do município Jardel aumentou significativamente os repasses para  entidades de utilidade pública, com destaque para o Pronto Socorro da Santa Casa, que teve seu repasse triplicado pela Prefeitura desde 2013, e as creches conveniadas ao município, que também receberam um bom aporte financeiro da prefeitura desde o início desta gestão. Ora, então qual é o problema, poderia estar se perguntando o leitor do blog? O problema é que Jardel aumenta o valor, mas NÃO REPASSA A VERBA, ou ao menos o faz com grande atraso, frequentemente colocando os conveniados em dificuldades financeiras (caso das creches) ou forçando funcionários e gestores a recorrer ao Ministério Público para receber os valores devidos, até mesmo recorrendo a suspensão dos serviços prestados (caso da Santa Casa). O detalhe nesses dois casos: ninguém procurou para pedir dinheiro, o prefeito concedeu de sua livre e espontânea vontade, mas se não tinha intenção de cumprir PRA QUÊ OFERECER? Só para posteriormente colocar os conveniados em dificuldades? Se essa última colocação é positiva, o que Jardel ganha com isso, afinal tal atitude só gera mídia negativa? Então qual é o raciocínio? É muito simples: aprova-se a verba, registra-se tudo em foto e vídeo, soltam-se os foguetes e tem-se mais um factoide para ser compartilhado e espalhado pelos zelosos defensores do Governo da Parceria. 

Se depois vierem dificuldades por conta do não cumprimento do compromisso joga-se a culpa na Ouro Negro, na diminuição da arrecadação, na Dilma (se bem que o Marconi pediu pra não falar mal dela) e, por fim, no gestor da entidade conveniada, que não deu conta de gerir os recursos repassados pelo município (caso da Santa Casa) ou não apresentou as certidões negativas necessárias (caso das creches), mas jamais será culpa do prefeito que irresponsavelmente propôs uma parceria que não daria conta de cumprir, isso não.

Pensando nisso sugeriria a dona Cleuzadir que antes de aceitar (e se comprometer com) esse dinheiro que procurasse a Dr.ª Elaine, da Santa Casa, o pastor Cornélio, da Creche Recanto Infantil, a Irmã Ângela, da Creche São Francisco, para saber como é a relação desses gestores com a prefeitura, se os repasses são feitos em dia, se há atrasos, se o prefeito é aberto a sugestões e reclamações e se compensa correr o risco e fazer compromisso com esse dinheiro, pois à prefeitura o que interessa é o factoide, e isso é conseguido na assinatura da lei, já o repasse vem depois e somente ao futuro pertence.

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7 de abril de 2015

As ideias são boas, já a execução...


Certa vez escrevi aqui no blog que a gestão Jardel tem boas ideias, mas peca na execução destas, seja por incompetência ou falta de vontade de quem deveria executá-las mesmo.

Um exemplo recente disso é o cartão "Vale Mais Catalão", lançado com toda pompa e circunstância (como tudo nessa gestão, até contêiner de lixo ganhou foguetório) e que foi anunciado como substituto da cesta básica oferecida até então pela Prefeitura aos servidores públicos que ganham salários menores.

Foi realmente uma ótima medida, que posteriormente seria estendida a todos os beneficiários atendidos pela Secretaria de Ação Social, o que acabaria com um antiquíssimo ciclo de humilhação a que eram submetidos os que recebiam as cestas, obrigados até mesmo a ser fotografados recebendo-as e tendo de posar com a Secretária e funcionários do órgão. Uma vergonha.

Pois bem, como tudo nessa gestão o cartão "Vale Mais Catalão" cumpriu seu papel: foi lançado, fotografado, filmado, produziu-se o factóide  e chegou a hora de acabar, dois meses depois de lançado. 

Hoje os servidores públicos municipais tiveram que passar o constrangimento de devolver compras na boca do caixa: o cartão "Vale Mais Catalão" não está valendo nem um sebazol derrancado. A distribuição das cestas já foi retomada (sem dúvida a Prefeitura vai divulgar isso com uma resposta rápida ao "problema"), mas com menos itens do que eram entregues anteriormente e que não totalizam o valor do cartão (100 reais).

Agora resta a dúvida: o cartão "Vale Mais Catalão" não deu certo por incompetência ou porque não era pra dar certo mesmo? Se for a segunda opção a definição disso é enganação, mas não sei o que é pior...

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15 de outubro de 2014

"Tática de 'Tropa de Elite 2' em Goiás" ou "Como usar a (in)Segurança Pública para ganhar votos"


Quem não se lembra do filme "Tropa de Elite 2"?! 

A fantástica narrativa de José Padilha que mostrou de forma ficcional como as milícias tomaram o lugar os traficantes no comando do crime no Rio de Janeiro agradou a muita gente, principalmente na parte em que o Capitão Nascimento (Wagner Moura) enche de porrada um político corrupto que para se manter no poder não queria nem saber das consequências de se aliar aos milicianos e de usar a Secretaria de Segurança Pública para angariar votos.

Outra cena exemplar desse filme é aquela em que a equipe da Secretaria desativa as escutas no Morro do Turano após o sucesso da operação para tomada do morro (posteriormente entregue ao controle das milícias), pois a intenção era agradar a opinião pública uma vez que a eleição para governo estava próxima, então não havia justificativa para manter as escutas, nem mesmo a morte do Capitão Mathias.

Hoje em Goiás estamos vendo a ficção se tornar realidade.

A onze dias da eleição para governo a Secretaria de Segurança Pública, com toda a pompa e circunstância, numa cacetada só, anunciou a elucidação de crimes bárbaros que vinham abalando Goiás desde o ano passado: a morte de moradores de rua e o assassinato de mulheres, ambos em Goiânia. 


Pode até ser verdade, que o mesmo assassino de mulheres seja quem vinha matando os moradores de rua e também que ele confessou todos os crimes, mas o que chama a atenção nesse caso é que a elucidação dos crimes se deu no mesmo dia em que Iris Rezende anunciaria em seu programa eleitoral suas propostas para a Segurança Pública, tema que vinha sendo bastante explorado até então, com grande desgaste para o governador Marconi, haja vista ser a área mais crítica de seu governo. 

E aí quando lembramos do "Tropa de Elite 2" ficamos desconfiados: será que essa "resolução mágica" não seria apenas um artifício para ganhar votos, tal qual fizeram os fictícios governador e secretário de segurança no filme? Mas se for assim, o que o sujeito, réu confesso dos crimes, ganharia com isso?

Uma pequena teoria da conspiração para explicar:
- O sujeito surge do nada e confessa os crimes que vinham abalando os goianos;
- Ele vai preso e ficará em cela especial, para não ser agredido pelos outros presos, é claro;
- Obrigatoriamente ficará lá mais ou menos um mês (tempo que a polícia vai levar para checar suas declarações e álibis);
- Nesse ínterim a Secretaria de Segurança Pública apresenta o sujeito para a sociedade. O Secretário reitera a determinação do governador para a apuração dos crimes, agradece a confiança e os investimentos dele, a população fica aliviada, a eleição passa e o governador é reeleito;
- O sujeito é solto, pois não encontram provas de suas alegações, ao final ele é processado por falsa declaração de crime e, quando muito, prestará serviços sociais como pena (tempos depois é empregado por uma empreiteira ou vem trabalhar na Prefeitura de Catalão e ninguém mais lembrará dele);
- O governador reeleito tem mais quatro anos para encontrar o real criminoso, ou então, como no filme, ignorar que o verdadeiro culpado está à solta e curtir seu mandato até a próxima eleição.

Quem viver verá. Ou não, basta votar no outro candidato e acabar com esse filme agora, pois filme repetido é muito sem graça.


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