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Pensamentos aleatórios

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8 de maio de 2016

Derrota para Jardel: Caroline Nascimento, a professora processada pelo prefeito, tem o seu direito à opinião e crítica reconhecido pela Justiça


Ao publicar o vídeo acima no Facebook expondo sua opinião pessoal sobre as obras do Parque Municipal Santa Cruz, em Catalão, a professora Caroline Nascimento não imaginava a enorme repercussão que o ato teria nem mesmo a reação raivosa e desproporcional que a gestão Jardel despejaria sobre ela através de difamações, intimidações, ameaças e processo, algo descabido vindo de alguém que se diz democrata e aberto ao debate.

Pois bem, Caroline aguentou tudo calada e se manteve firme, não recuou de seu direito de opinião e crítica e teve o reconhecimento da Justiça, que julgou improcedente a ação de Jardel em desfavor dela, sem dúvida uma enorme derrota para o prefeito que com frequência usa desse expediente para intimidar as pessoas que atrevem-se a criticar sua gestão, em especial aquelas que o fazem por meio da internet.

Caroline publicou um desabafo em seu perfil no Facebook, que reproduzo abaixo:


Será que a vitória da bióloga será reproduzida e divulgada maciçamente pelos jardelistas como fizeram com as difamações e o processo sofrido pela professora?

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13 de abril de 2014

O Soldado Invernal: melhor do que "Os Vingadores"

 
O Capitão América sempre foi, fora dos Estados Unidos, um herói de poucos fãs. O seu bom mocismo, beirando a bobeira extrema, e sua identificação com o exagerado patriotismo americano pouco empolgaram aqueles que gostam de quadrinhos, relegando a "Sentinela da Liberdade" a uma posição de coadjuvante de luxo no universo Marvel (quase um Aquaman com escudo). Eis que uma reformulação na casa de ideias atualizou o herói e fez com que ele conseguisse recuperar um lugar no pódio dos bons personagens nos quadrinhos, com destaque para a versão Ultimate (não por acaso é a versão em que se baseia o filme dos Vingadores) e o arco de histórias do Soldado Invernal (A ameaça vermelha e A morte de um sonho), portanto, para quem conhece as HQs, a expectativa com esse segundo filme do bandeiroso era grande, pois juntaria na tela do cinema duas grandes versões do herói. E posso afirmar sem nenhuma dúvida: quem não gosta do Capitão América e resolver assistir sairá do cinema adorando o personagem, pois o filme é ótimo!
 
Os Supremos - versão Ultimate dos Vingadores, responsável pela revitalização do heróis
 
O filme não é sobre um personagem, não é um show de um homem só, como é Homem de Ferro ou O Incrível Hulk. É sobre o universo Marvel, apresentando inúmeros personagens e referências. Conta com uma boa dose de humor, mas não se perde em momentos cômicos. E ainda oferece antagonistas realmente perigosos e temidos.
 
Superando o original Capitão América: O Primeiro Vingador, mas também se aproveitando do tempo que este tomou para construir o personagem principal, a sequência conta com muito mais ação. São várias as cenas de lutas, perseguições, tiroteios e explosões, mas quase sempre investindo no realismo e no combate corpo a corpo (mostrando que o Capitão é tão bom de porrada quanto o Batman - o uso que ele faz do escudo nunca foi tão bem elaborado nos quadrinhos). Apenas na batalha final os efeitos especiais roubam a cena, mas nada exagerado.
 
Esse enorme jato vai cair...
 
A história se passa logo após os eventos ocorridos em Os Vingadores. O Capitão América assumiu importante posto na S.H.I.E.L.D., sendo responsável por missões nas quais suas super habilidades são fundamentais para o sucesso. Ele está sempre discordando da forma como Nick Fury mantém uma série de segredos sobre suas atividades, criticando desde o início o alto investimento em segurança e o desrespeito à privacidade dos outros e destaca que sempre lutou pela liberdade, que agora é ignorada pelos responsáveis pelo controle de inteligência. O tema não poderia ser mais atual, em um mundo de Edward Snowden, WikiLeaks e companhia. O herói conta com a ajuda da Viúva Negra (Natasha Romanoff) e do Falcão (Sam Wilson), tendo que enfrentar uma conspiração que corrompeu toda a  S.H.I.E.L.D. e um vilão bem poderoso e misterioso chamado Soldado Invernal, um ciborgue fortíssimo, implacável e muito habilidoso no uso de armas.
 
O Falcão, grande parceiro do Capitão nas HQs em ótima versão cinematográfica
 
O Soldado Invernal, em seu primeiro e impactante encontro com o Capitão
 
O principal mérito do filme está em oferecer vários personagens e, ao mesmo, tempo não se perder no desenvolvimento da história. Peggy, Sharon Carter, Maria Hill, Arnim Zola e até mesmo Howard Stark são vistos em cena, mas sem diminuir o ritmo. A grande novidade no elenco é Robert Redford como Alexander Pierce, principal nome da S.H.I.E.L.D. e grande amigo de Fury, um personagem complexo e de motivação misteriosa, outro destaque é a participação de George Saint Pierre, astro do UFC, como o mercenário Batroc.
 
O roteiro talvez seja o mais bem desenvolvido dos filmes do universo Marvel, avançando com toda a história e não oferecendo cenas gratuitas. Como dito, o humor marca presença, principalmente na relação entre o Capitão e o Falcão, que é introduzida de forma natural. A dinâmica entre o Capitão e Viúva também é excelente, com ela surgindo quase como que uma irmã mais nova (bem mais nova, uma vez que o herói possui 95 anos).
 
O Capitão e sua irmãzinha...

Não se trata de um filme apenas para os fãs dos quadrinhos, mas tem tudo para agradar quem conhece as HQs, que ficará empolgado com referências à Bruce Banner (Hulk), Stephen Strange (Doutor Estranho) e às indústrias Stark. Como de costume, também há a participação especial de Stan Lee, que surge numa ponta simpática. 
 
O novo filme deixa o caminho preparado para Os Vingadores 2 e para Capitão América 3, apresentando duas cenas pós créditos: a primeira apresentando os próximos vilões do filme dos Vingadores (Barão Strucker, Mercúrio e a Feiticeira Escarlate) e outra, depois de passar todos os créditos, mostrando o Soldado Invernal em uma exposição sobre o Capitão América, observando justamente a parte que fala sobre Buck Barnes, o grande amigo do Capitão, que no primeiro filme morreu após cair de um trem. Essas cenas já são tradição nos filmes da Marvel e, especialmente para os fãs, trazem informações indispensáveis sobre os próximos filmes e personagens na telona. Então, fique preso na poltrona e espere passar todos os nomes, vai valer a pena.
 
Capitão América 2 não é apenas melhor do que Os Vingadores, é simplesmente o melhor filme de um herói da Marvel já feito até então. Tem roteiro e efeitos especiais na medida e apresenta uma versão do herói que vale a pena conhecer e gostar, além de dar o gancho para os próximos filmes da franquia. Imperdível!
 
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13 de julho de 2013

Já viu o novo filme do Superman? Não?! Vá voando assistir!



Fui ontem ao Cine Lumière ver o novo filme do Superman, Man of Steel, embalado pelas críticas positivas que o mesmo vem recebendo da imprensa especializada (em especial a mídia nerd), mas com um pé atrás, pois todo mundo elogiou muito o terceiro Homem de Ferro e, embora tenha sido um bom filme, frustrou um pouco minhas expectativas. Ao final da exibição saí do cinema extremamente embasbacado com o filme: é tudo aquilo que os críticos disseram e muito mais!

Esse novo filme é um reboot da franquia Superman no cinema, portanto ficaram para trás o Clark Kent bobão, a Lois Lane vítima, o Jor-el cientista calminho (ele luta) e a cueca por fora da calça, sendo o design  do novo uniforme do Homem de Aço algo digno de elogios, pois realmente remete a uma vestimenta extraterrestre e não a uma roupa de personagem de luta-livre, mas também estão lá tudo aquilo que faz parte do cânone do Superman: o planeta explodindo; os pais terrestres; a infância e adolescência em Smallville; Metropolis; o Planeta Diário; o descobrimento da verdadeira origem e o controle dos poderes, tudo com uma abordagem atual.

Clark Kent é um jovem atormentado por ser diferente e sai pelo mundo em busca de sua origem e no decorrer do caminho usa secretamente seus poderes para ajudar as pessoas, até o dia em que encontra uma pista sobre seu passado enterrada no polo norte, mesma época em que conhece a jornalista investigativa Lois Lane, ganhadora e merecedora de um prêmio Pulitzer, que em dois tempos descobre a verdadeira identidade do ser misterioso que vem ajudando as pessoas.

A Lois Lane agora é inteligente e tem utilidade real na história.

Essa aliás é uma mudança muito bem vinda na história, pois a Lois que nos acostumamos a conhecer beirava a bobeira e só servia para cair em problemas e ser salva pelo Superman. Nesse filme ela é uma importante e inteligente jornalista, que vai fundo na história e é a ponte entre o alienígena e a humanidade, que desconfia desse ser poderoso vivendo entre nós (outra abordagem atual do filme), afinal quem aceitaria que um sujeito voador e superpoderoso estaria por aí apenas para salvar o mundo sem desconfiar de suas intenções?

E desconfiança da humanidade é tudo que o Homem de Aço recebe, ainda mais depois que uma invasão extraterrestre se avizinha. E nesse ponto pode ser que algumas pessoas estranhem o filme, pois o General Zod vem à Terra atrás do filho de Jor-el (exatamente como no Superman II, de 1980), mas agora com naves espaciais, armas, armaduras e com um pequeno exército de kriptonianos, e não apenas dois parceiros (uma mulher e um brucutu mudo). Mas é uma nova história com uma abordagem atual: os kriptonianos não descem todos para o planeta Terra, pois sentem dificuldades em ficar na nossa atmosfera sem suas armaduras e respiradores, além de não controlarem completamente seus poderes, coisa que o Superman se adaptou e sabe fazer há mais de trinta anos e que Zod aprende no final do filme, com uma explicação convincente, diga-se, e o destaque para Faora, personagem kriptoniana feminina, que luta, destrói  mata e solta algumas das melhores frases do filme (uma delas usada contra ela no final).

Os kriptonianos General Zod, Ursa e Non, no Superman II, de 1980.

Faora, dona das melhores frases. Zod, o general que não diz a clássica frase "Ajoelhe-se perante Zod!".

E é nas lutas que esse Superman prova que é um novo herói. Ele luta e tenta proteger o povo, mas não consegue evitar a destruição causada pelo choque dos enormes poderes. A batalha em Smallville é a melhor comparação com o Superman II para mostrar a atualidade do filme: casas são destruídas; trens explodem; ruas se partem; aviões caem; pessoas morrem, bem diferente da versão de 1980. E na batalha em Metropolis a destruição também é total, remetendo a como seria verdadeiramente uma batalha entre deuses (os fãs do Goku vão adorar).

O filme não é perfeito, é claro. A batalha do Superman com uns tentáculos de aço é bem cansativa e a permanência do segredo da verdadeira identidade dele ficou furada, afinal Lois levou o exército até a fazenda dos Kent para buscar a nave de Kal-el, portanto é inacreditável que ninguém tenha juntado os pontos. Também não há nenhuma cena pós-créditos, para dar a dica do que será o segundo filme (ou se haverá um filme da Liga da Justiça), algo que já nos acostumamos a ver nos filmes da Marvel. E a ausência da música clássica é algo sentido no decorrer do filme, é verdade que ao final nem nos lembramos tanto assim dela, mas como bom nostálgico não poderia deixar de mencionar.

Enfim, Man of Steel é um ótimo filme, atualizando para os novos tempos o mito do Homem de Aço e apresentando um novo Superman, ainda um bom rapaz que quer usar seus poderes para o bem, mas que prova, na luta com Zod, que não medirá o uso de sua força para proteger a humanidade. Vale demais o ingresso adquirido na Digital DVD, até para ver mais de uma vez, pois tem várias referências que podem passar despercebidas e merecem ser vistas: a menção a Lex Luthor (que não aparece no filme); às empresas Wayne; à cena clássica do Superman II (quando Clark apanha de um caminhoneiro); e até à Supergirl, coisas para fãs do Superman ficarem pensando até o próximo filme da franquia que, se repetir a fórmula certeira do primeiro, já tem tudo para ser um enorme sucesso.




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17 de junho de 2013

Governo de Goiás não deixa crítica sem resposta (a não ser que seja do Cachoeira)


Experimente escrever uma carta para o jornal O Popular criticando com veemência algum ponto negativo do Governo do Estado (a reforma do aeroporto de Catalão, parada há três anos, por exemplo); ou o excessivo gasto em publicidade, com propagandas elaboradas e usando atrizes globais; ou mesmo o descaso com a UEG, criada e inflada no primeiro Governo Marconi (1998-2002) e que desde então se encontra sucateada e abandonada; ou então experimente enviar um texto de opinião para o Diário da Manhã com as mesmas críticas, ou mesmo publicar sua opinião contrária em alguma rede social ou em um site bastante acessado. O resultado não demorará e virá em forma de intimação judicial, convocando a uma retratação, exigindo o pagamento de pesada indenização e o impedimento de fazer novas críticas. Esse é o modelo de ação adotado pelo Governo do Estado quando surge alguma opinião que desagrade ao Governador Marconi Perillo. 

E já sentiram o peso de sua reação o jornalista Luiz Carlos Bordoni, a jornalista de O Popular, Fabiana Pulcinelli, o blogueiro de Catalão, Mamede Leão, e mais de uma dezena de jornalistas e cidadãos comuns, processados com todo o peso do estado simplesmente por expor sua opinião sobre o Governo que, é bem provável, contou com o voto deles para estar no poder. Portanto, toda e qualquer opinião contrária ao Governo de Goiás deve ser emitida com o maior cuidado e escolhendo-se muito bem as palavras, pois o contraditório não é mais permitido, a não ser, é claro, que quem critique (ou ameace) seja o senhor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que em bom e claro português fez pesadas críticas ao Governo, num dos principais veículos de comunicação do estado, que repercutiu na imprensa do país inteiro, mas que estranhamente, ao contrário de blogueiros, jornalistas e cidadão comuns, não teve nenhuma reação do Palácio das Esmeraldas.




A própria Fabiana Pulcinelli levantou a questão em sua coluna no O Popular de hoje. 

É evidente que o Governo do Estado faz de tudo para fugir de qualquer resquício da crise política provocada ano passado pelo caso Delta/Cachoeira (até mesmo pela fiasquenta CPI) e vem tentando criar uma agenda positiva para superar os desgastes, mas ficar acuado como na semana passada diante das ameaças do contraventor Carlos Cachoeira em vez de afastar provoca efeito contrário: aproxima ainda mais o “fantasma” que atingiu a gestão no ano passado.

O natural em qualquer governo seria uma reação, um contra-ataque à ofensiva de alguém que foi condenado a 39 anos de prisão por formação de quadrilha e corrupção ativa, ficou preso oito meses por conta da Operação Monte Carlo e ainda tem outros processos nas costas. No caso do governo goiano, o silêncio fala ainda mais alto já que historicamente não deixa passar nada batido.

A opção por se calar levanta dúvidas sobre os receios do governo e, mais ainda, sobre o comportamento dos governistas nos bastidores – se e como agiram para acalmar os ânimos. O acuamento alimenta especulações. E o governo, que investe tanto na área de comunicação, sabe bem disso. E não se manifestou.

O tempo socorrerá apenas quem dele fizer uso com extrema rapidez para reparar a agressão proferida. Depois de entrar na arena para digladiar não permitirei recuo de quem quer que seja e só sairei dela vitorioso ou morto”, disse Cachoeira, em artigo publicado na terça-feira (11/06) no jornal Diário da Manhã, manifestando insatisfação pelo tratamento dispensado à mulher, Andressa Mendonça, após festa beneficente no Palácio das Esmeraldas.

Cachoeira exige reparação, ameaça, fala em bandidos, caixa de Pandora e sangrias dentro do governo, e diz que não conhecem o peso de sua mão. “Se quiserem saber onde estão os maiores problemas e as principais sangrias dentro desse governo é só encarar a briga que estou pronto para o embate. Em bom brasileirês falo com a cabeça erguida e com o peito arfante: cai pra dentro quem quiser que eu sustento o desafio. Escolham as armas. A verdade, que liberta e quebra paradigmas, mostrará ao povo goiano os erros cometidos ao longo dos anos e dará o norte da reparação e do caminho certo.

Por textos ou palavras muito menos agressivas e constrangedoras, o governo moveu processos e ordenou respostas imediatas de aliados.

Questionado no ar, na rádio CBN, o presidente da AGETOP, Jayme Rincón, disse que o Governo está em “momento especial”, de colher resultados, e que não quer entrar em polêmicas. “Não devemos entrar em nenhum tipo de polêmica nem responder provocações. Isso não leva a absolutamente nada. Temos de trabalhar. É a determinação do Marconi e a filosofia de toda a equipe.” Pode até ser verdade, mas seria mais convincente se o Governo agisse assim também em todos os casos. E evitar polêmicas não combina em nada com o episódio recente em que o governador chamou o ex-presidente Lula de canalha em evento do PSDB.

Ontem, Carlos Cachoeira disse ao jornal O Popular que foi proibido de falar mais sobre isso pelos advogados e que considera o “assunto encerrado”, ainda que oficialmente não tenha havido reparações. Já não se esperava mesmo que falasse, até porque Cachoeira já fez outras ameaças anteriormente – contra o PT, inclusive –, sem de fato falar nada. Faz parte do jogo dele. Mas os efeitos do artigo mostram um governo na defensiva, acuado, preocupado e fragilizado. Quase refém.

Será por medo dos milhões de Cachoeira, ou do que está em sua cabeça?



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5 de junho de 2013

Faroeste Caboclo, eu vi o filme


Fui ontem ao Cine Lumière ver o filme Faroeste Caboclo, com bastante expectativa. Eu, assim como qualquer pessoa que tenha sido fisgada pela introdução de voz e violão, e que sabia de cor os 168 versos que narravam a epopeia de João de Santo Cristo na música “Faroeste Caboclo” sempre imaginei: "essa história daria um bom filme". Eis que vinte e seis anos depois do lançamento da música a saga de João de Santo Cristo ganha as telas de cinema, tendo tudo para ser o melhor filme nacional de todos os tempos, afinal toda uma geração estava esperando para VER essa história. Chegado o filme a grande questão é: cumpriu as expectativas?

Pra início de conversa: o filme é bom! Quem lembra da música e esperava um clipe alongado, esmiuçando todas as passagens, pode se decepcionar (cadê o boiadeiro em Salvador que ia perder a viagem?), mas a escolha do diretor (Renê Sampaio, em o seu primeiro trabalho) de fugir do tom ambicioso e populista da letra de Renato Russo se mostrou acertada. Estão lá a winchester 22, Pablo, Jeremias, Maria Lúcia, o lote 14 da Ceilândia e muito mais, só que João (Fabrício Boliveira, excelente no papel) não é mais o mártir de uma sociedade corrompida (que queria falar com o presidente para ajudar toda essa gente), ou o porta-voz de um Brasil miserável, negligenciado: é, ele próprio, um desses esquecidos; homem que conheceu apenas a brutalidade da miséria e da violência, mas que experimentou brevemente, ao lado de Maria Lúcia (Ísis Valverde, linda), outra vida e outro ideal, que lhe inspiraram o recomeço. Projeto fracassado, porque o passado de João, suas origens, sua cor, lhe anulam o presente e lhe negam o futuro, num Brasil anacrônico, quase selvagem, do início dos anos 80, que lembra, no entanto, em muitos aspectos, o de hoje.

A aposta na atualidade da canção, sem segui-la de forma literal, foi uma ideia acertada. Se o filme que passa na tela não lembra em muito o que eu imaginava ao ouvir a música, isso se deve ao fato de que a trama imaginada por Renato Russo funciona apenas, e tão somente, na música. A ideia do “bom bandido”, vítima da sociedade, já não faz sentido hoje, e cenas como a do duelo midiático, da “via-crúcis que virou circo”, menos ainda. O João de Santo Cristo do filme morre sozinho, sem espetáculo, como acontece cotidianamente no cenário da violência urbana brasileira.

Essa é a proposta do filme. Mas o roteiro falha em pontuar cenas cruciais da trama, o que acaba por prejudicar o belo trabalho. O tom exagerado de western do final (talvez para justificar o título) destoa do realismo do restante do filme. Tá certo que tem “Faroeste” no nome da música, mas a cena poderia ser mais sutil. Também é muito mal bolada a cena da desajeitada emboscada de João e Pablo a Jeremias (o sujeito estava escondido e vai a uma "roconha" promovida pelo inimigo?), mas as belas cenas de romance de João com Maria Lúcia, ou as inserções da infância do protagonista (com destaque para as passagens com seu pai), a bela fotografia e a reconstituição de época (da Brasília dos anos 80) garantem a satisfação visual, por isso mesmo acho que quem não conhece a música pode gostar mais do filme, porque qualidades ele tem de sobra.

Enfim, Faroeste Caboclo é um bom filme; competentíssimo na parte técnica, com ótimas interpretações dos atores e boa direção, mas acaba não atingindo as alturas que o seu começo prometia. No filme quem conta a história é o próprio João de Santo Cristo, que todos sabemos vai a morrer no final, mas o clímax desperdiçado acaba frustrando as expectativas e fica uma sensação de que faltou algo. Até quis esperar os créditos passarem (única hora em que a música toca) para ver se havia uma cena adicional que completaria o final do filme, mas as luzes foram acesas e a projeção interrompida. 

Compensa gastar o ingresso do Bretas para ver o filme? Sim, compensa! Mesmo o final deixando um gostinho amargo, ver na tela grande uma história tão conhecida e aguardada compensa as falhas no roteiro, além do fato de João contar a própria história deixar a gente imaginando que ele poderá escapar de sua sina e ser feliz com Maria Lúcia, o que não acontece, diga-se, mas bem que poderia.

Bônus: Para quem não lembra, ou não conhece a música, segue um clipe, contando numa animação joia a história de João de Santo Cristo: