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Pensamentos aleatórios

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14 de abril de 2016

Não existe almoço grátis... e nem vaga na Área Azul


A famosa frase “Não existe almoço grátis” (tradução de “Theres’s no free lunch”) é um ditado popular que expressa a ideia de ser impossível conseguir algo sem dar alguma coisa em troca. O “almoço grátis” remete a uma prática comum em bares americanos no século XIX de oferecer almoço grátis para os clientes que consumissem pelo menos uma bebida. “Ora, que generosidade!”, pensavam os comilões. Mal sabiam eles que os alimentos oferecidos no “almoço grátis” eram ricos em sal e, consequentemente, quem comia acabava comprando mais bebida e gastando mais dinheiro.

Assim, a expressão indica um reconhecimento de que uma pessoa (ou uma sociedade) não receberá algo sem oferecer alguma contrapartida. Portanto, mesmo se um produto (ou serviço) parece ser gratuito, há sempre um custo para o indivíduo ou para a coletividade, ainda que esse custo seja escondido ou distribuído.

Muitas vezes esquecemos disso e acabamos enaltecendo uma situação de suposta gratuidade, mas que na realidade estamos pagando, como é o caso da gratuidade das vagas para motocicletas no Estacionamento Rotativo, a Área Azul, na região central de Catalão.

Desde o começo da operação do sistema motos e carros pagavam pelo estacionamento, sendo o valor da hora das motos menor que o dos carros, mas de cobrança mais injusta, pois pela ausência da TAG (o aparelho que permite pagar o tempo fracionado) era cobrado dos veículos de duas rodas um tempo "fechado" de, no mínimo, meia hora. Ou seja, o pessoal que usava moto acabava pagando, proporcionalmente, mais do que os usuários que possuíam carro, pois estes tinham a TAG e pagavam exatamente o valor pelo tempo que usavam (após os 10 minutos de tolerância, é claro). Além de injusto com os motociclistas esse modelo de cobrança tinha a falha de só poder ser feito pelos monitores da Explora Parking que, na maioria das vezes, não eram encontrados pelos usuários, o que levava ao não pagamento do tempo e à consequente aplicação de multa, o que gerou bastante indignação e provocou uma reação do Poder Executivo que em resposta decretou a gratuidade das vagas para motos. Tudo muito bom e lindo, se não fosse uma propaganda enganosa.

Em primeiro lugar cobrar das motos era difícil. Os motociclistas chegavam e saíam rapidamente das vagas, sem dar tempo dos monitores os abordarem ou mesmo dos agentes de trânsito os autuarem. Além disso a maioria dos usuários do Estacionamento Rotativo ficavam menos de 10 minutos em cada vaga, ou seja, não pagavam. Quando se excediam os 10 minutos a cobrança começava a ser feita, mas de forma fracionada e cobrando exatamente pelo tempo usado (se ficou 11 minutos pagava 11 minutos, se ficou 12 minutos pegava pelos 12, e assim por diante). Isso era muito bom para o usuário, mas pouco rentável para a Explora Parking, que não conseguia cobrar das motos e recebia o mínimo dos carros, daí a solução encontrada foi dar gratuidade para o estacionamento das motos (já que não conseguiam cobrar delas) e colocar os carros para pagarem mais, de forma que quem excedia os 10 minutos de gratuidade passou a pagar não o tempo fracionado, como era, mas sim um mínimo de 30 minutos, ou seja, ficou 11 minutos paga meia hora, ficou 15 minutos paga meia hora, e assim por diante. A arrecadação da Explora Parking aumentou, o prefeito fez a alegria dos usuários motociclistas e quem pagou o pato foram os donos de carro, que agora pagam mais pelo mesmo tempo sem existir um aumento formal da tarifa. Nesse caso quem está pagando o almoço não é o Jardel, ele apenas empurrou a conta para os proprietários de carro.

E esta semana foi noticiado com muita alegria a aprovação, por unanimidade, pela Câmara de Vereadores de Catalão de um novo projeto do prefeito concedendo outra isenção de pagamento do Estacionamento Rotativo, agora das vagas reservadas para idosos e portadores de deficiência, o que além de ser uma medida puramente eleitoreira é uma afronta ao princípio da isonomia, pois concede isenção de pagamento sem necessidade de comprovação de incapacidade de pagamento ou renda mínima, o que seria o mais justo de ser feito.

Ao conceder gratuidade indiscriminada aos usuários acima de 60 anos o prefeito Jardel diz que qualquer pessoa nessa condição não precisa pagar para estacionar, o que é um equívoco, pois quem precisaria dessa isenção seria o usuário, de qualquer faixa etária, que não tivesse condições de pagar. Numa comparação simples: o sujeito que recebe salário mínimo e tem um fusca tem que pagar para estacionar na Área Azul, mas o Juarez Barbudo, presidente da Câmara de Vereadores, que tem dois salários, recebe mais de 13 mil reais por mês e anda de caminhonete zero não precisa pagar nada, pois tem mais de 60 anos. Mesma situação da isenção para o deficiente: o mesmo sujeito que ganha salário mínimo e vai ao centro toda semana tem que comprar uma TAG, que custa 50 reais, e paga para estacionar, mas a Vanja Paranhos, que é deficiente, mas também é Secretária Municipal, possui um salário de 11 mil reais e anda de carro do ano não paga nada... onde está a justeza dessa medida?

Como tudo nessa gestão essa é mais uma medida eleitoreira que foi aprovada sem ser devidamente analisada pela Câmara Municipal (nem mesmo pelos vereadores de oposição, sempre atentos e combativos), que irresponsavelmente será custeada pelo contribuinte já que nem o prefeito ou os vereadores pretendem arcar com os custos, pois fazer graça para os outros pagarem é mais barato e fácil... então adivinhem só do bolso de quem vai sair o pagamento do estacionamento do Juarez e da Vanja?

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28 de janeiro de 2015

Respondendo rápido, sem paixão e com a razão (1)

Como proposto no post de ontem, para dar início à série "Respondendo rápido, sem paixão e apenas com a razão", segue um dos cartazes que circulam no Facebook:


Respondendo rápido e sem paixão:
Catalão precisava sim das áreas azul e verde, tanto que a lei municipal estava aprovada desde 2008 e só não foi implantada antes por resistência dos comerciantes, MAS PRECISAVA SER TÃO CARO?!
A justificativa é a tecnologia usada, a mais moderna do país, mas o preço cobrado é maior do que nas outras praças onde a Explora Park opera (Andradina/SP - R$ 1,00 por hora; Apucarana/SC - R$1,40; Tubarão/SC - R$1,25), porque em Catalão é R$ 2,25?!

Como é para responder rápido e sem paixão encerro este post por aqui, mas prometo voltar em breve com outro texto mais aprofundado sobre essa questão.

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6 de novembro de 2014

Primeiro dia de funcionamento da Área Azul


Para quem não viu, segue reportagem do Bom Dia Goiás, sobre o primeiro dia de funcionamento da Área Azul em Catalão:


No primeiro dia poucos usuários fizeram uso das vagas , hoje a ocupação já melhorou um pouco...


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23 de outubro de 2012

O trânsito nosso de cada dia...

E o trânsito de Catalão, hein?!

É um tema que foi pouco falado durante o período eleitoral. Muito se falou sobre transporte coletivo, mas sobre trânsito mesmo, tráfego de veículos, de pessoas, estacionamentos, número de veículos, melhora das vias de trânsito... quase nada.

E porque será? Acho que é unanimidade que um dos grandes desafios de nossa cidade é racionalizar o tráfego de veículos, principalmente no Centro da cidade. E transitar pelo Centro é um grande problema porque tudo está lá: as grandes lojas, a rede bancária, clínicas, laboratórios, órgãos públicos, o SAMU... e aí não dá para colocar a culpa exclusivamente na SMTC por não dar conta de organizar o trânsito, como é que transitam trinta mil veículos por dia em vias feitas para comportar no máximo dez mil e acomodar tudo isso com intenso tráfego de pedestres? 

Um das propostas que sempre ouvimos é que a solução passa pela contratação de um engenheiro de trânsito. É claro que o trabalho desse profissional é de extrema importância, mas se não houver um compromisso do próximo prefeito em propor a modificação do Plano Diretor do Munícipio e descentralizar serviços públicos, o trabalho do engenheiro de trânsito será apenas mais um paliativo, pois os problemas só mudariam de direção, mas continuariam os mesmos.

E nem é preciso fazer uma engenharia gigantesca para o trânsito fluir. Medidas pequenas como a diminuição de cruzamentos e a proibição de retornos em certos pontos já contribuiria enormemente para o tráfego de veículos. Outra coisa é estacionamento rotativo (zona azul), que os comerciantes parecem ser contra, mas se descentralizar serviços públicos a pressão por vagas no Centro diminuiria, e o estacionamento rotativo em áreas comerciais funciona em todo lugar, porque não funcionaria em Catalão? Além disso é preciso melhorar o transporte coletivo, e não falo só da qualidade dos ônibus, mas principalmente garantir o horário e o tempo gasto em trânsito pelo usuário. Se não é possível confiar no horário em que o ônibus vai passar e no tempo que será "perdido" ao optar pelo coletivo como fazer com que o cidadão deixe seu veículo na garagem e opte pelo ônibus? E aí sabemos que o meio de transporte preferido por quem quer agilidade e rapidez para chegar ao trabalho é uma moto, que está envolvida em 8 de cada 10 acidentes, ou seja, aumenta mais um problema para o trânsito.

Uma coisa é certa, o assunto é complexo e ninguém tem a solução definitiva para o trânsito de Catalão, mas não existe controvérsia que algo precise ser feito com urgência para diminuir os problemas, sob o risco de nos tornarmos uma cidade do interior com trânsito de capital, com engarrafamento, poluição, estresse e todo tipo de mal provocado pelo grande número de veículos em nossas apertadas vias.


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