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Pensamentos aleatórios

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17 de dezembro de 2015

A que horas vem o povo?*




Quem foi para a rua em 2013 e viu a polícia do governador Geraldo Alckmin ligar o motor das manifestações que passaram a influenciar a política nacional estarreceu-se com o resultado da pesquisa do Datafolha feita na avenida Paulista na tarde de domingo. Há dois anos a rua foi ocupada por muita gente que ia ao centrão de São Paulo, andava de ônibus e pedia o cancelamento de um aumento de tarifas nos transportes públicos. Domingo, pediam o impedimento da presidente da República.

A manifestação de 2013 não tinha articulações políticas mas a de domingo era depositária das esperanças de Eduardo Cunha, que luta pela sobrevivência política e até mesmo pela liberdade pessoal. Além dele, o impedimento da doutora Dilma interessa à banda de deputados que controla, ao PSDB, a boa parte do PMDB e ao vice-presidente Michel Temer. Todos ajudaram a colocar Cunha na presidência da Câmara. Um verdadeiro saco de gatos onde entraram bichos de outras espécies.

Todos sabem que o impedimento da doutora depende da rua. O Datafolha mostrou a rua que estava na avenida Paulista.

Foram ouvidas 1.351 pessoas. Numa época em que é enorme a desilusão com o governo de Dilma, só 3% dos manifestantes haviam votado nela. Perto da metade das pessoas entrevistadas (44%) tinham renda familiar superior a R$ 7.880 mensais. Para 4%, ela era superior a R$ 39.400. (A renda média das famílias de São Paulo é de R$ 4.151).

Havia 40 mil pessoas na rua, mas a rua não foi para a avenida. Elas não eram sequer um bloco representativo do eleitorado de Aécio Neves, apenas uma amostra do seu estrato superior. Mesmo assim, 40 mil manifestantes são gente para ninguém botar defeito. Em 1983, quando o PT quis mostrar sua força arrancando sozinho numa campanha pelas eleições diretas, levou 15 mil pessoas para a frente do estádio do Pacaembu.

Se o Brasil é uma Belíndia, uma parte da Bélgica saiu de casa, mas a Índia, que estava desacompanhada em 2013, faltou ao encontro.

Seria exagero espichar os números da Datafolha para concluir que a rua ficará fora de uma crise que vai se agravar, mas na Paulista viam-se alguns dos ingredientes que afastaram a Índia e uma parte da Bélgica desse domingo na avenida.

Fazia um calor de rachar e a tripulação de um dos carros de som abandonou a área ensolarada que lhe servia de palanque. Ligaram uma gravação aos alto-falantes e foram para a sombra.

Se 98% dos entrevistados pelo Datafolha queriam que Dilma fosse embora (o óbvio), só 19% faziam fé num governo de Temer (ótimo ou bom) e 28% anteviam-lhe um desempenho ruim ou péssimo. Para 72%, Temer fará melhor que Dilma mas 21% acham que vai se trocar seis por meia dúzia. (Numa próxima manifestação, seria bom procurar a percentagem das pessoas interessadas em mandar a Constituição de 1988 para o espaço).

O pedaço da Bélgica que foi para a avenida é capaz de perder uma tarde de domingo para pedir a saída de Dilma, mas expõe sua incerteza em relação ao próximo passo. A confusão aumenta quando se vê que 91% dos manifestantes querem a cassação do mandato de Eduardo Cunha.

Em Brasília, os sábios do tucanato articulam um provável ministério de Temer, que se mantém a prudente distância de Cunha. Todos acreditam que essa armação será consagrada pelo ronco da rua.

*Por Hélio Gaspari, na Folha. 

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18 de agosto de 2015

O silêncio cúmplice aceita a barbárie*






Somente um grande mentecapto suporia que os 800 mil manifestantes do domingo subscreveram mensagens como as retratadas acima (todas garimpadas na internet).

Seria ofensivo vincular o conjunto dos participantes dos protestos a bandeiras como o extermínio sob tortura em campos de concentração, como eram os DOI (Destacamentos de Operações de Informações) da ditadura; à convicção de que rico é imune à corrupção (vide contas secretas na Suíça e pilantragens de empreiteiros); ao lamento por não ter havido genocídio de antagonistas no golpe de Estado de 1964; à defesa de um novo golpe, por meio de “intervenção militar''; e ao abraço em Eduardo Cunha como deputado digno de reverência.

Não subscrevem, é verdade. Mas não se soube de uma só restrição à presença de tais pessoas e à divulgação de tais ideias.

Nem de cidadão que tenha se retirado dos atos públicos ao se deparar com os arautos da intolerância.

A presidente da República foi o alvo central, com justiça ou não, das manifestações. Não é o caso, aqui, de julgar seu governo. Quando jovem, mais jovem do que hoje é a minha filha mais velha, Dilma Rousseff foi presa por agentes do Estado. À margem até da lei da ditadura, foi torturada com choques elétricos, no pau-de-arara, com a crueldade que quem não viveu não é capaz de imaginar.

Cartazes como os de ontem não são novidade nas demonstrações anti-Dilma que se sucedem desde o ano passado. Desta vez, novamente, ninguém confrontou os mensageiros da barbárie.

Quem cala consente, proclama o provérbio.

A gestação do fascismo, do nazismo e do stalinismo foi facilitada pelo silêncio cúmplice.

Não estou dizendo que o Brasil de 2015 se assemelha à Europa dos anos 1920 e 1930.

Mas que, se não podem ser apontados como co-autores das barbaridades de ontem, os manifestantes toparam estar lado a lado com os autores das barbaridades.

Em nome do combate ao adversário político, aceitam perfilar com quem, no conteúdo de alguns cartazes, não difere muito dos cretinos que, no século XX, identificavam-se com a SS.

Se quiserem brigar, não avacalhem a mim, nem me xinguem.

Briguem, avacalhem e xinguem os fatos. Pois é fato que silenciaram diante do ovo da serpente.

E desfilaram com quem preferia que Dilma Rousseff tivesse sido enforcada no DOI a enfrentá-la na democracia.

*Do blog do Mário Magalhães 

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13 de abril de 2015

A conveniente câmera da Globonews que escolhe as faixas que aparecerão na TV

Do site Viomundo:


Do ponto-de-vista numérico, as manifestações do 12 de abril foram um tremendo fracasso.

Segundo o UOL, do diário conservador Folha de S. Paulo, eram 52 mil pessoas em todo o Brasil às 14 horas.

No entanto, na Globonews, das Organizações Globo, os protestos foram um tremendo sucesso.

“Tranquilidade”, “família”, “verde-amarelo” e outras descrições anódinas marcaram a descrição feitas pelos repórteres da emissora, que se misturaram aos manifestantes.

Nunca antes na História deste País a Globo tinha feito o que vem fazendo: ir a uma manifestação, ler de forma seletiva os cartazes e permitir que o som natural vaze na transmissão, com gente gritando “Fora Dilma”, “Fora PT” e outras palavras de ordem.

Vocês já viram a Globo fazer isso num protesto do MST ou contra o tucano Geraldo Alckmin? Jamais.

É óbvio que a notícia do dia, de que as manifestações fracassaram do ponto-de-vista numérico, não dominou a cobertura. Por que fracassaram? Cansaço? Indiferença? Dissensão interna? A Globonews simplesmente se esqueceu da verdadeira tarefa do jornalismo, que é esclarecer.

A certa altura, uma repórter em São Paulo fez referência ao fato de que os diferentes carros de som na Paulista utilizavam diferentes palavras de ordem. Mas, ficou nisso. Não entrou em detalhes. Por motivos óbvios: alguns destes carros de som pedem intervenção militar, o que não se enquadra no que a Globo acha aceitável mostrar aos que estão em casa.

A Globo não leu, por exemplo, a faixa que aparece acima, fotografada pelo Leandro Prazeres, do UOL, em Brasília.

Notem o detalhe: além de pregar o golpe, a faixa assume a defesa da Globo (no canto inferior direito) com a frase “a mídia sob ataque”.

Globo e golpe militar, tudo a ver!

Ainda que involuntariamente, no entanto, a Globonews acabou mostrando a intolerância que foi a marca do 15 de março e esteve de volta hoje, nas ruas: em Copacabana, um homem de camisa vermelha foi perseguido por manifestantes e teve de sair escoltado pela Polícia Militar.

É isso mesmo: um homem de camisa vermelha, aparentemente com uma grife no peito, sem qualquer relação com o PT ou com algum partido comunista.

Um simples homem de camisa vermelha, cujo cerco resume o que a Globonews não mostrou: “intolerância” e “golpismo” andaram juntos com “tranquilidade” e “família”.

PS do Viomundo: A Globonews faz mais que cobrir o evento, faz a convocação de quem está em casa ao enfatizar a todo o momento que “tem mais gente chegando”, “famílias inteiras”, etc.

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Lições de domingo*

Charge de Laerte, que diz muito sobre a cobertura da Globonews sobre as manifestações de domingo

Em comparação com os protestos de 15 de março, as manifestações de ontem foram menores pelo volume e pela geografia. Em várias cidades, os protestos foram cancelados ou nem foram convocados. Em São Paulo, o mesmo DataFolha que apontou 200 000 pessoas nas ruas, há um mês, calcula que ontem o protesto envolveu 100 000. Em outras cidades, onde cálculos mais precisos foram substituídas por estimativas e puros chutes, as reduções também foram notáveis.

O mesmo ocorreu nas redes sociais, informa a consultoria Bites. Se as manifestações geraram 1,3 milhão de mensagens há um mês, esse número ficou em 259 000, ontem — uma redução de 81%. O uso da palavra impeachment nas mensagens caiu 86% e a palavra corrupção, 85%. Isso quer dizer que a melodia agressiva que dominou as redes sociais em março, já não era ouvida ontem.

Uma queda dessa dimensão no prazo de apenas um mês, quando nenhum milagre visível se materializou na conjuntura, possui vários significados.

O primeiro é ensinar que a oposição não foi capaz de transformar o impeachment numa causa realmente popular. Se a massa que foi à rua em março expressava o descontentamento dos adversários do governo, as mesmas pessoas foram à rua em abril — mas a metade nem saiu de casa.

Se março deu a muitos analistas a impressão até de que a sobrevivência do governo poderia ser colocada em questão, o 12 de abril retratou um protesto de outra natureza, ainda que isso não deva inspirar festejos exagerados por parte deste governo.

Afinal, só em São Paulo foram 100 000 pessoas na rua. Mesmo que se possa duvidar da estimativa de que 25 000 pessoas foram à Esplanada, em Brasília, e também em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, seria bobagem negar que em diversos lugares ocorreram manifestações significativas.

Mas a verdade é que ninguém convoca um segundo protesto imaginando que ele será menor do que o primeiro.

Essa queda na participação aconteceu apesar do engajamento contínuo dos grandes meios de comunicação. Mais uma vez, tentaram dar às manifestações um caráter dramático e decisivo, um evento ao qual o cidadão comum deveria comparecer por razões cívicas — e não políticas. O apelo à presença de crianças se explica por isso — mas nem de longe surtiu o efeito esperado.

Não custa lembrar que nas semanas anteriores os meios de comunicação fizeram várias reportagens em estilo glamouroso com os organizadores dos protestos. Omitindo cuidadosamente o caráter anti-democrático e fascista de boa parte de seus movimentos, eles eram tratados como jovens celebridades de um novo tempo, uma espécie de simpáticos roqueiros convertidos a anti-PT.

No próprio domingo, a cobertura mostrava cenas de cada cidade, logo cedo, num esforço de cobertura típico de eleição presidencial, Copa do Mundo e eventos desse tipo.

Era para deixar o cidadão sentindo-se culpado se decidisse não comparecer. O resultado ficou à vista de todos.

Isso aconteceu, em minha opinião, porque o ocorreu uma mudança no debate político das últimas semanas.

Para começar, foi possível demonstrar, a partir das redes sociais, o caráter golpista de boa parte das manifestações contra o governo. Isso provocou uma justa retração por parte do eleitorado de espírito democrático, que não apoia Dilma por nenhum motivo — mas não aceita mudar o governo fora das regras estabelecidas pela Constituição.

O receio de serem abandonados por esses eleitores levou lideranças que antes disputavam o primeiro lugar dos protestos a tomar distância — algumas nem apareceram nas manifestações de ontem.

Há um desgaste de outra natureza, também. A presença de estrelas do PSDB na lista de investigados da Lava Jato, mesmo divulgada de forma seletiva e parcimoniosa, teve seus efeitos junto a seu eleitorado.

Tratado como uma espécie de herói anti-petista pela conquista da presidência da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha passou as últimas semanas pagando a conta eleitoral da agenda conservadora que impôs ao Congresso. A redução da maioridade penal é rejeitada por grandes parcelas da população, em particular aqueles que podem transformar-se em suas vítimas preferenciais — jovens pobres e negros.

Eduardo Cunha, o PMDB e o PSDB fizeram questão de voltar, 72 horas antes do dia do protesto, o projeto de lei 4330, que revoga a CLT, principal conquista histórica dos trabalhadores brasileiros.
Se havia interesse em engrossar as manifestações para encurralar o governo, não poderia haver uma ideia mais contraproducente, vamos combinar.

Outro aspecto envolve a economia. O ajuste continua sendo motivo de descontentamento do eleitorado que arregaçou as mangas para garantir a vitória de Dilma no segundo turno. E pode é produzir novos descontentamentos no futuro, quando os efeitos do juro alto e dos cortes nos gastos públicos ajudarem a enfriar a economia de verdade. Mas as medidas de Joaquim Levy começam a obter a aprovação real de uma parte dos adversários do governo, o que talvez não transforme os inimigos em aliados, mas contribui para diminuir o ambiente de histeria.
 
*Por Paulo Moreira Leite.
 
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13 de fevereiro de 2014

10 pontos de uma história que não deve nada ao carro explodido pela ditadura no Rio-Centro.

É o assunto do momento.

A morte do cinegrafista da Band que cobria uma manifestação no Rio de Janeiro, vítima de um foguete disparado por um dos manifestantes (black bloc), que ao ser capturado confessa que ele e vários outros recebem dinheiro (150 reais) para participar de manifestações, causar tumultos e brigas com a polícia. Tal versão é repetida a todo momento pelo principal veículo de comunicação aberta do país (rede Globo), com a mensagem óbvia: manifestações, como as que ocorreram ano passado (e que prenunciam acontecer este ano), são elaboradas farsas articuladas por grupos partidários contrários à lei e a ordem. No caso do Rio de Janeiro o responsável seria o deputado Marcelo Freixo (PSOL), ferrenho opositor do atual governo carioca e um dos principais denunciantes da ação das milícias no Rio (o personagem Fraga, de Tropa de Elite 2, é baseado em Freixo) e possível candidato ao Governo este ano.

A morte do cinegrafista é uma tragédia, não há dúvidas, mas as nuances dessa história e a cobertura da mídia levantam algumas questões que merecem atenção, pois é frequente na história do Brasil a manipulação e fabricação de fatos com o intuito de influenciar a opinião pública (vide o atentado no Rio-Centro, grande farsa do final da Ditadura Militar).

Manchete do Jornal do Brasil, de 30 anos atrás

Montagem que circula no Facebook, levantando suspeitas sobre quem de fato estava com o rojão

Seguem 10 pontos dessa história, vistos sob a ótica da teoria da conspiração, que jogam dúvidas sobre o desenrolar dos fato:

1 – Fabio se entrega voluntariamente à polícia, acompanhado de um advogado particular.
  • Nenhum manifestante (ou PM) se entregou até hoje, em nenhuma manifestação.
  • Fabio não estava foragido, nem procurado, ele resolveu se apresentar ‘voluntariamente’.
2 – Seu advogado é o mesmo que fez a defesa de ex-vereador miliciano preso em penitenciaria federal.
  • O miliciano preso é irmão de outro miliciano preso, Jerominho, do mesmo partido (PMDB) do governador e do prefeito, alvos dos protestos.
  • Quando defendia o miliciano, responsável pela morte de diversas pessoas em chacinas, este advogado não entregou seu cliente em nenhuma delegacia.
3 – Advogado denuncia, através de seu assistente, o deputado Freixo como ligado aos atos criminosos em apuração.
  • Após fazer questão de comunicar esta versão ao delegado e registrá-la, voltou atrás. Não antes de toda mídia dar ampla divulgação.
  • Freixo concorreu contra Eduardo Paes e se constituiu como único candidato forte de oposição ao atual governo.
4 – Fabio alega que apenas entregou o artefato, que outra pessoa o detonou, mas não sabe quem foi.
  • Fabio repentinamente conhece alguém, que conhece alguém que sabe nome, apelido e CPF deste que teria acendido o artefato.
  • O tal denunciante não é revelado, e o advogado é que assume a responsabilidade pela denúncia.
5 – O advogado Jonas denuncia à polícia quem teria sido o detonador do artefato. A estratégia da defesa de Fabio é responsabilizar Caio, negro de cabelo curto e duro.
  • As imagens apontam um rapaz claro, cabelos lisos e volumosos.
  • Polícia vai a caça de Caio na casa de sua família. Jonas, o advogado denunciante vai junto.
6 – Partem num avião um delegado do Rio, o advogado denunciante e a imprensa para prenderem Caio na Bahia, após sua família ser pressionada a entregá-lo.
  • Caio é preso pelo delegado e pelo advogado denunciante. Um trunfo para a defesa de Fabio.
  • Inexplicavelmente, o advogado de Fabio, denunciante e auxiliar na captura, vira defensor TAMBÉM de Caio.
7 – Jonas, que não entregou Natalino, mas entregou Fabio, acusou e prendeu Caio agora defende Caio contra Fabio e Fabio contra Caio.
  • A polícia aceita que um advogado da parte ré participe de uma operação policial.
  • Autoridade policial aceita, sem estranhamento, que advogado de um réu que denunciou outro e auxiliou na prisão deste siga como defensor deste.
8 – Jonas, o advogado que faz prisões, e a Globo, que teve permissão pra cobrir com exclusividade a operação (porque, porque?) dizem que Caio afirmou que “políticos aliciam para manifestações”.
  • Caio não assinou nenhuma declaração nesse sentido. Um vídeo mostra que ele disse claramente que pessoas são convocadas (não aliciadas) e que é papel da polícia investigar quem convoca (portanto, não acusou ninguém, muito menos políticos).
9 – Senadores do PT, PRB e PP (aliança dos governos municipal e estadual, foco dos protestos) apresenta projeto que tipifica manifestação e greve como terrorismo. Outro senador do mesmo partido sobe na tribuna exigindo urgência na aprovação.
  • Secretário de Segurança do Rio apresenta projeto para Congresso (!!!) para tipificar também crime de desordem e incitação a desordem pública.
  • Imprensa, liderada pela Globo, exige maior repressão policial e jurídica ao que chama de atentado à liberdade de imprensa.
10 – Instituições democráticas, partidos de esquerda, militantes e personalidades ligada aos governos apoiam a cruzada acima.
  • Em se aprovando os projetos, todas as atividades dos sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais serão considerados terrorismo e desordem pública.
  • Santiago foi a décima pessoa morta em decorrência das manifestações, a primeira por conta de manifestantes. Das outras 9, nem o nome se sabe direito.

Será que o episódio atual é um novo Rio-Centro sendo construído com o objetivo de influenciar a opinião pública contra as manifestações populares? 

E quem ganha o quê com isso?



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11 de fevereiro de 2014

A morte do cinegrafista da Band, a hipocrisia da grande mídia e a falência da política dos Black Blocs!*


A morte do funcionário da BAND na manifestação na cidade do Rio de Janeiro causada por um rojão está sendo explorada pelos principais meios de comunicação do país com o objetivo de conquistar a opinião pública para repudiar as manifestações de rua que crescem em 2014... O alvo são os Black Blocks e o plano é fortalecer o sentimento de medo para que as pessoas fiquem em casa e não saiam mais as ruas para participar das manifestações.

As reportagens se esforçam em ligar a morte do cinegrafista à “violência dos manifestantes”, sem citar que o principal fator que desencadeia os conflitos é a ação truculenta da polícia militar de responsabilidade do Governador do Rio de Janeiro. Essa não é a primeira morte nos conflitos de rua desde junho de 2013 que também tem tido muitos feridos nos confrontos. Quem não se lembra da fotografa da folha de São Paulo que foi atingida no olho por bala de borracha pela PM de Alckimin?


Na outra ponta do debate é possível identificar em situações como essas o fracasso completo da política aplicada pelos Black Blocks... Ao optar pela tática do enfrentamento sistemático com a polícia seja qual for a manifestação, os Black blocks abrem espaço para possibilidades de tragédias (como a morte do cinegrafista) dando oportunidades para que a grande mídia e as forças reacionárias do estado organizem uma forte propaganda contra as manifestações. 

Quando polemizávamos em 2013 com os Black Blocks era para demonstrar que a tática usada pelos mesmos ajuda e facilita o trabalho da repressão e não o contrário. Pois ao perder o apoio da opinião publica com o episódio do Rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade, os Black Blocks se isolam e ficam desprotegidos politicamente... O clima de terror pode atrair centenas, mais afasta milhões pelo simples fato dos trabalhadores estarem dispostos a ir as ruas por uma causa, mas sem correr o risco de perder a vida. Uma mãe ou um pai de família pensa mil vezes antes de colocar a sua vida em risco numa manifestação, afinal precisa voltar pra casa cuidar dos seus filhos que são seus dependentes.

Esperamos que esse fato possa levar tod@s os ativistas Black blocks a romperem com essa política e assumirem os métodos de luta da classe trabalhadora sem ações sectárias e ultraesquerdistas que afastam e causam medo de ir às ruas... O ódio de classe contra os governos e a burguesia que são os principais responsáveis pelas mazelas do país é justo, mas deve sempre levar em consideração a consciência dos trabalhadores e as ações que os mesmos estão dispostos a realizar.Caso contrário o caminho será o isolamento e a derrota política completa!


Nesse momento histórico que vivemos... Não vamos mudar o país com centenas nas ruas quebrando vitrines e se enfrentando permanentemente com a polícia como heróis de uma causa sem programa político! Vamos mudar o país com milhões nas ruas agitando bandeiras que fazem parte de um programa político que aponta uma profunda transformação social nesse país a favor dos trabalhadores...

*Publicado originalmente no Facebook de Gibran Jordão. 

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28 de junho de 2013

Reunião de emergência

Em vista dos protestos, a presidenta convoca uma reunião de emergência:



Vídeo de ontem (27/06), do Porta dos Fundos. Detonando a política brasileira como só eles sabem fazer.

25 de junho de 2013

Trilha sonora das manifestações II

Outra música que tem tudo a ver (não tudo "haver") com a recente onda de protestos que vem sacudindo o país: a banda é Disturbed e a música é"Land of Confusion", o vídeo é bem legal e a letra da música também. O detalhe é que a banda é internacional e o clipe não é recente recente, mas que é exatamente o que esta acontecendo nesses últimos dias aqui no Brasil. Segue o clipe legendado em português:



A letra da música e a tradução:


Land Of Confusion
I must've dreamed a thousand dreams
Been haunted by a million screams
But I can hear the marching feet
They're moving into the street

Now did you read the news today
They say the danger's gone away
But I can see the fire's still alight
They're burning into the night

Too many men, too many people
Making too many problems
And not much love to go round
Can't you see this is the land of confusion

This is the world we live in
And these are the hands we're given
Use them and let's start trying
To make it a place worth living in

Oh Superman where are you now
Everything's gone wrong somehow
The men of steel, men of power
Are losing control by the hour

This is the time, this is the place
So we look for the future
But there's not much love to go round
Tell me why this is the land of confusion

This is the world we live in
And these are the hands we're given
Use them and let's start trying
To make it a place worth living in

I remember long ago
Oh when the sun was shining
And the stars were bright all through the night
And the sound of your laughter as I held you tight
So long ago

I won't be coming home tonight
My generation will put it right
We're not just making promises
That we know we'll never keep

Too many men, too many people
Making too many problems
And not much love to go round
Can't you see this is the land of confusion

This is the world we live in
And these are the hands we're given
Use them and let's start trying
To make it a place worth fighting for

This is the world we live in
And these are the names we're given
Stand up and let's start showing
Just where our lives are going to


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Terra da Confusão
Devo ter sonhado mil sonhos
E ter sido assombrado por milhões de gritos
Mas consigo ouvir o passo de marcha
Eles estão indo para as ruas

Agora, você leu o jornal hoje?
Eles dizem que o perigo se foi
Mas eu posso ver o fogo ainda aceso
Eles estão queimando noite adentro

Há homens demais, pessoas demais
Fazendo muitos problemas
E não há amor suficiente para inverter isso
Você não vê que esta é a terra da confusão?

Este é o mundo em que vivemos
E estas são as mãos que nos são dadas
Use-as e vamos começar a tentar
Fazer deste um lugar em que valha a pena viver

Oh Superhomem, onde está você agora?
Quando tudo parece estar errado de alguma forma?
O homem de aço, este homem poderoso
Estão perdendo o controle pela hora

Esta é a hora, este é o lugar
Então olhemos para o futuro
Mas não há amor suficiente para inverter isso
Me diga porque esta é a terra da confusão

Este é o mundo em que vivemos
E estas são as mãos que nos são dadas
Use-as e vamos começar a tentar
Fazer deste um lugar em que valha a pena viver

Eu lembro tempos atrás
Quando o sol brilhava
E todas as estrelas eram brilhantes a noite inteira
No despertar desta loucura, enquanto segura você firme
Tanto tempo atrás

Não voltarei para casa hoje à noite
Minha geração deixará tudo certo
Não estamos apenas fazendo promesas
As quais sabemos que não vamos cumprir

Há homens demais, pessoas demais
Fazendo muitos problemas
E não há amor suficiente para inverter isso
Você não vê que esta é a terra da confusão?

Este é o mundo em que vivemos
E estas são as mãos que nos são dadas
Use-as e vamos começar a tentar
Fazer deste um lugar pelo qual valha a pena lutar

Este é o mundo em que vivemos
E estes são os nomes que nos são dados
Levante-se e vamos começar a mostrar
Para onde nossas vidas estão indo