Anderson Silva já irritou muitos lutadores do UFC por conta de suas declarações antes das lutas e mesmo vindo de derrota para o americano Chris Weidman, o Spider segue confiante o suficiente para garantir a vitória na revanche deste sábado.
Perguntado sobre como terminaria a luta principal do UFC 168, Anderson Silva foi claro: "O final da luta? Eu vencendo. Lógico! Sem dúvida!".
Para recuperar o cinturão, no entanto, o brasileiro afirmou que não vai mudar o seu plano de luta: "Acho que não tem que mudar muita coisa não. Acho que é manter o meu foco, que foi no que eu falhei da última vez, e trabalhar duro", afirmou o lutador.
Quando acabou a luta de Anderson Silva x Chris Weidman eu pude perceber que esse o esporte pegou o povo brasileiro de vez. A decepção e a raiva que atingiram foram semelhantes quando a seleção perde em uma decisão importante.
Já fiquei (muito) puto. Já fiquei triste. Já tive diversas reações que nem eu mesmo sei descrever. “Bem feito” e “palhaço” foi tudo que eu conseguia dizer depois da luta. Agora, com calma, vamos tentar falar sobre ela.
Anderson brincou? Brincou. Mas como ele sempre fez. O problema foi não ter parado de brincar na hora que deveria. E, principalmente, o problema foi finalmente ter encontrado um adversário extremamente focado. Duvido que ele teria desmerecido tanto Jon Jones, St. Pierre ou até Vitor Belfort.
Falando sobre Weidman, ele tem diversas qualidades. O cara é realmente bom. Mas seu maior mérito foi entrar totalmente focado.
As brincadeiras e demonstrações de irresponsabilidade de Anderson, são, na verdade, iscas para fisgar o seu adversário. Anderson Silva tenta incitar o seu oponente para fazê-lo cometer algum erro. É correto? Sim. É antiético? Não sei. A linha que difere o correto e o anti-ético é muito tênue nesse caso. Anderson já havia sido questionado sobre isso outras vezes, principalmente após enfrentar Demian Maia. Enquanto estava dando certo, todo mundo achava lindo, agora que ele perdeu, é um babaca completo?
Deixando essa questão subjetiva de lado e falando sobre a luta, Anderson encontrou um rival que não estava nem aí para as suas brincadeiras. O olho de Weidman estava sempre na mira correta – o peito do adversário – nunca observando as mãos incitando um golpe mais forte ou o rosto debochado do brasileiro.
Geralmente, quando o Spider começa a fazer suas esquivas e pêndulos fenomenais, ou ele faz parado, sem a necessidade de recuar, ou o adversário não insiste, com medo de receber um contragolpe. Weidman insistiu. Ele acertou o primeiro cruzado, que Anderson fingiu não ter sido forte suficiente para se preocupar. Ele tentou outro, Anderson esquivou. Deu um jab, Anderson fugiu defensivamente, continuou com a guarda baixa (PORRA ANDERSON, CUSTAVA LEVANTAR A MERDA DO BRAÇO?) e tomou o golpe derradeiro.
Acabou. Caiu o ídolo irresponsável, que quando vencia as pessoas achavam fenomenal. Agora que perdeu virou um merda? O que ele fez contra Bonnar foi tão ou mais irresponsável. Mas, enquanto vencia, as pessoas achavam espetacular.
Temos que ficar nervosos com Anderson? Sim. Evidente. Ele é um dos maiores ídolos brasileiros da atualidade e agiu com soberba e irresponsabilidade. Mas, vamos com calma. O cara continua sendo o maior de todos os tempos. Não sejamos tão cruéis.
O que Anderson Silva fez para o MMA um lutador não fará tão cedo. Mesmo que ele nem recupere o seu cinturão, não devemos desmerecer o mito brasileiro. Ele é o maior de todos os tempos e não se fala mais nisso.
Uma coisa positiva que podemos encarar nessa situação toda é que, finalmente, veremos Anderson Silva entrar 100% motivado para uma luta, algo que a gente só imaginaria acontecer em uma superluta (contra Jon Jones ou St. Pierre). A revanche, mesmo que não confirmada pelo brasileiro, acontecerá e continuaremos torcendo por Anderson.
Essa foi uma das duas maiores zebras da história do UFC. Weidman se une a Matt Serra como os caras que superaram duas das maiores feras da história do esporte.
O modo de esquivar e pendular de Anderson lembram muito Mike Tyson. Contudo, o seu jeito provocador lembra mais Muhammed Ali. E, bem, Muhammed Ali também foi derrotado outras vezes e a história continua nos dizendo que ele foi um dos maiores. Certamente a história também será generosa com Anderson Silva.
O esporte é assim: ninguém é imbatível. Agora, é esquecer esse UFC 162. De 6 brasileiros no card, apenas Gabriel Napão se deu bem contra um estrangeiro. Edson Barboza também ganhou, mas do brasileiro Rafaello Oliveira.
No card principal, Roger Gracie perdeu na sua estreia, lutando nitidamente em uma categoria errada. Charles do Bronx foi superado Frankie Edgar, mas fez uma bela luta e ganhou a bonificação de melhor combate da noite.
Anderson Silva é um mito do MMA, é o lutador que mais defendeu o cinturão de campeão no UFC e é considerado o melhor lutador de todos os pesos. É obvio que esse reinado um dia irá acabar, a idade vai chegando e os reflexos e força física diminuindo, mas até o momento ele está com a bola toda.
E antes dos atletas se enfrentarem tem a pesagem oficial um dia antes da luta, como acontece no boxe (que na verdade eu discordo, a pesagem deveria ser na hora da luta, pois os lutadores recuperam seu peso normal na hora da luta, além de correrem grande risco eliminando grande quantidade de massa em tão pouco tempo). A hora da pesagem é um dos momentos mais aguardados, pois geralmente os lutadores se encaram feio, resultando em cenas divertidas e tensas, levando a galera ao delírio.
Na edição do UFC 162, no qual Anderson Silva defende pela 11° vez seu cinturão da categoria peso médio, não foi diferente, abaixo o momento exato da "encarada" do Aranha: