Pensamentos aleatórios
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11 de janeiro de 2016
17 de dezembro de 2015
“Foi fazer a unha, Fabíola?” Não tem bonzinho no quebra pau no motel por traição*
As redes sociais se fartaram com a exposição do flagrante de adultério de uma bancária de Minas Gerais, pega saindo do motel com o melhor amigo do marido. É um cardápio saboroso para quem aprecia a desgraça alheia, afinal, trata-se de um enredo em que todo mundo tá errado: a Fabiola, o amante gordinho, o marido expondo os dois e o amigo cineasta.
O vídeo tem exposição demais, abuso e agressão contra a mulher. Nenhuma traição justifica o que esse cara fez. Fabíola errou ao trair o marido? Se na relação deles o acordo é de fidelidade mútua, sim. Ela também deu aquele álibi básico, "vou fazer a unha", mas acabou pega em flagrante bem longe do salão de beleza.
Mas o tal Leo, que era melhor amigo do marido dela e também casado, não foi para os Trending Topics. É como se, implicitamente, a traição dele fosse menor do que a dela. O cara é homem, então tudo bem. O erro dele, no caso, não foi trair a esposa. Foi trair o amigo.
Em momento algum, o marido traído parte pra cima do cara. Quebra o carro dele, mas não encosta um dedo no fulano que destruiu sua confiança e levou sua mulher para o motel. No Twitter, pouquíssimas pessoas se manifestaram sobre a atitude. Falaram muito mais do fato de o amante ser gordinho, como se naquele amigo gordo você pudesse confiar mais, afinal, quem vai querer transar com ele? Pois é... A história só ajuda a mostrar que o desejo de viver uma fantasia vai muito além do peso.
Tem também o sambangão que filmou o barraco e vazou o vídeo. O cara instiga o traído, expõe a mulher e age como um moleque, se divertindo com uma situação que não tem graça nenhuma.
Os seres humanos adultos perderam completamente a medida do que é público ou privado. Um marido traído dar um flagra no melhor amigo com sua mulher é um problema que deveria ser resolvido entre eles. Mais ninguém. Há famílias envolvidas. Filhos. Crianças. A ideia de se vingar expondo ao mundo o barraco é de uma estupidez sem limites. Saem todos prejudicados. Estamos diante de uma geração imatura, que desaprendeu a resolver os problemas sozinha. É preciso jogar a coisa toda no ventilador das redes sociais, virar meme, ganhar o mundo, como se isso resolvesse alguma coisa.
O resultado dessa história em que só há vilões será nefasto para todos eles. Fabíola, a esposa traidora, dificilmente terá a reputação recuperada. O marido traído será, pra sempre, o corno estressado. O gordinho traidor perdeu, numa tacada só, o amigo, a amante e a família. E o babaca que filmou e vazou pode ter um bom lugar reservado para ele na cadeia da cidade. Triste o mundo que precisa do drama alheio para se divertir.
*Por Débora Bresser, em seu blog.
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17 de setembro de 2015
Fora Uber! E leve o Facebook e o WhatsApp junto
Vou confessar uma coisa: acho uma grande sacanagem essa história de Uber. Não vou entrar no mérito sobre legalidade, ilegalidade, pirataria e regulamentação. Mas não me parece certo esse caminho, aparentemente sem volta, para uma vida facilitada pela internet e seus aplicativos.
O Uber é um desses. Ele tira do cliente a experiência de caminhar até o ponto e negociar a corrida. Tira também o prazer de jogar roleta-russa enquanto levantamos as mãos no fio da calçada e experimentamos as delícias do acaso: ao volante pode estar alguém que nos ensine as propriedades do chá de carqueja ou alguém que relate em detalhes as frieiras no pé esquerdo. Pode estar também alguém com o atalho para tudo, inclusive para exterminar a bandidagem, a corrupção, o tédio dos domingos e a própria frieira. Um amigo jura ter encontrado, certa feita, um taxista com uma tese bastante bem fundamentada sobre a mobilidade urbana: que São Paulo só teria jeito quando a Teodoro começasse a descer e a Cardeal, a subir.
Nada contra o Uber. Tenho até amigos que são usuários. O que não gosto é dessa ideia de adaptar a vida a partir das inovações tecnológicas. Elas são o problema.
Já não gostei quando começaram a oferecer o serviço em automóveis. Gostava mesmo era dos cavalos. Naquele tempo, sim, as coisas funcionavam: os taxistas criavam os equinos nos estábulos perto de casa. Podíamos acompanhar o desenvolvimento dos animais: a alimentação, o tratamento dos dentes, o ajuste da sela, a aplicação dos xampus para a crina. Não esses xampus comprados em qualquer farmácia, mas feitos em casa com babosa e amor.
Quando os bichos estavam prontos, aí sim podíamos assobiar a eles, sentar na sela de trás e observar a frugalidade da paisagem enquanto o cavaleiro-taxista nos falava sobre as sacanagens da monarquia testemunhadas por outros clientes. Não fossem aqueles passeios, jamais saberíamos, por exemplo, que o filho de Dom Pedro I era o verdadeiro dono da Friboi.
Mas eu confesso também: gostava do tempo do imperador e até hoje não me conformo com esse aplicativo chamado República. Naquele tempo não recebíamos convites, o tempo todo, para nos mobilizar em campanhas e petições pela causa A ou B. Nem textões de Facebook de pessoas jogando em nossa cara o desconforto com nossos privilégios.
Ninguém precisava dizer “sou contra”, “sou a favor, mas veja bem”, sobretudo mulheres. Elas cuidavam de nossos filhos e nós trazíamos o javali ao fim do dia. E ninguém reclamava. Hoje querem até ser presidente.
Maldita inclusão digital.
Antes, o que o soberano decidia estava decidido. Não tinha essa necessidade boba de participar e dar pitaco sobre tudo. Sobrava-nos o resto do dia para escrever cartas, perfumar o papel, beijar a assinatura, colar o envelope, escolher a melhor roupa, o melhor chapéu, fazer a barba, chamar o táxi, montar no cavalo, viajar por dias até o posto dos Correios na capital, pagar o serviço com dinheiro, ser assaltado sem precisar lembrar a senha, voltar para casa e esperar a resposta do destinatário.
Hoje em dia com um clique matamos todo esse procedimento. Podemos enviar mensagens sem precisar nos vestir – muitas vezes puxamos conversa sobretudo por NÃO estar com roupa alguma.
Pense no tanto de trabalho eliminado desde que inventaram o botão “compartilhar”. Perderam o posto o lenhador, o sujeito que transformava madeira em papel, o fabricante de tinta, de caneta tinteira e da cola, o entregador de papel, o criador de cavalo, o cavaleiro...tudo com um clique.
O resultado? O resultado é essa geração blasé que, em pleno almoço de família, pega o smartphone e mergulha num mundo paralelo de cristal líquido sem dar a mínima para os questionamentos educativos de pais, avós e tios sobre “e o vestibular?”, “tá estudando?”, “já tá rico?”, “e a namorada?”, “tá usando camisinha?”, “que brinquinho é esse?”, “seu amigo é meio esquisito, não?”, “e esse decote?”. Sem contar as conversar construtivas sobre as aleivosias da vida íntima da cunhada. Que não está à mesa.
Pode parecer conversa de tiozão, mas essa geração do polegar está cada dia mais desconectada da realidade. Não sei o que vai ser do mundo se essa modinha de internet pegar.
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3 de janeiro de 2014
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