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Pensamentos aleatórios

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1 de fevereiro de 2016

Uber vs Táxi

Compartilho matéria de O Popular sobre o teste comparativo feito pelo jornal dos serviços do Uber, que começou a operar sexta-feira em Goiânia, e do tradicional serviço de táxi da capital: 


Testamos o Uber... e o táxi
Dois repórteres pediram carros ao mesmo tempo por meio de aplicativos para smartphones
O polêmico aplicativo Uber começou a funcionar no início da tarde de ontem em Goiânia e a reportagem do POPULAR testou o serviço, que aqui é oferecido em sua modalidade mais barata, o UberX. Paralelamente, experimentou também o serviço de táxi da capital. Dois repórteres pediram carros ao mesmo tempo por meio de aplicativos para smartphones. Saíram do mesmo ponto, a Praça do Chafariz, com o mesmo destino: o Aeroporto de Goiânia. Abaixo, as impressões de cada um:
De Uber
De óculos escuros e terno preto, o motorista estaciona seu Hyundai HB20, pega o passageiro e parte para a quinta corrida em cerca de duas horas. Está empolgado. Conta que é formado em Direito, ex-professor e atualmente representante comercial, atividade que pretende manter paralelamente. Tem receio de uma possível reação violenta dos taxistas goianienses - “Retaliação vai acontecer, tenho que tomar cuidado” -, mas confia no apoio financeiro e jurídico que o Uber garante, segundo ele, aos “parceiros” (como são chamados os motoristas cadastrados). 
Tempo de espera: O Uber estimou o tempo de espera em 3 minutos, mas o veículo demorou cerca de 10. O motorista perdeu tempo até me localizar. Tentei enviar uma mensagem via aplicativo, sem sucesso. Acenei, ele avistou.
Trajeto: O aplicativo falhou em mostrar a melhor rota para o aeroporto. O motorista não soube explicar por quê. Optou, então, pelo caminho que sabia, percorrendo 12 km. Não perguntou se eu preferia outro.
Mimos: Havia balas variadas em recipientes nos bancos traseiros. Nada de água ou refrigerante. Segundo o motorista, isso é opcional no caso do UberX.
Comodidade: Carro novo e limpo; bancos de couro, som e ar-condicionado, que ficou ligado. O motorista escolheu a programação do rádio. Mais tarde avisou que eu poderia controlar o som com meu celular.
Relação com cliente: O motorista se mostrou cordial e receptivo e esteve sempre aberto a conversar. Estava empolgado com o início do trabalho com o Uber.
Preço: Apesar da falha ao sugerir a rota, o Uber calculou o valor do serviço: R$ 23. Estimativa via site mostrava que ficaria em R$ 18. O pagamento só pôde ser feito por cartão de crédito e o recibo chegou por e-mail.
Avaliação: Solicitado pelo Uber, dei 5 estrelas, valor máximo, pela qualidade do atendimento. No entanto, houve falhas do aplicativo. Por rota menos congestionada, o valor poderia ter ficado ainda mais baixo.
De táxi
O motorista tem seis anos de experiência como profissional, chega em seu VW Voyage, identificado conforme determina a Prefeitura. Não possui a permissão. É motorista auxiliar e paga 115 reais por dia ao proprietário do carro, que repassa 55 reais por mês à Prefeitura. Ele participou das reuniões sobre o Uber em Goiânia, deixou a documentação preparada para ativar o serviço, mas fez as contas e acha que ainda não compensa trocar o que considera certo pelo duvidoso. “Mas vou deixar tudo pronto; se estiver dando certo, é só emitir os documentos e começar”, diz.
Tempo de espera: Foram nove minutos entre o aceite da viagem e a espera pela chegada. O táxi parou em frente a uma drogaria e me ligou para saber onde estava, informei o posto de gasolina, ele deu a volta e a viagem começou.
Trajeto: A escolha foi do taxista, que percorreu 12,8 km, passando por Marginal Botafogo e Independência. Já na Marginal perguntou se esse era o caminho desejado e lembrou que havia opção pela BR-153.
Mimos: Fora a ligação para se certificar onde eu estava, nada foi oferecido durante o trajeto. O único “ganho” foi um papel de nota fiscal extra em branco, caso eu quisesse mudar os valores da viagem.
Comodidade: O som do carro esteve desligado o tempo todo; já o ar-condicionado, ligado. Em momento algum perguntou se eu queria mudar isto. O celular dele tocou, mas não atendeu, colocando apenas no mudo.
Relação com o cliente: Experiente, o motorista conhece a cidade e conversou sobre todos os assuntos, inclusive sobre a chegada do Uber, que ele acredita que não vai vingar em Goiânia. Mas, precavido, deixou sua ativação encaminhada.
Preço: O valor no taxímetro foi de R$ 37,90, mas a falta de moedas fez com que fosse cobrado R$ 38. Na chamada via aplicativo, tive a opção de pagar por cartão de crédito ou dinheiro, que foi a escolhida.
Avaliação: O aplicativo escolhido pela reportagem também oferece a opção de avaliação do motorista, que recebeu cinco estrelas, mas, a princípio, não há qualquer interferência na relação com o trabalho.

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17 de setembro de 2015

Fora Uber! E leve o Facebook e o WhatsApp junto

Por Matheus Pichonelli, na revista Carta Capital

Vou confessar uma coisa: acho uma grande sacanagem essa história de Uber. Não vou entrar no mérito sobre legalidade, ilegalidade, pirataria e regulamentação. Mas não me parece certo esse caminho, aparentemente sem volta, para uma vida facilitada pela internet e seus aplicativos. 

O Uber é um desses. Ele tira do cliente a experiência de caminhar até o ponto e negociar a corrida. Tira também o prazer de jogar roleta-russa enquanto levantamos as mãos no fio da calçada e experimentamos as delícias do acaso: ao volante pode estar alguém que nos ensine as propriedades do chá de carqueja ou alguém que relate em detalhes as frieiras no pé esquerdo. Pode estar também alguém com o atalho para tudo, inclusive para exterminar a bandidagem, a corrupção, o tédio dos domingos e a própria frieira. Um amigo jura ter encontrado, certa feita, um taxista com uma tese bastante bem fundamentada sobre a mobilidade urbana: que São Paulo só teria jeito quando a Teodoro começasse a descer e a Cardeal, a subir. 

Nada contra o Uber. Tenho até amigos que são usuários. O que não gosto é dessa ideia de adaptar a vida a partir das inovações tecnológicas. Elas são o problema.

Já não gostei quando começaram a oferecer o serviço em automóveis. Gostava mesmo era dos cavalos. Naquele tempo, sim, as coisas funcionavam: os taxistas criavam os equinos nos estábulos perto de casa. Podíamos acompanhar o desenvolvimento dos animais: a alimentação, o tratamento dos dentes, o ajuste da sela, a aplicação dos xampus para a crina. Não esses xampus comprados em qualquer farmácia, mas feitos em casa com babosa e amor. 

Quando os bichos estavam prontos, aí sim podíamos assobiar a eles, sentar na sela de trás e observar a frugalidade da paisagem enquanto o cavaleiro-taxista nos falava sobre as sacanagens da monarquia testemunhadas por outros clientes. Não fossem aqueles passeios, jamais saberíamos, por exemplo, que o filho de Dom Pedro I era o verdadeiro dono da Friboi. 

Mas eu confesso também: gostava do tempo do imperador e até hoje não me conformo com esse aplicativo chamado República. Naquele tempo não recebíamos convites, o tempo todo, para nos mobilizar em campanhas e petições pela causa A ou B. Nem textões de Facebook de pessoas jogando em nossa cara o desconforto com nossos privilégios. 

Ninguém precisava dizer “sou contra”, “sou a favor, mas veja bem”, sobretudo mulheres. Elas cuidavam de nossos filhos e nós trazíamos o javali ao fim do dia. E ninguém reclamava. Hoje querem até ser presidente. 

Maldita inclusão digital. 

Antes, o que o soberano decidia estava decidido. Não tinha essa necessidade boba de participar e dar pitaco sobre tudo. Sobrava-nos o resto do dia para escrever cartas, perfumar o papel, beijar a assinatura, colar o envelope, escolher a melhor roupa, o melhor chapéu, fazer a barba, chamar o táxi, montar no cavalo, viajar por dias até o posto dos Correios na capital, pagar o serviço com dinheiro, ser assaltado sem precisar lembrar a senha, voltar para casa e esperar a resposta do destinatário. 

Hoje em dia com um clique matamos todo esse procedimento. Podemos enviar mensagens sem precisar nos vestir – muitas vezes puxamos conversa sobretudo por NÃO estar com roupa alguma. 

Pense no tanto de trabalho eliminado desde que inventaram o botão “compartilhar”. Perderam o posto o lenhador, o sujeito que transformava madeira em papel, o fabricante de tinta, de caneta tinteira e da cola, o entregador de papel, o criador de cavalo, o cavaleiro...tudo com um clique. 

O resultado? O resultado é essa geração blasé que, em pleno almoço de família, pega o smartphone e mergulha num mundo paralelo de cristal líquido sem dar a mínima para os questionamentos educativos de pais, avós e tios sobre “e o vestibular?”, “tá estudando?”, “já tá rico?”, “e a namorada?”, “tá usando camisinha?”, “que brinquinho é esse?”, “seu amigo é meio esquisito, não?”, “e esse decote?”. Sem contar as conversar construtivas sobre as aleivosias da vida íntima da cunhada. Que não está à mesa. 

Pode parecer conversa de tiozão, mas essa geração do polegar está cada dia mais desconectada da realidade. Não sei o que vai ser do mundo se essa modinha de internet pegar.

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