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Pensamentos aleatórios

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30 de abril de 2013

O dia em que Catalão parou para assistir o último capítulo


Ele chegou! O dia mais aguardado de todos os tempos na história recente de Catalão. Mais do que o retorno de Cristo; mais até do que o Apocalipse Maia; mais ainda do que o dia da entrega da coroa; muito mais do que o aniversário da cidade; e deixa longe a expectativa pelo dia do fim do prazo de 120 dias que o Jardel pediu (embora tenha coincidido); o dia em que a cidade de Catalão vivenciará uma experiência de física quântica, vista apenas nas maiores obras de ficção científica, de ter duas realidades possíveis no mesmo tempo e espaço. Em uma dessas realidades temos um prefeito eleito e empossado e na outra, que poderá começar logo após às 19:00h, não temos mais prefeito e uma nova eleição será feita. Daqui para frente, o dia 30 de abril ficará conhecido como "O dia em que Catalão parou".

Ou não.

Hoje é o dia em que entra na pauta de julgamento do plenário do TSE o recurso para indeferimento do registro de candidatura do prefeito Jardel Sebba. Partidários de Jardel, embora demonstrem tranquilidade estão com uma pulga atrás da orelha, por medo de um retrocesso no Tribunal, já a turma PMDBista comprou até os foguetes para soltar logo mais à noite, tamanha é a certeza de que a justiça será feita. As duas forças, por mais que neguem, ficarão paralisadas no dia de hoje, aguardando a tão esperada decisão, que afetará profundamente os destinos dos dois grupos, mas a verdade é que para o restante da cidade esse julgamento significa muito pouco. O comércio está funcionando normalmente hoje, e também estará depois de amanhã; o mesmo vale para as indústrias instaladas no município; assim como a agricultura; a universidade federal; o CESUC; as escolas estaduais (exceto aquela que funciona em um galpão alugado no Castelo Branco); as cheches e os profissionais liberais, enfim, tudo funciona em Catalão independente de quem é ou deixa de ser o prefeito, portanto, a importância do dia 30 de abril de 2013 se restringe a dois grupinhos que se preocupam com uma única coisa: a manutenção do poder.

Digo isso porque até hoje (e já são 120 dias) a gestão Jardel Sebba não mostrou sua cara. Falou muito em renovação, em parceria, mas o que se viu até hoje foram as mesmas velhas práticas e caras conhecidas (exceto os secretários importados): descaso com a periferia e investimento no Centro da cidade; investimento no CRAC (para tirar a atenção); descaso com o transporte público; e transformação da cidade em palanque para o Marconi Perillo. A prometida renovação ficou no discurso. Do outro lado o PMDB ainda não se refez da derrota. Não consegue articular a oposição (embora tenha conseguido a presidência da Câmara); não procurou (ou não quer) entender os motivos pelos quais a população quis mudar e desde outubro aposta nesse julgamento para voltar ao poder, sem se incomodar com o desgaste de governar uma cidade cuja maioria da população preferiu outro partido. Normal isso, afinal quem liga para a opinião pública mesmo?

Particularmente não acredito no retrocesso no TSE e acho que Jardel continua prefeito, simplesmente porque ninguém investe a quantia que ele investiu para depender do julgamento de sete pessoas. O homem é um dos mais influentes de Goiás, ex-presidente da Assembleia e Governador Interino por duas vezes, tem uma ótima assessoria jurídica e com certeza tem informação privilegiada, daí o motivo do seu sossego. O duro é continuar prefeito sem poder mandar, já que para ser eleito fez pactos de dar inveja ao diabo e agora os parceiros cobram a fatura, traduzida em total autonomia na pasta que ocupam. Desse jeito é muito sem graça ser prefeito, pois recebe todo o desgaste e não pode fazer nada para mudar a situação, mas ao menos garante o palanque para o padrinho no ano que vem, já que esse é o principal motivo para ser prefeito de Catalão.

E se ocorrer uma reviravolta e os votos de Jardel foram anulados? Quem assume é Adib ou Deusmar? Haverá nova eleição? Caso haja, o candidato do PMDB estaria preparado para superar os motivos que os fizeram perder a eleição ou vai apostar apenas no desgaste desses 120 dias de Jardel? E no caso do PSDB, quem seria o candidato: Rodrigão ou Ana Sebba? Questões que ficarão na cabeça dos catalanos até logo mais à noite. Quem tiver curiosidade de acompanhar haverá transmissão ao vivo do julgamento pela internet (os links estão por aí na blogosfera catalana) e um telão montado no Luizão do Radiador, sintonizado na TV Justiça (canal 117), para o derradeiro capítulo da eleição 2012 em Catalão.

27 de março de 2013

Vivendo de ilusão


No dicionário o significado de ilusão é "engano dos sentidos ou da mente, que faz tomar uma coisa por outra, sonho, devaneio". Assim, pode-se entender que quem vive de ilusão é aquela pessoa que está sempre sonhando, à espera de algo, que vive pensando no futuro e que por isso não age no presente. Pois bem, vivendo de ilusão é como está a oposição (leia-se PMDB) em Catalão: sem reação, sem posicionamento, sem unidade, sem projeto, na expectativa de uma decisão do TSE, que pode virar no tapetão o que as urnas decidiram, mas que também pode afundar de vez as pretensões de Adib e sua turma, caso a decisão seja o contrário do que esperam.

O resultado final de todo processo eleitoral é o surgimento de duas condições: os vencedores se tornam situação, os derrotados se tornam oposição. Isso é normal e ocorre em todas as esferas (municipal, estadual e federal), cabe a cada uma das forças estar preparada para desempenhar o papel que as urnas lhes der, porque o resultado de uma eleição só é conhecido de fato após a contagem dos votos. É bem verdade que aquele que está na situação e é desapeado do poder sofre um baque enorme (primeiro é um sinal de desaprovação, segundo é a perda da capacidade de aglutinar por interesse), mas é preciso estar preparado para o pior, sempre. O que ocorreu em Catalão nas últimas eleições foi, é claro, uma grande surpresa para os PMDBistas (e para grande parte da população), tanto que até hoje não se recuperaram da pancada, mas não pode ser dito que era algo completamente impossível de acontecer, uma vez que os sinais de desgaste já vinham aparecendo (a não reeleição de Adriete, a vitória apertada de Velomar, o crescente aumento da votação de Jardel...), portanto, não justifica a posição recolhida que o PMDB catalano vem demonstrando desde então. 

O partido que por mais vezes já administrou a cidade simplesmente não consegue articular a oposição, não consegue ter um discurso para a sociedade e, o mais importante, não consegue ter uma diretriz para seus membros. Prova disso são as posições atrapalhadas do vereador Daniel do Floresta, que só na última semana apoiou o candidato do PSDB à Coacal, prestigiou a visita do Governador, discutiu com o presidente da Câmara, desagradou um colega edil, também de oposição, ao fazer um convite e fez elogios à atual gestão... atitudes inadmissíveis para um vereador de oposição. É claro que ser oposição não é ser contra tudo que o prefeito quiser fazer, muito pelo contrário, mas  de forma alguma um político de oposição pode prestigiar atividades políticas do adversário. E se nem para os seus o PMDB consegue ter uma referência de conduta, o que dizer do restante da cidade?

É verdade que Deusmar Barbosa, com seus vinte anos de vida pública e vereança, vem conseguindo produzir alguns estragos (o maior foi ter conseguido a presidência da Câmara), mas é muito pouco, principalmente se comparado ao período que o PMDB perdeu a prefeitura para o Euripão e se organizou em massa enquanto oposição, a fim de recuperar a prefeitura no próximo pleito, o que de fato acabou acontecendo. Ao não se organizar como oposição atuante e investir todas as fichas (e expectativas) na decisão do TSE o PMDB catalano passa a imagem de ser um partido sem rumo, sem projeto e que não consegue sobreviver longe do poder, o que é ruim para a cidade, pois se houver uma decepção com Jardel não existirá outra alternativa para a sociedade e a possibilidade dos catalanos embarcarem em uma aventura eleitoreira pode ser enorme, como já conteceu em Anapólis e outras cidades, afinal não existem em Catalão outros partidos com inserção social e capacidade de aglutinação como tem atualmente o PSDB e o PMDB. E se tem algo que os catalanos precisam é de alternativas a essas duas forças, mas isso não surge da noite para o dia e sem oposição atuante vai demorar muito mais.

PS.: E caso a decisão no TSE seja positiva, qual a mensagem o PMDB vai trazer para a maioria da população que o rejeitou? Como mudar um partido e uma gestão tão marcadas por práticas e pessoas características? Isso tem que ser pensado e discutido, mas nem isso os PMDBistas se atrevem a fazer, preferem continuar vivendo na ilusão que caso a Côrte dê o veredicto favorável, a população de Catalão vai aceitar e braços abertos o retorno daqueles que nunca deveriam ter saído. #abreoolhopmdb