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Pensamentos aleatórios

Mostrando postagens com marcador Black Bloc. Mostrar todas as postagens
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19 de maio de 2014

Black Bloc canta Vinícius

Homenagem do movimento Black Bloc ao poetinha, adaptando grandes obras do cancioneiro popular à temática do movimento:




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17 de fevereiro de 2014

Os profetas do caos e a vítima do monstro criado pela mídia*


O Brasil possui atualmente uma das menores taxas de desemprego de sua história segundo o IBGE. A renda dos trabalhadores vem sendo ampliada constantemente de acordo com o IPEA. A inflação está estabilizada num dos menores índices da série histórica conforme dados do IPCA. A principal empresa estatal brasileira acaba de descobrir uma das maiores reservas de petróleo do mundo cujos royalties serão destinados para a educação. A ONU elogia o país por seus esforços para combater a AIDS e o racismo. Ainda no cenário internacional o protagonismo brasileiro conquista a presidência da OMC.
 

Contudo, o que lemos, ouvimos ou assistimos na imprensa brasileira diz respeito à um outro mundo. Nos jornais lemos diariamente que a economia nacional quebrará, a Petrobras entrará em falência, a inflação subirá, o desemprego aumentará, o salário cairá e que a política externa é vergonhosa. Nas rádios ouvimos apenas que os políticos são todos corruptos e que nenhuma instituição política funciona. Nos programas de televisão surgem comentaristas repetindo à exaustão que no Brasil os partidos políticos são frágeis e não representam ninguém. Terra arrasada, cenário de caos.
 

Diante de tantas informações assustadoras veiculadas diariamente, era de se esperar que não demorasse muito para que alguns poucos irresponsáveis, movidos por altas taxas de testosterona, colocassem suas máscaras para “dar um jeito no Brasil”. A forma? Simples, quebrando vidraças e pontos de ônibus, incendiando fuscas e lixeiras.
 

Sob gritos de “fora partidos”, “o gigante acordou” e “não vai ter Copa” os tais mascarados tornaram-se queridinhos de uma imprensa que ao longo dos anos nunca fez questão de noticiar uma passeata dos movimentos sociais. A não ser, claro, se fosse para comentar os transtornos causados no trânsito.
 

Mas em algum momento quem teve que “acordar” foi a própria imprensa. Os tais queridinhos mascarados já não gritavam apenas contra políticos e contra governos. Os gritos também voltaram-se contra ela própria. Jornalistas das grandes empresas de comunicação passaram a ser rechaçados nas passeatas e as sedes das emissoras eram atacadas. Era a hora da imprensa dar um basta no monstro que criou, mas já era tarde demais.
 

Nem a imprensa, nem ninguém mais poderia controla-los. Mordidos e ressabiados por terem sido repelidos no início dos protestos, os partidos políticos da esquerda, tradicionais ocupantes das praças e das ruas, abriram mão de disputar o tal movimento e de oferecer sua consciência para o espontaneísmo. A consequência não poderia ser boa.
 

No dia 6 de fevereiro enquanto documentava mais uma passeata dos mascarados um jornalista da Band foi atingido na cabeça por um rojão. Não havia ninguém ali para orientar politicamente os mascarados, nem a imprensa, nem os partidos. Não havia ninguém ali para explicar para os mascarados o quanto seria irresponsável acender um rojão no meio de uma multidão. O ato irresponsável e espontaneista concretizou-se. O jornalista morreu alguns dias depois.
 

A irresponsabilidade matou o jornalista da Band. Mas não foi a irresponsabilidade apenas dos dois meninos que agora estão presos. A responsabilidade maior é da própria estrutura ideológica que os levou a cometer aquele ato. Os dois meninos não são terroristas como alguns tentam reforçar. Os verdadeiros terroristas, infelizmente, estão soltos. E continuam escrevendo suas colunas em jornais e apresentando seus comentários em rádios e programas de televisão. Sem que haja qualquer contraponto.


  *Publicado originalmente por Theófilo Rodrigues, no blog Cadernos de Cultura e Política

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11 de fevereiro de 2014

A morte do cinegrafista da Band, a hipocrisia da grande mídia e a falência da política dos Black Blocs!*


A morte do funcionário da BAND na manifestação na cidade do Rio de Janeiro causada por um rojão está sendo explorada pelos principais meios de comunicação do país com o objetivo de conquistar a opinião pública para repudiar as manifestações de rua que crescem em 2014... O alvo são os Black Blocks e o plano é fortalecer o sentimento de medo para que as pessoas fiquem em casa e não saiam mais as ruas para participar das manifestações.

As reportagens se esforçam em ligar a morte do cinegrafista à “violência dos manifestantes”, sem citar que o principal fator que desencadeia os conflitos é a ação truculenta da polícia militar de responsabilidade do Governador do Rio de Janeiro. Essa não é a primeira morte nos conflitos de rua desde junho de 2013 que também tem tido muitos feridos nos confrontos. Quem não se lembra da fotografa da folha de São Paulo que foi atingida no olho por bala de borracha pela PM de Alckimin?


Na outra ponta do debate é possível identificar em situações como essas o fracasso completo da política aplicada pelos Black Blocks... Ao optar pela tática do enfrentamento sistemático com a polícia seja qual for a manifestação, os Black blocks abrem espaço para possibilidades de tragédias (como a morte do cinegrafista) dando oportunidades para que a grande mídia e as forças reacionárias do estado organizem uma forte propaganda contra as manifestações. 

Quando polemizávamos em 2013 com os Black Blocks era para demonstrar que a tática usada pelos mesmos ajuda e facilita o trabalho da repressão e não o contrário. Pois ao perder o apoio da opinião publica com o episódio do Rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade, os Black Blocks se isolam e ficam desprotegidos politicamente... O clima de terror pode atrair centenas, mais afasta milhões pelo simples fato dos trabalhadores estarem dispostos a ir as ruas por uma causa, mas sem correr o risco de perder a vida. Uma mãe ou um pai de família pensa mil vezes antes de colocar a sua vida em risco numa manifestação, afinal precisa voltar pra casa cuidar dos seus filhos que são seus dependentes.

Esperamos que esse fato possa levar tod@s os ativistas Black blocks a romperem com essa política e assumirem os métodos de luta da classe trabalhadora sem ações sectárias e ultraesquerdistas que afastam e causam medo de ir às ruas... O ódio de classe contra os governos e a burguesia que são os principais responsáveis pelas mazelas do país é justo, mas deve sempre levar em consideração a consciência dos trabalhadores e as ações que os mesmos estão dispostos a realizar.Caso contrário o caminho será o isolamento e a derrota política completa!


Nesse momento histórico que vivemos... Não vamos mudar o país com centenas nas ruas quebrando vitrines e se enfrentando permanentemente com a polícia como heróis de uma causa sem programa político! Vamos mudar o país com milhões nas ruas agitando bandeiras que fazem parte de um programa político que aponta uma profunda transformação social nesse país a favor dos trabalhadores...

*Publicado originalmente no Facebook de Gibran Jordão. 

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2 de novembro de 2013

Black Bloc. Por quê?

Publicado originalmente no jornal Diário da Manhã.

Não dá para entender isso sem conhecer Zigmunt Bauman, o sociólogo polonês. Mas conhecer sua obra não basta, é preciso conhecer também Thomas Hobbes e o papel do Estado, conhecer também o surgimento do monetarismo na década de 60/70, e saber que o keinesianismo utópico foi engolido pela realidade predatória do capitalismo instintivo dos grandes conglomerados que se formaram a partir da criação do FMI na pequena cidade de Bretton Woods em 1944, onde o lastro econômico mundial foi modificado do ouro para dólar, o que levou a desgraça econômica para o mundo e enriqueceu sobremaneira os Estados Unidos da America no pós-guerra.

Assim fica difícil entender o tal do Black bloc, mas paciência é assim mesmo. Bauman fala sobre um novo conceito de sociedade sem valor moral – essa que nós somos, eu e você – onde eu tenho um deus e você tem outro. Esse deus que é de acordo com nossas necessidades. Nós somos líquidos, ou seja, maleáveis ao ponto de assumir as formas sociais segundo as potencialidades exigidas – escravidão branca incolor. A culpa disso são os erros do capitalismo no processo de aceleração da qualidade em detrimento dos valores morais. A sociedade tornou-se líquida, mas não o estado. Mais que nunca, o estado continua sólido e impermeável aos clamores sociais; o Estado enrijeceu ao ponto de não ser mais resiliente – jamais foi. A questão é o exacerbo. 

Em resumo podemos dizer que o Estado não exerce mais seu papel de tutor dessa sociedade já quase falida e, o sujeito social encontra-se numa espécie de deserto existencial. Colabora bastante para nossa desgraça, a voracidade do Estado sobre esse sujeito social na forma de tributos. O Estado tornou-se inimigo de uma parte da sociedade, do grosso. Estamos ensaiando um processo de absorção socioeconômico semelhante ao dias de São Bartolomeu, com a diferença que não sabemos o que seja brioche e nem estamos na França. Nosso modelo de massacre foi Carandiru e nossa Bastilha, com a graça de Deus será, ainda, o Palácio do Planalto, me disse um mascarado. Há uma dicotomia crescente entre o representante e o representado brasileiro. 

– O cidadão é refém do sistema, isso diz tudo. 

Não há força social no individuo para lutar contra a usura que o sistema lhe impõe, o voto não basta. Com isso, a reação se torna instintiva e a violência começa a fermentar no âmago do povo culturalmente viável e deságua sobre: primeiro em tudo aquilo que representa as instituições, pois elas representam o poder e depois, em tudo que estiver ao alcance da mão.

O black bloc não é um grupo formado por vândalos, como quer a grande mídia, mas são pessoas com muita clareza em suas ações e um germe que está incubado na sociedade brasileira há séculos. Portanto, seminal do terrorismo contra-estado. Eles atacam instituições, bancos ou empresas que significam o capitalismo de rede e tudo que possua elo com o sistema – por enquanto. 

Para se ter uma ideia do ovo de escorpião que está sendo chocado pelo petismo, a violência não pára e nem vai parar. Não há uma compreensão do Estado qual seja seu papel para com a sociedade. A idéia de poder pelo poder ensandeceu a política e o conceito de governo de coalizão em que o Governo copta partidos para sua sustentação, vai se tornando um trator que empurra o País a cada dia, para mais perto do barranco do abismo. Esse povo que se encontra com ódio do Estado, vai continuar dando tiro na cara de guarda de trânsito, vão espancar coronéis da PM, vão atacar juízes, promotores, políticos, bancos, transnacionais... Não demora começa a matança. 

(Waldemar Rêgo, jornalista, escritor e artista plástico. waldemarregojr@gmail.com)

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