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Pensamentos aleatórios

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13 de setembro de 2016

A eleição para vereador e as Chapas da Morte no PSDB

A última rodada da pesquisa Serpes trouxe um dado bem interessante sobre a avaliação da atual legislatura da Câmara de Vereadores de Catalão e que deve repercutir na eleição que se aproxima:


O Serpes aponta que 47,2% da população catalana aprova os atuais vereadores, ou seja, a maioria deles caminha para a reeleição, o que é normal na história catalana, haja vista que cerca de 70% dos edis que ocupam os cargos são reeleitos, o que não ocorre, na maioria das vezes, por coligações mal feitas.

Por isso mesmo chama a atenção a montagem das três coligações proporcionais da coligação de Jardel Sebba, nas quais, em duas, ele colocou cinco vereadores dos dez que lhe apoiam, em cada uma, ou seja, cada coligação tem que fazer 15 mil votos e as duas juntas fazerem 30 mil apenas para reeleger os atuais vereadores, algo muito difícil considerando que o quadro de comparecimento nas eleições proporcionais em Catalão beira os 87%, algo em torno de 54 mil votos este ano, já que o eleitorado é de 65.342 eleitores, ficando apenas 24 mil votos em disputa para as outras cinco chapas proporcionais (PMDB, SD e PTB; PROS, PV, PDT e PC do B; PRP e DEM; PSDC, PTC, PPL e PSC; PRB, PHS e PSL; e PSOL.

Nesse cenário a coligação de Jardel tem duas Chapas da Morte (pois vão sepultar muitas pretensões de reeleição):

Chapa 1 (PTN, PSB, REDE e PSDB) - Dos atuais vereadores estão nessa chapa: Regina Félix, João Antônio, Donizete Negão, Léo da Irmandade e Valmir Pires Rosa. Candidatos considerados fortes: Marcelo Mendonça, Joel Fernandes, Iris, Célio Almeida e Barulhada. Contando os votos em eleições anteriores esses candidatos somaram 9232 votos, faltando cerca de 6000 votos para os 15 mil necessários para a reeleição dos atuais, em uma chapa que tem apenas mais 11 candidatos, ou seja, cada um teria que ter 545 votos.


Chapa 2 (PR, PSD, PP, PMB) - Estão nessa chapa: Aurélio, Paulo César, Silvano, Pedrinho e Juarez. Apontados como fortes: Souza Filho, Paulo Arruda e Marcos Dahas. Em eleições anteriores eles somaram 6531 votos e precisariam de mais 9000 para atingir os 15 mil tendo mais 13 nomes compondo a chapa, ou seja, 692 votos cada um teria que obter apenas para conseguir a reeleição dos cinco dessa chapa.


A terceira chapa proporcional da coligação de Jardel é composta por PRB, PHS e PSL, e deve fazer um vereador, pois os candidatos que a compõem já somaram em eleições anteriores 2179 votos, faltando pouco mais de 800 votos para atingir o quociente eleitoral previsto para este ano (3176 votos). Nessa chapa os favoritos são Eder Cássio e Dr. Fabiano. 



Se a intenção da coligação fosse a reeleição de toda a atual base de apoio, nessa última chapa deveriam ter entrado alguns dos atuais edis, a chance seria muito maior, o que chama a atenção dado o amadorismo na divisão das vagas.

É claro que ainda faltam algumas variáveis, como as sobras e o impacto das intenções de voto para prefeito na eleição de vereador, mas fica para outro post com a análise das chapas do PMDB e do PSOL.

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11 de novembro de 2015

Universidade Federal de Catalão (UFCat): afinal, quem é o pai dessa criança?


Desde o anúncio, na semana passada, da transformação do Campus da UFG Catalão em universidade federal autônoma, um debate domina o meio político da cidade: afinal, quem é o "pai", o "dono", o "maior responsável" dessa importantíssima conquista para Catalão e toda a região sudeste de Goiás? 

Vários atores da vida política local reclamam para si a paternidade desse feito, a despeito de qualquer relação mais (ou menos) harmoniosa com a universidade em tempos passados. Alguns pleitos de paternidade são repercutidos pela mídia da capital, em analises rasas que consideram apenas o cenário político atual, repetindo a informação equivocada que está sendo criada do zero uma nova universidade, ignorando que há 32 anos a UFG é a maior responsável pela formação superior na região sudeste de Goiás (claro que tal entendimento é proposital e serve a interesses específicos, não compensando gastar nosso português com quem repete esse mantra ridículo, por isso não mencionarei mais tal bazófia aqui).

A verdade é que é muito difícil, haja vista os variados argumentos, apontar quem é o maior responsável no meio político por esse feito, mas justamente por ser membro efetivo da comunidade acadêmica de Catalão, tendo me formado e pós-graduado pela UFG e há anos acompanhar de perto o debate interno sobre a necessidade de aumento da autonomia administrativa e financeira do Campus Catalão, é que resolvi compartilhar com os leitores do blog minhas dúvidas sobre os méritos de paternidade da Universidade Federal de Catalão (UFCat), de acordo com as contribuições de cada ator envolvido nesse processo. Assim, o pai da UFCat é:

Haley Margon: enquanto prefeito, há 32 anos atrás, Haley fez um convênio com a UFG para trazer cursos superiores para formação de professores, fazendo a Prefeitura arcar com pagamento de salários e estrutura física para as aulas. Mesmo depois de terminar seu mandato manteve relação próxima com a universidade, até mesmo doando terrenos de seu patrimônio particular para ampliação do campus (a área 2 do Campus Catalão, futura sede do curso de Medicina,  foi construída em um desses terrenos), sendo homenageado pela UFG com o título de Mérito Universitário pelos importantes serviços prestados a Universidade. Sem o pioneirismo de Haley não existiria campus da UFG em Catalão e sequer o sonho de uma universidade autônoma;

José Henrique Stacciarini: de todos os professores da UFG Catalão, José Henrique, do curso de Geografia, sem dúvida foi a voz mais contundente a defender a emancipação do campus e sua transformação em universidade autônoma. Sempre se manifestando nesse sentido através de artigos de opinião, trabalhos acadêmicos ou mesmos faixas afixadas na entrada do campus, José Henrique nunca mudou seu discurso, nem mesmo quando os ventos políticos eram desfavoráveis e um recuo estratégico seria salutar. Por isso o reconhecimento de toda a comunidade acadêmica;

Adib Elias: por manter o convênio da Prefeitura com a UFG, arcando com o pagamento integral dos salários dos professores após o Governo de Goiás romper com sua parte e deixar de repassar o valor equivalente a metade da folha de pagamento dos docentes conveniados (posteriormente convertido na Biblioteca e Auditório do Campus), isso em uma época em que eram pouquíssimos os professores do quadro federal efetivos em Catalão e a dependência da Prefeitura era gigantesca;

Manoel Chaves: depois de ser Diretor por dois mandatos se tornou Vice-Reitor da UFG e colocou os campus do interior em evidência, chamando a atenção para a capacidade administrativa, de articulação política e de produção acadêmica não só do Campus Catalão, mas também de Jataí;

Eu: sim, eu mesmo, este blogueiro que vos escreve, sou também um dos pais da Universidade Federal de Catalão (UFCat), pois participei, em 2010, de uma comissão coordenada pelo professor Claudio Maia, do curso de História, que elaborou o primeiro projeto sistemático para a transformação do Campus Catalão em uma universidade federal autônoma. Também fizeram parte desta comissão os professores Élida Alves (Matemática), Idelvone Mendes (Geografia), Luiz Carlos do Carmo (História), Marcelo Stoppa (Matemática Industrial), Maria Rita de Cássia Santos (Química), Rodrigo Delalibera (Engenharia Civil), Vagner Rosalem (Administração), Zenon (Biologia), a técnica Ana Paula Neiva e o estudante Sérgio Idalino, que levaram o projeto da Universidade Federal do Cerrado (UFCerr) às mãos do presidente Luis Inácio Lula da Silva, que prontamente o encaminhou à avaliação do Ministro da Educação, Fernando Haddad, que achava mais vantagem investir no sistema multicampus do que na criação de novas universidades, o que levou o projeto a não ter a devida atenção. Nessa empreitada também merecem destaque o deputado federal Rubens Otoni e o prefeito Velomar Rios, sendo a articulação política de ambos fundamental para a chegada do projeto às mãos do Presidente (o que oficializou, pela primeira vez, o desejo de independência do Campus Catalão);

Edward Madureira: a articulação política de Edward, que durante seus dois mandatos de Reitor, foi responsável por emendas orçamentárias, obras, pessoal docente e técnico, que permitiram o enorme crescimento da UFG durante o Reuni (Programa de Reestruturação das Universidades Federais), fazendo o Campus Catalão triplicar de tamanho e oferta de cursos. É também de Edward o maior mérito pela vinda do curso de Medicina, que mesmo sem ainda ter começado, alçou o campus em outro patamar de importância;

Orlando Amaral: o atual Reitor da UFG merece o mérito por não ter criado empecilhos à separação dos campus de Catalão e Jataí, afinal vai entregar uma UFG menor do que recebeu e nem mesmo assim usou de sua influência e prestígio para atrapalhar o processo;

Gustavo Sebba: mesmo sem nunca ter pisado no Campus Catalão, o deputado estadual pleiteia a paternidade do UFCat por ser aliado do Governo de Goiás e ter feito uma emenda orçamentária no valor de 3 milhões de reais em verbas estaduais para ajudar na consolidação do curso de Medicina (que se foram realmente aplicados, como no caso da construção do Auditório e da Biblioteca, e não ficarem só na conversa, como os 3 milhões da reforma do Ginásio Internacional) serão importantes no início das atividades do curso, principalmente levando em conta o atual cenário de cortes orçamentários do Governo Federal;

Jardel Sebba: está no lugar certo, na hora certa. Mesmo fazendo uma gestão fracassada, sem dinheiro para trocar lâmpadas ou pagar fornecedores em dia, ninguém pode negar que o prefeito de Catalão assinou todos os protocolos necessários para a vinda do curso de Medicina e para a renovação do convênio entre Prefeitura e UFG. Mesmos que tais atos fossem feitos até mesmo pelo Bozó, se ele fosse o prefeito, é Jardel quem está na cadeira e irá colher parte dos méritos das duas melhores notícias dos últimos 30 anos para Catalão e região;

Marconi Perillo: o Governador de Goiás mais uma vez mostra que é mestre em fazer graça com o chapéu alheio, atribuindo a criação de duas universidades federais à sua capacidade de articulação política, mesmo deixando a Universidade Estadual de Goiás (essa sim, de sua competência) acabar à míngua. Aparece agora, graças a tendenciosa grande mídia da capital, como o principal responsável pelo atendimento dos pleitos históricos de emancipação dos Campus Catalão e Jataí. Inegavelmente tem seu mérito, pois foi permitido a ele dar em primeira mão a notícia (sabe-se lá em troca do quê), mas no caso de Catalão sua maior contribuição foi construir a Biblioteca e o Anfiteatro (obras inegavelmente importantes, diga-se), mas parando de repassar a parte que cabia ao Estado no pagamento do salário dos professores conveniados. Uma aposta irresponsável, que Marconi ganhou no final, mas arriscou provocar o fim do Campus Catalão, caso a Prefeitura não conseguisse manter sozinha o convênio, e sem Campus não haveria sequer possibilidade de nova universidade...

Enfim, apresentados os pretensos pais, e as justificativas de cada um para receber os méritos da paternidade, eu fico em dúvida em quem tem mais razão no seu pleito, de quem seria o mais digno de, acima de todo o esforço coletivo ao longo dos tempos, merecer todos os louvores e glórias de escrever o seu nome na certidão de nascimento de tão importante acontecimento na história de Catalão e região. Mas de uma coisa eu tenho convicção: se não dá para saber quem é o pai da UFCat, com certeza sabemos quem é a mãe, e esta, sem estardalhaço e sem fazer graça com o chapéu de ninguém além do dela estará em Catalão no próximo dia 19 para anunciar oficialmente a boa nova à população da região sudeste de Goiás, e que seja muito bem vinda, Presidenta Dilma Roussef, Mãe da Universidade Federal de Catalão.

E o pai?! O pai não interessa, na atual conjuntura o poder está na maternidade e o pai, quando presta, só serve para pagar pensão.

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7 de julho de 2015

A pequenez política dos atuais gestores de Catalão


Uma eleição municipal é sempre a disputa entre modelos de gestão.

A última eleição em Catalão foi a disputa de um modelo conhecido (com todas as qualidades e defeitos sabidos pela população) contra a novidade (a expectativa de manutenção do que estava bom e a melhora do que não estava bem). A novidade venceu.

Aí veio a realidade e a novidade não deu conta de passar para o mundo real aquilo que foi idealizado em campanha. Foi realmente um choque, tanto para os gestores quanto para a população.

Mas o instituto da reeleição dá uma possibilidade sem igual para a população, que é a de avaliar um governo: se foi bom é reeleito, se foi mau é retirado do poder. Ciente disso o gestor faz o seu melhor, pois ninguém, em sã consciência, se candidata com a intenção ser ruim caso seja eleito (embora os últimos acontecimentos em Catalão nos levem a pensar o contrário).

Agora uma nova eleição se avisinha. A novidade ainda tem um ano antes do pleito eleitoral para ressaltar suas qualidades e mostrar à população que cumpriu o prometido. Para isso pode se valer de tudo, inclusive de maciça propaganda custeada pelos cofres públicos (lamentável, mas faz parte do jogo), inaugurar obras que não vai terminar, esvaziar os cofres públicos com medidas puramente eleitoreiras e acabar com o patrimônio público doando-o a quem não tem condições de construir, simplesmente para garantir alguns minguados votos (e, o mais importante, fotos para espalhar nas redes sociais).

É claro que não fica só nisso. Quem está na situação além de ressaltar suas qualidades precisa mostrar os defeitos do adversário. E é aí que os atuais gestores do município provam que são pequenos, reduzindo os problemas da cidade à simples disputa eleitoral. No momento de ressaltar suas qualidades e mostrar os defeitos dos adversários em qual argumento se apoiam? No de que o adversário planeja acabar com as feiras de economia solidária espalhadas pela cidade!!!

O argumento é tão pequeno, tão tacanho, que mesmo as feiras não sendo uma unanimidade em aprovação popular (sendo inclusive objeto de reclamação do CDL), pode facilmente ser rebatido:

JARDEL AUTORIZOU A FEIRA, MAS NÃO COMPROU AMBULÂNCIAS;
JARDEL AUTORIZOU A FEIRA, MAS DEIXAR FALTAR REMÉDIOS NAS FARMÁCIAS;
JARDEL AUTORIZOU A FEIRA, MAS NÃO PAGOU A SANTA CASA;
JARDEL AUTORIZOU A FEIRA, MAS FEZ A ÁREA AZUL MAIS CARA DO BRASIL;
JARDEL AUTORIZOU A FEIRA, MAS NÃO TROCA AS LÂMPADAS NOS POSTES;
JARDEL AUTORIZOU A FEIRA, MAS AUMENTOU O IPTU EM 400 POR CENTO;
JARDEL AUTORIZOU A FEIRA, MAS QUER VENDER A SAE;

A próxima disputa vai ser novamente entre modelos de gestão, mas agora os dois modelos são conhecidos e um deles, o que está no poder, demonstra uma pequenez extrema, reduzindo o debate político a se vai ou não ter feira, enquanto pessoas morrem por falta de saúde e segurança em nossa cidade (e o prefeito dirige seu tratorzinho).


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