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Pensamentos aleatórios

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13 de outubro de 2018

Texto para reflexão: Medo por medo, dá Bolsonaro*

No segundo turno, quando não há sonho a ser vendido, se não há esperança, prevalece o antivoto: o eleitor favorita um inimigo e vota no outro. A campanha, nessas ocasiões, resume-se a demonizar o adversário mais do que o adversário demoniza você. O melhor jeito de fazer isso é disseminar o medo entre os carentes, e o ódio entre os potentes. Quem pode odeia; quem não pode teme. Medo por medo, ódio por ódio, Bolsonaro ganha.

Desde 2015, o ódio ao vermelho veste amarelo – salvo nas cortes, onde adota-se o preto. O amarelo-ódio é dominante em manifestações públicas, como foi no dia do primeiro turno. É vistoso e chamativo, mas não decide a eleição. Como quem não pode é muito mais numeroso do que quem pode, sempre que não há esperança, o medo – não o ódio – é decisivo para ganhar a Presidência. Foi em 1998 para o antiPT e em 2014 para o PT.

Medo de quê?

Os 16 pontos de vantagem de Bolsonaro no Datafolha indicam que o medo não é de Haddad, mas do PT. A grande maioria dos eleitores não conhece Haddad o suficiente para odiá-lo nem para temê-lo. Não nessa intensidade e quantidade. Se não é da pessoa física, só pode ser da jurídica. É manifestação do antipetismo, e isso diferencia a eleição de 2018 das outras em que o medo venceu.

Em 1998 e 2014, era o medo de perder, devidamente manipulado pelas campanhas dos incumbentes. Primeiro, o medo de perder o real e a estabilidade econômica conquistada havia só quatro anos após décadas de caos inflacionário. Dezesseis anos depois, foi o medo de perder o Bolsa Família, o acesso a crédito e ao consumo.

Em 2018, diferentemente de 1998 e 2014, não há incumbente para chantagear o eleitor. O governo Temer não é notícia, não é assunto, não é mais nada. Ainda antes de acabar, virou daqueles interregnos entre mandatários eleitos aos quais os livros dedicam meio parágrafo só para constar. Café pequeno. Colaboradores e co-conspiradores de Temer que enfrentaram as urnas foram banidos pelo eleitor, como ele será pela história.

Como o poder não admite vácuo, os partidários de Bolsonaro conseguiram assumir a manipulação do medo na eleição, com muito mais competência do que os petistas. Trocaram a tela da tevê pelo celular, o Facebook pelo WhatsApp e aterrorizaram. Espalharam o medo de o Brasil virar uma Venezuela, de o PT criar uma ditadura de esquerda e até da ressurreição do comunismo. Experimentaram com sucesso durante o locaute/greve dos caminhoneiros e, a partir dali, se tornaram os reis do Zap.

O WhatsApp é um território sem lei, sem informação e estranho a qualquer tentativa de controle. Ao contrário das outras mídias sociais, ali não se sabem o volume de dados ou de mensagens, como elas circulam, nem de onde vêm ou para onde vão. Presente em todas as revoltas e movimentos que derrubaram governos desde os protestos de Londres e da chamada Primavera Árabe, esse tipo de plataforma de mensagens instantâneas parecia uma arma contra regimes totalitários mas se tornou o cemitério da democracia.

Os grupos de WhatsApp são o veículo principal da desinformação, dos boatos, da injúria e da calúnia. Não são usados por um lado só, obviamente. Mas a tentativa do PT de posicionar-se nessa batalha associando a eleição de Bolsonaro ao medo da volta da ditadura militar no Brasil, da censura, da tortura e de outros terrores não teve nem metade do efeito que seus adversários conseguiram. É uma campanha sem rumo, uma guerra quase perdida.

Nem todo eleitor de Bolsonaro acredita que o Brasil vai virar uma edição aportuguesada do caos venezuelano, porém. Para a maioria, o medo é outro, mais difuso e difícil de combater. Seu temor é o de que a eleição de Haddad seja mais do mesmo. Que reeleger o PT implique manter o status quo, signifique alimentar os vícios do presidencialismo de coalizão à brasileira. Enfim, confirmar o toma lá dá cá partidário e a corrupção generalizada.

Para esse eleitor, não adianta argumentar que o PT não inventou os esquemas corruptos das empreiteiras nem foi o único partido que roubou. Basta ver o que esse eleitorado fez com o PSDB e com o MDB no primeiro turno. Impôs a esses partidos as maiores derrotas eleitorais de suas histórias. Se não colocou em risco sua existência, dizimou a influência política de seus caciques.

Para a maioria do eleitorado, como se depreende pelos 58% a 42% do Datafolha, o PT não oferece sonho, uma perspectiva de melhora que seja e nem sequer é um mal menor. Os 58% preferem arriscar-se no desconhecido, no novo, mesmo que o novo tenha cara de velho, gosto de passado e cheiro de bolor. Para essa maioria, se Bolsonaro representa a dúvida, o PT é a certeza do continuísmo.

O desejo de mudança que não conseguiu ser liberado na eleição presidencial de 2014 – menos pelos méritos do PT do que pela incompetência de Aécio Neves e dos tucanos – acumulou ainda mais pressão ao longo dos quatro últimos anos de crise sem fim e economia andando para trás. Está entrando em erupção agora. Interromper seu fluxo é tão fácil quanto tapar um vulcão.

O mais provável é que os problemas de Bolsonaro apareçam só depois do segundo turno. A decadência da popularidade do PSDB e do PT veio na sequência de suas vitórias baseadas na manipulação do terror eleitoral. Se as eleições de 1998 e 2014 ensinam alguma coisa é que o medo elege mas não governa.

Só com ditadura.

*Por Roberto Pompeu de Toledo, no site da Piauí.

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Um texto para reflexão: Por que votamos em Hitler*

Por que a Alemanha, o país com um dos melhores sistemas de educação pública e a maior concentração de doutores do mundo na época, sucumbiu a um charlatão fascista?


Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Hitler era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. Como escreveu em seu livro "Minha Luta":

Toda propaganda deve ser apresentada em uma forma popular (...), não estar acima das cabeças dos menos intelectuais daqueles a quem é dirigida. (...) A arte da propaganda consiste precisamente em poder despertar a imaginação do público através de um apelo aos seus sentimentos.

Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que surgiram por volta de 1920, época em que as mulheres se tornavam cada vez mais independentes, e a comunidade LGBT em Berlim começava a ganhar visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Hitler eram todos homens heterossexuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez em quando, quebrar vitrines de lojas, cujos donos eram judeus, para reafirmarem sua masculinidade.

Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que tinham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, segundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores comunistas. Os judeus - que representavam menos de 1% da população total - eram o bode expiatório favorito. Os alemães "verdadeiros" não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado em slogans fáceis de lembrar: "Alemanha acima de tudo", "Renascimento da Alemanha", "Um povo, uma nação, um líder."Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Hitler porque ele prometeu -- e implementou -- um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiava grupos de interesses especiais. Os industriais ganharam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Hitler.

Em sétimo, mesmo antes da eleição de 1932, falar contra Hitler tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos alemães que não apoiavam o regime preferiam ficar calados para evitar problemas com os nazistas.

Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo. “Se soubesse que ele mataria pessoas ou invadiria outros países, eu nunca teria votado nele ”, contou-me um amigo da minha família. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Hitler falou publicamente de enforcar criminosos judeus durante a campanha?”, perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, minha avó, cujo irmão morreu na guerra, responderia.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade alemã.

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou anti-semitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

*Por Oliver Stuenkel, nascido em Düsseldorf, é professor e pesquisador de relações internacionais da FGV. Graduado pela Universidade de Valência, na Espanha, é mestre em Políticas Públicas pela Kennedy School of Government de Harvard University, e doutor em Ciência Política pela Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, publicado originalmente no site do El País.

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24 de setembro de 2018

Voltando às atividades...


Não, o blog não morreu!!!

Hoje, 24 de setembro, após um longo período sem atualização consegui produzir uma charge para publicar no blog.

Uma coisa que me chamou a atenção é que mesmo após seis meses, desde o dia 10 de abril, sem nenhuma atualização no site houve visitas à página neste período, o que me motivou a me esforçar e voltar com as publicações, afinal eu tenho leitores fieis (poucos, mas tenho) e o respeito com eles e elas também pesou.

Um esclarecimento é necessário: ao voltar para a UFG e assumir a Chefia de Gabinete da Direção o volume de trabalho e dedicação necessárias para bem desempenhar a função me obrigaram a dar um tempo neste hobby que eu gosto muito, mas após seis meses de adaptação consegui reorganizar a rotina de trabalho e estudos (um Mestrado vem aí) para voltar a produzir charges e textos para publicação.

Além disso, o atual quadro político-eleitoral obriga todo cidadão a se manifestar e como o foco do blog é política não poderia ficar uma eleição inteira sem escrever nada (embora a eleição seja daqui a 13 dias e, do jeito que vai, caminha pra terminar tudo no primeiro turno).

Mas isso é assunto pra outro momento, o que interessa é que o Blog Bão pra Sabão está voltando às atividades e espero que os fieis leitores voltem a prestigiar essa página que não tem notícia de acidente, morte, mulher pelada, sexo explícito e outros clickbaits, mas de opinião e análise dos fatos, pois, na maioria das vezes, o que realmente interessa está nas entrelinhas e não nas manchetes.

Um fraterno abraço!!!

22 de novembro de 2017

Como os sem-votos se articulam para continuar a mandar no País

Por Cileide Alves, no Trendr

Obra Proclamação da República, de Benedito Calixto, sem a presença do povo

O que leva um presidente da República e um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) a se reunirem nos fins de semana, fora da agenda oficial de ambos, para, supostamente, discutirem a mudança do regime presidencialista para um modelo misto, chamado de semipresidencialismo? (Confira aqui a diferença entre o sistema presidencialista e o semipresidencialista.)

O último encontro entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o ministro do STF, Gilmar Mendes, para discutir o tema — a se acreditar na versão oficial sobre a reunião sem testemunhas — aconteceu em 12 de novembro, três dias antes da comemoração da Proclamação da República. Temer e Gilmar também falaram com o presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), e ficaram de conversar com Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, sobre um projeto a ser incluído na pauta do Congresso Nacional.

Só que a mudança do sistema de governo não faz parte da agenda nacional. O Brasil clama por melhoria na qualidade dos serviços públicos; pela redução da fragmentação partidária; discute as reformas trabalhista e previdenciária, o financiamento das campanhas eleitorais; defende a continuidade das investigações da Operação Lava Jato e o combate à corrupção; o fim da impunidade e do foro privilegiado para autoridades; indigna-se com a suspensão das prisões de três deputados estaduais pela Assembleia do Rio de Janeiro e a votação do Senado que derrubou a decisão do STF afastar o senador Aécio Neves etc.

Se o sistema de governo não está na agenda nacional, por que ganhou prioridade na agenda do presidente da República e de seu amigo ministro? Uma resposta óbvia é a relevância do assunto para os dois e para o grupo político no entorno deles. O discurso do presidente Michel Temer em Itu, na quarta-feira (15), em comemoração à Proclamação da República (1889) apresenta uma trilha para compreensão dos fatos.

Depois de dizer que “nós” (supostamente o povo ou o Brasil) temos uma “tendência a caminhar para o autoritarismo”, o presidente declarou: “Aqui [em Itu, em 15/11/17] nós inauguramos uma fórmula [a Proclamação da República] que a rigor deveria impedir os movimentos centralizadores que se deram no histórico que eu fiz [ele acabara de historiar os movimentos autoritários, desde a instituição da República no Brasil até o golpe militar de 1964]. O ideal seria que nunca tivéssemos essa centralização, autoritarismo em certos momentos que houve no passado.”

Esse discurso diz menos sobre a história do Brasil e muito mais sobre o próprio Temer e o grupo que está no poder. Na realidade, Temer lidera um movimento centralizador no Brasil atual e é neste cenário que entra essa articulação em prol da mudança do sistema de governo a despeito de o povo — o “nós” da frase do discurso presidencial — já ter rechaçado a mudança em dois plebiscitos, em 1963 e em 1993.

No livro Getúlio 1882–1930 — Dos anos de formação à conquista do poder,o escritor Lira Neto, afirmou que para Getúlio Vargas, “os parlamentares eram ‘anárquicos’ por natureza e, por isso mesmo, incapazes de responder pelos rumos de um país”. Apesar do ataque de Getúlio ao parlamentarismo ter sido em outro contexto (na época ele já defendia um governo “produto de um só cérebro”, o que fez durante a ditadura do Estado Novo, a partir de 1937), parece não ser de todo equivocada essa visão da natureza “anárquica” do Parlamento brasileiro.

“A origem dos problemas [do Brasil] está no mau funcionamento do sistema partidário”, diagnosticou com precisão o português Jorge Reis Novais, professor de Direito Constitucional da Universidade de Lisboa e um dos maiores especialistas sobre o tema em seu País. “Enquanto aqui na Europa existe o que chamo de disciplina partidária, os partidos brasileiros não se distinguem entre si pela ideologia. É um sistema muito personalizado. Vota-se no candidato, não no partido. A tendência para a instabilidade e a ingovernabilidade é muito mais forte. Isso inviabiliza qualquer forma de governo”, disse à BBC.

O produto desse mau funcionamento é um Parlamento “anárquico”, a quem Temer e Gilmar Mendes querem entregar parte do naco de poder de um presidente da República. Então por que essa agenda de proveta? Porque Temer sabe da dificuldade de seu grupo continuar no poder. Articula essa mudança não por fidelidade ao País, a seu povo, de quem não teve votos para chegar ao Palácio do Planalto e de quem tampouco tem apoio para governar. Ele age em prol do chamado establishment político e econômico que apoiaram tanto o impeachment como seu governo.

Temer chegou ao Planalto pelos meios institucionais, mas isso não muda o fato de que ele não foi votado. Vice-presidente não recebe votos. Ninguém vota em vice, muito menos escolhe um candidato a presidente ou deixa de votar nele por conta de seu colega de chapa. Um vice não precisa se comprometer com propostas de governo. Temer encontra-se nesta posição, não tem compromisso com a população, que, aliás, rejeita seu governo. Ele tem compromisso com os parlamentares e com as elites políticas e econômicas que lhe dão sustentação. Ele governa para esse “eleitorado”. Aí chegamos às causas do semipresidencialismo.

Mesmo “anárquico”, fragmentado entre vários partidos, dominado por esquemas nada republicanos, e divorciado da sociedade, o Parlamento ganharia mais protagonismo na era pós-Temer com o semipresidencialsimo. As pequenas alterações aprovadas pela minirreforma eleitoral não permitirão grandes mudanças na composição do atual Congresso Nacional. E mesmo que o eleitor faça uma aposta histórica na eleição presidencial de 2018, o futuro presidente perderia poder para o mesmo Parlamento que está em profunda rota de colisão com a sociedade.

Está claro para este grupo que está no poder que ele consegue manter o controle do Parlamento mesmo depois de 2018, mas que dificilmente conseguiria eleger um presidente da República em eleição direta. Daí a invenção do semipresidencialismo de proveta.

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4 de outubro de 2016

Quem vai sobrar na oposição ao Adib?

Publicado em 4 de outubro de 2016, no Blog do Mamede.


Sousa Filho resistirá?
 
Gente boa do Blog, verdade é que o prefeito Adib Elias não precisará de vereador da oposição, elegeu 10 dos seus, mas sempre é bom governar sem maiores dissabores e evitar aqueles bate boca que geralmente não levam a nada na Câmara e vereador olhando balancete, conferindo empenhos e analisando gastos pode ser preocupante e claro principalmente cobrando a realização das promessas.

Como foram sete vereadores eleitos pela oposição, fazendo uma analise rápida logo vem uma pergunta, tudo indica que sobrará mesmo a Souza Filho fazer oposição sistemática a administração do prefeito Adib Elias e somente a ele.

Primeiro, porque ele é o único que tem uma ligação poderíamos dizer assim umbilical com a administração do prefeito Jardel Sebba, como Sebba irá virar saco de pancada nos próximos meses, Souza terá a difícil tarefa de defendê-lo.

Segundo, o problema de Souza com Adib é pessoal, Adib já cantou em verso e prosa aquele episódio lá de Goiandira, chegou a dizer que levou marmitex para o Souza e que tem uma vontade enorme em perguntar quantos metros quadrados mede a cela da cadeia local.

Terceiro e último, dos eleitos pela oposição nenhum dos demais tem o cacique, a coragem e a capacidade intelectual que Souza tem para o debate e para o confronto, se não vejamos:

Marcelo Mendonça (REDE) é expert em ficar em cima do muro e não ir para o embate é com ele mesmo, é um membro típico da REDE, “não sei se vou, ou se fico, só sei se for não ficarei” algo assim, sem definição mesmo.

Segundo alguns PMDBistas já está negociando com o PMDB o voto em Deusmar, como foi no passado e nos mesmos moldes, é presa fácil e Adib sabe como arrastá-lo para o seu lado, apesar que saiu do PMDB as denúncias de que Marcelo estava envolvido na contratação de empresas fantasmas na Secretaria de Meio Ambiente, um dossiê sobre isso, está guardado na gaveta esquerda da mesa de Adib em sua sala no comitê e segundo os PMDBistas poderá ser desengavetado se necessário for.

Paulo Arruda, nunca foi político e não será daqueles que usarão os argumentos para se posicionar, até porque será difícil tê-los.

Rosângela dos diabéticos, servirá principalmente e essencialmente para melhorar o visual da casa, porém é inteligente, sabe muito bem se expressar e poderá no futuro pegar gosto pela coisa, mas nada nas preliminares.

Leonardo Bueno, já foi do lado de Adib Elias, depois passou para o lado de Jardel, voltou para o Adib e novamente está com o Jardel, não é chegado a ideologias e muito menos a pormenores, foi esperto e sagaz ao ponto de deixar seus ex colegas de vereança a ver navios. Ele não se queimará fácil.

Luiz Pamonheiro, é gente humilde, simples, trabalhador, sua especialidade vender pamonha que por mais que seja digno e é, não resistirá aos gracejos, imagine vocês se Adib fizer uma proposta que servirá pamonha frita, assada e derivados na merenda escolar?

Pedrinho não dará ouvidos a oposição e muito menos usará sua voz para ficar do lado de Jardel Sebba, vereador de resultados irá facilmente encabeçar a lista dos que “adibaram” em prol da população.

Assim, Adib Elias caminha para reinar absoluto na Câmara de Vereadores.

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19 de julho de 2016

Escola sem partido?!

Como pensa o defensor do "Escola Sem Partido":

1) Rezar o Pai Nosso antes de começar as aulas é OK; defender educação laica é "doutrinação ateísta";



2) O aluno ostentar tênis, mochilas e roupas caras na escola é OK; problematizar a sociedade de consumo e a desigualdade social é "doutrinação comunista";

3) O menino fazer piadinhas com o outro porque é "afeminado" é OK; trabalhar conceitos éticos ligados à diversidade sexual e o problema do bullying é "doutrinação gaysista";

4) A menina ser repreendida na escola por sentar de perna aberta ou usar roupas consideradas muito curtas é OK; pensar o "recato" como aspecto de uma cultura patriarcal é "doutrinação feminista";

5) Viver os valores hegemônicos da cultura local é OK; questionar a sua validade universal é "doutrinação ideológica";

6) O menino negro ser excluído da turminha é OK; identificar o racismo e explicá-lo historicamente é crime de "doutrinação racista contra branco";

7) Chamar Oxum, Oxossi, Iemanjá e outros orixás de demônios é OK; promover estudos a respeito da diversidade religiosa na escola é "doutrinação satanista";

8) Defender porte de armas e pena de morte é OK; falar de cultura de paz, tolerância e direitos humanos é "doutrinação esquerdista";

9) O menino adolescente assistir pornografia na Internet é OK, coisa da idade mesmo; conversar sobre sexualidade humana e ética sexual na escola é "doutrinação pornográfica";

10) Cantar o hino nacional, cultuar Tiradentes e Dom Pedro II é OK; estudar história considerando os conflitos sociais é "doutrinação marxista".

Se não está convencido veja a opinião do filósofo Leandro Karnal, que em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, afirmou que "esta história de escola sem partido é uma asneira sem tamanho".


O Senado abriu uma consulta pública sobre o projeto, participe!!!

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18 de abril de 2016

As lições que o dia de ontem deixou para pensar o nosso voto amanhã

Compartilho aqui no blog um excelente texto da jornalista Cileide Alves sobre o dia de ontem, que vale demais como reflexão e para pensar o voto nas eleições deste ano:

Cunha mirou um alvo, acertou outro
Sem querer o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ofereceu ao Brasil uma grande oportunidade ao realizar a sessão de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff em um domingo para o brasileiro acompanhar ao vivo.
Cunha mirou em um alvo. Queria que o Brasil parasse em frente à TV e, assim, constrangesse os parlamentares contrários ao impeachment a votar a favor da presidente. Difícil saber se esse alvo foi atingido. A julgar pelos discursos eloquentes de todos os que votaram no governo, parece que não houve constrangimento.
O presidente da Câmara, entretanto, acertou outro alvo. A sessão deste domingo (17) foi extremamente educativa. A transmissão ao vivo permitiu aos brasileiros conhecer melhor seus representantes no Parlamento. E o que viram não foi nada interessante.
As declarações de voto da imensa maioria dos deputados revelaram a baixa qualidade política dos nossos representantes e beiraram à bizarrice ou a uma ópera bufa. Houve declaração de voto pelo aniversário da neta, oferecimento à mulher, a pais e mães, a filhos, netos, tios, sobrinhos, todos citados nominalmente. Votos pela “família quadrangular”, pelos “fundamentos do cristianismo”, pelos princípios que ensinou à filha, a Deus etc. Teve cenas hilárias, como a do deputado que levou o filho para votar por ele. Cunha agiu rápido e o impediu. O voto do dito cujo era pelo impeachment e poderia ser anulado.
Todavia nem tudo foi piada. Houve momento de terror: o voto do deputado Jair Bolsonoro (PSC-RJ). “Eles perderam em 1964 e vão perder em 2016”, disse ele comparando o atual momento político brasileiro com a vitória do golpe militar. Disse que derrotaria “os comunistas” e prestou homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, e um dos maiores representantes dos torturadores da ditadura militar.
A população espera mudança, acredita que o país viverá uma nova história a partir da aprovação do impeachment por 367 votos favoráveis, 137 contrários, 7 abstenções e 2 ausências. No entanto, não há como nos iludir. Assistindo aos discursos ficamos cara a cara com quem nos representa. Não sou ingênua, mas até eu que sou veterana em coberturas políticas me assustei com esse encontro, sem intermediário, com os deputados. A população, mais distante desses círculos, deve ter se assustado mais ainda.
Vimos parlamentes despreparados, sem formação política, sem treino para a oratória, que deveria ser uma das qualidades de um bom político. Muitos berraram, pois confundem contundência política com grosseria. Ouvimos falar muito do “baixo clero”, mas poucos sabem bem o que é baixo clero e seu tamanho. A sessão deste domingo confirmou que ele existe e que é bem maior do que poderíamos imaginar.
Então me pergunto: como eles conseguiram passar no “vestibular” da eleição se são tão incapacitados para o exercício da função parlamentar? Uma das respostas pode estar no financiamento das campanhas. Ressalvando as exceções de meia dúzia de parlamentares que se elegeram pelo conjunto de seus trabalhos, a maioria chegou lá graças a caríssimas campanhas eleitorais. Em 2014, ouvia-se no meio político que a eleição de um deputado federal não custaria menos de R$ 4 milhões. Óbvia a conclusão de que com dinheiro não é necessário ter preparo para o exercício da função. Basta ter ricos doadores. É como comprar o mandato.
Dilma Rousseff caiu na Câmara, e certamente cairá no Senado, mas essa mesma Câmara que conhecemos hoje continuará lá. Nós devemos um agradecimento especial ao Eduardo Cunha por ter nos possibilitado ficar face a face com os parlamentares que ele lidera. Tomara que essa exposição por seis longas horas pela TV contribua para que nós eleitores melhoremos a qualidade de nosso voto. Não podemos nos esquecer do aprendizado de hoje para qualificar a nossa escolha nas eleições. E já, na eleição de outubro.

Cileide Alves é jornalista, especializada em política, e mestre em História pela Universidade Federal de Goiás. cileide.alves@gmail.com

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18 de março de 2016

O suicídio da Lava Jato

Por Vladmir Safatle


O juiz Sérgio Moro conseguiu o inacreditável: tornar-se tão indefensável quanto aqueles que ele procura julgar. Contrariamente ao que muito defenderam nos últimos dias, suas últimas ações são simplesmente uma afronta a qualquer ideia mínima de Estado democrático. Não se luta contra bandidos utilizando atos de banditismo.

A divulgação das conversas de Lula com seu advogado constitui uma quebra de sigilo e um crime grave em qualquer parte do mundo. Não há absolutamente nada que justifique o desrespeito à inviolabilidade da comunicação entre cliente e advogado, independente de quem seja o cliente. Ainda mais absurdo é a divulgação de um grampo envolvendo a presidente da República por um juiz de primeira instância tendo em vista simplesmente o acirramento de uma crise política.

Alguns acham que os fins justificam os meios. No entanto, há de se lembrar que quem se serve de meios espúrios destrói a correção dos fins.

Pois deveríamos começar por nos perguntar que país será este no qual um juiz de primeira instância acredita ter o direito de divulgar à imprensa nacional a gravação de uma conversa da presidente da República na qual, é sempre bom lembrar, não há nada que possa ser considerado ilegal ou criminoso.

Afinal, o argumento de obstrução de Justiça não para em pé. Dilma tem o direito de nomear quem quiser e Lula não é réu em processo algum. Se as provas contra ele se mostrarem substanciais, Lula será julgado pelo mesmo tribunal que colocou vários membros de seu partido, de maneira merecida, na cadeia, como foi no caso do mensalão.

Lembremos que "obstrução de Justiça" é uma situação na qual o indivíduo, de má-fé e intencionalmente, coloca obstáculos à ação da Justiça para inibir o cumprimento de uma ordem judicial ou diligência policial. Nomear alguém ministro, levando-o a ser julgado pelo STF, só pode ser "obstrução" se entendermos que o Supremo Tribunal não faz parte da "Justiça".

A fragilidade do argumento é patente, assim como é frágil a intenção de usar um grampo ilegal cuja interpretação fornecida pelo sr. Moro é, no mínimo, passível de questionamento.

Na verdade, há muitas pessoas no país que temem que o sr. Moro tenha deixado sua função de juiz responsável pela condução de processo sobre as relações incestuosas entre a classe política e as mega construtoras para se tornar um mero incitador da derrubada de um governo.

A Operação Lava Jato já tinha sido criticada não por aqueles que temiam sua extensão, mas por aqueles que queriam vê-la ir mais longe. Há tempos, ela mais parece uma operação mãos limpas maneta.

Mesmo com denúncias se avolumando, uma parte da classe política até agora sempre passa ilesa. Não há "vazamentos" contra a oposição, embora todos soubessem de nomes e esquemas ligados ao governo FHC e a seu partido. Só agora eles começaram a aparecer, como Aécio Neves e Pedro Malan.

Reitero o que escrevi nesta mesma coluna, na semana passada: não devemos ter solidariedade alguma com um governo envolvido até o pescoço em casos de corrupção. Mas não se trata aqui de solidariedade a governos. Trata-se de recusar naturalizar práticas espúrias, que não seriam aceitas em nenhum Estado minimamente democrático.

Não quero viver em um país que permite a um juiz se sentir autorizado a desrespeitar os direitos elementares de seus cidadãos por ter sido incitado por um circo midiático composto de revistas e jornais que apoiaram, até o fim, ditaduras e por canais de televisão que pagaram salários fictícios para ex-amantes de presidentes da República a fim de protegê-los de escândalos.

O Ministério Público ganhou independência em relação ao poder executivo e legislativo, mas parece que ganhou também uma dependência viciosa em relação aos humores peculiares e à moralidade seletiva de setores hegemônicos da imprensa.

Passam-se os dias e fica cada dia mais claro que a comoção criada pela Lava Jato tem como alvo único o governo federal.

Por isso, é muito provável que, derrubado o governo e posto Lula na cadeia, a Lava Jato sumirá paulatinamente do noticiário, a imprensa será só sorrisos para os dias vindouros, o dólar cairá, a bolsa subirá e voltarão ao comando os mesmos corruptos de sempre, já que eles foram poupados de maneira sistemática durante toda a fase quente da operação.

O que poderia ter sido a exposição de como a democracia brasileira só funcionou até agora sob corrupção, precisando ser radicalmente mudada, terá sido apenas uma farsa grotesca.

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12 de março de 2016

Conciliação de classes não existe, só o PT acreditou

Por Roberto Santana Santos, no site Brasil em 5

À luz da possível prisão do ex-presidente Lula e do também possível impeachment de Dilma lembramos de algumas análises de que os governos petistas foram caracterizados como “governos de conciliação de classes”. É inegável que Lula e Dilma, mais o primeiro do que a segunda, atenderam interesses tanto da burguesia quanto algumas pautas mínimas da classe trabalhadora (salário-mínimo acima da inflação, bolsa-família, cotas nas universidades, etc).

Mas o que aconteceu? Há seis anos atrás Lula era “o cara”, tendo seu governo avaliado positivamente por 90% da população, segundo os malfadados institutos de pesquisa. Hoje é escorraçado nas mesas de bar como “o chefe da quadrilha”. Como a percepção do brasileiro mudou tão rápido sobre o ex-presidente?

O problema é que na política não se serve a dois senhores. O PT, que ainda se reivindica de esquerda e é assim identificado pela direita clássica, está há mais de uma década servindo ao capital. Recebe, como todos os partidos da direita, vultuosas doações de empreiteiras, agronegócio e mineradoras. Nunca tocou no monopólio midiático. Mesmo assim, continua não fazendo parte do clube.

Boa parte da burguesia brasileira e seus sócios internacionais fizeram uma opção em 2002 ao apoiar um PT já manso para o Planalto. FHC e o PSDB levaram o país a bancarrota, com o maior número de desempregados no mundo e a pobreza assolando mais da metade dos brasileiros. A Argentina quebrada por seguir as regras do receituário ideal do neoliberalismo. Na Venezuela, o golpe de estado fracassado contra Hugo Chávez reforçou sua liderança e radicalizou a Revolução Bolivariana, declarando-se, a partir de então, socialista.

A crise do neoliberalismo no começo do século fez com que a burguesia entrasse numa tímida defensiva. Percebeu cuidadosamente que havia espaço de diálogo com governos moderados, como os do PT. Só os inocentes acreditam em conciliação de classes. Políticas focalizadas de redução da miséria, pobres nas universidades, aumento do consumo, tudo isso é muito para boa parte do povo brasileiro que nunca teve direito a nada. Mas para o grande capital, é troco.

A partir do momento que os ricos sentem não mais precisar dessa aliança, o projeto do “país de todos” é jogado às favas. Lula e Dilma são fuzilados, com ou sem provas, pelos mesmos que antes os bajulavam. A política econômica da miséria, o controle do trabalhador pela precariedade e a alienação midiática voltam com força total. Quanto mais o PT “cede”, mais os ricos avançam com suas pautas contra o povo. Do que valeu alianças e negociações? Está claro quem deu para trás na tal “conciliação”.

A Casa Grande não aceita novos sócios. Enganou-se o PT ao pensar que cedendo aqui e acolá teria alguma paz ou estabilidade. A ideia de que “luta de classes não existe” é discurso para alimentar a classe média proto-fascista. Pura propaganda. A burguesia sabe muito bem o que é luta de classes e joga com maestria.

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16 de fevereiro de 2016

Os equívocos do PT e o sonho de Lula

Por Leonardo Boff

Durante quatro a cinco décadas houve vigorosa movimentação das bases populares da sociedade discutindo que “Brasil queremos”, diferente daquele que herdamos. Ele deveria nascer de baixo para cima e de dentro para fora; democrático, participativo e libertário. Mas consideremos um pouco os antecedentes histórico-sociais para entendermos por que esse projeto não conseguiu prosperar.

É do conhecimento dos historiadores, mas muito pouco da população, como foi cruenta a nossa história tanto na Colônia, na Independência como no reinado de Dom Pedro I, sob a Regência e nos inícios do reinado de Dom Pedro II. As revoltas populares, de mamelucos, negros, colonos e de outros foram exterminadas a ferro e fogo, a maioria fuzilada ou enforcada. Sempre vigorou espantoso divórcio entre o poder e a sociedade. Os dois principais partidos, o Conservador e o Liberal, se digladiavam por pífias reformas eleitorais e jurídicas, porém jamais abordaram as questões sociais e econômicas.

O que predominou foi a política de conciliação entre os partidos e as oligarquias, mas sempre sem o povo. Para o povo não havia conciliação, mas submissão. Esta estrutura histórico-social excludente predominou até aos nossos dias.

No entanto, pela primeira vez, uma coligação de forças progressistas e populares, hegemonizadas pelo PT, vindo de baixo, chegou ao poder central. Ninguém pode negar o fato de que se conseguiu a inclusão de milhões que sempre foram postos à margem. Far-se-iam, enfim, as reformas de base?

Um governo ou governa sustentado por uma sólida base parlamentar ou assentado no poder social dos movimentos populares organizados. Aqui se impunha uma decisão.

Na Bolívia, Evo Morales Ayma buscou apoio na vasta rede de movimentos sociais, de onde ele veio como forte líder. Conseguiu, lutando contra os partidos. Depois de anos, construiu uma base de sustentação popular, de indígenas, de mulheres e de jovens a ponto de dar um rumo social ao Estado e lograr que mais da metade do Senado seja hoje composta por mulheres. Agora os principais partidos o apoiam e a Bolívia goza do maior crescimento econômico do continente.

Lula abraçou a outra alternativa: optou pelo Parlamento no ilusório pressuposto de que seria o atalho mais curto para as reformas que pretendia. Assumiu o Presidencialismo de Coalizão. Líderes dos movimentos sociais foram chamados a ocupar cargos no governo, enfraquecendo, em parte, a força popular.

Para Lula, mesmo mantendo ligação com os movimentos de onde veio, não via neles o sustentáculo de seu poder, mas a coalizão pluriforme de partidos. Se tivesse observado um pouco a história, teria sabido do risco desta política de coalização que atualiza a política de conciliação do passado.

A coalizão se faz à base de interesses, com negociações, troca de favores e concessão de cargos e de verbas. A maioria dos parlamentares não representa o povo mas os interesses dos grupos que lhes financiam as campanhas. Todos, com raras exceções, falam do bem comum, mas é pura hipocrisia. Na prática tratam da defesa dos bens particulares e corporativos. Crer no atalho foi o sonho de Lula que não pode se realizar.

Por isso, em seus oito anos, não conseguiu fazer passar nenhuma reforma, nem a política, nem a econômica, nem a tributária e muito menos a reforma agrária. Não havia base.

A “Carta aos Brasileiros” que na verdade era uma "Carta aos Banqueiros", obrigou Lula a alinhar-se aos ditames da macroeconomia mundial. Ela deixava pouco espaço para as políticas sociais que foram aproveitadas tirando da miséria 36 milhões de pessoas. Nessa economia, o mercado dita as normas e tudo tem seu preço. Assim parte da cúpula do PT, metida nessa coalizão, perdeu o contato orgânico com as bases, sempre terapêutico contra a corrupção. Boa parte do PT traiu sua bandeira principal que era a ética e a transparência.

E o pior, traiu as esperanças de 500 anos do povo. E nós, que tanta confiança depositávamos no novo, com as milhares comunidades de base, as pastorais sociais e os grupos emergentes… Elas aprenderam articular fé e política. A mensagem originária de Jesus de um Reino de justiça a partir dos últimos e da fraternidade viável, apontava de que lado deveríamos estar: dos oprimidos. A política seria uma mediação para alcançar tais bens para todos. Por isso, as centenas de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) não entraram no PT; fundaram células dele e grupos, como instrumento para a realização deste sonho.

O partido cometeu um equívoco fatal: aceitou, sem mais, a opção de Lula pelo problemático presidencialismo de coalizão. Deixou de se articular com as bases, de formar politicamente seus membros e de suscitar novas lideranças.

E aí veio a corrupção do “mensalão” sobre o qual se aplicou uma justiça duvidosa que a história um dia tirará ainda a limpo. O “petrolão” pelos números altíssimos da corrupção, inegável, condenável e vergonhosa, desmoralizou parte do PT e parte das lideranças, atingindo o coração do partido.

O PT deve ao povo brasileiro uma autocrítica nunca feita integralmente. Para se transformar numa fênix que ressurge das cinzas, deverá voltar às bases e junto com o povo reaprender a lição de uma nova democracia participativa, popular e justa que poderá resgatar a dívida histórica que os milhões de oprimidos ainda esperam desde a colônia e da escravidão.

Apesar de tudo, e quer queiramos ou não, o PT representa, como disse o ex-presidente uruguaio José Mujica, quando esteve entre nós, a alma das grandes maiorias empobrecidas e marginalizadas do Brasil. Essa alma luta por sua libertação e o PT redimido continua sendo seu mais imediato instrumento.

Quem cai sempre pode se levantar. Quem erra sempre pode aprender dos erros. Caso queira permanecer e cumprir sua missão histórica, o PT faria bem em seguir este percurso redentor.

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7 de dezembro de 2015

Especial impeachment 4: O jogo da Crise

Por Francisco Mata Machado Tavares*
 
O pedido de impeachment da presidente Dilma foi aceito por Eduardo Cunha. De agora em adiante, a crise política deve alcançar um estágio ainda mais instável do que o já turbulento quadro atual. Um prognóstico sobre o desfecho deste cenário não deve se concentrar apenas no rito específico do processo, mas precisa direcionar o foco sobre os interesses e grupos em conflito.
 
Governo e PT: a força da presidente reside em dois fatores. Primeiramente, o contexto da aceitação do impeachment por um Eduardo Cunha acometido por escândalos e ameaçado de perder o mandato sinaliza para a opinião pública que a tentativa de afastar Dilma é apenas uma retaliação desesperada de um político acusado de corrupção, o que pode aumentar a empatia em relação à presidente.
 
O segundo elemento a favor do governo reside na possibilidade de mobilizar segmentos organizados, como sindicatos e movimentos sociais, de modo a opor-se aos esperados levantes oposicionistas na rua e nas redes sociais. As fraquezas desse setor são muitas, mas quatro merecem destaque: 1) o quadro econômico é crítico, o que provoca maior irritação na população; 2) escândalos da Lava Jato muito perto do Palácio do Planalto; 3) o PMDB, aliado fundamental dos governos petistas desde o segundo mandato de Lula, não terá interesse em lutar por Dilma, ou o fará a um preço muito alto e; 4) Dilma faz um governo neoliberal, despertando um sentimento de revolta e traição entre aqueles que acreditaram em suas promessas nas eleições de 2014.
 
Oposição e PSDB: a força da oposição reside, antes de tudo, na profunda insatisfação popular e na possibilidade de que as ruas voltem a ser tomadas por protestos tão numerosos como os de março e abril. Além disso, os partidos contrários ao governo apresentam, neste momento, mais eficiência e coesão em sua atuação no Congresso, em especial na Câmara, de modo que têm conseguido importantes vitórias naquele espaço, que é precisamente onde o impeachment será votado.
 
Por outro lado, as fissuras internas no maior partido de oposição - PSDB - marcado por interesses muito distintos entre Aécio (eleições gerais o quanto antes), Alckmin (Dilma desgastada até 2018) e Serra (Temer na Presidência, com o senador ungido a informal “homem forte”) podem comprometer a coordenação do bloco oposicionista. Ademais, escândalos de corrupção e governos impopulares (como Richa no Paraná) também têm acometido os adversários do governo.
 
No plano social, é possível supor que a elite econômica almeje estabilidade a qualquer custo e apoie quem indicar uma solução rápida e segura para crise, seja o governo (liquidando o impeachment e implementando os ajustes esperados por esse setor), seja a oposição (iniciando um novo governo, com legitimidade e condições para aprovar a pauta empresarial no Congresso). Quanto aos movimentos sociais e sindicatos, sua dúvida é se vale a pena defender um governo que prometeu encampar sua agenda, mas implementou medidas em sentido contrário, ou se é preferível abandonar o campo da disputa entre governo e oposição, criando novas alternativas, como fizeram seus semelhantes em outros países, ao fundarem o Podemos na Espanha e o Syriza na Grécia.
 
O tabuleiro está armado!
 
*Francisco Mata Machado Tavares, Doutor em Ciência Política é coordenador do mestrado em Ciência Política da UFG.
 
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Especial impeachment 2: Alegações pró-impeachment desprezam a soberania do voto popular

Do blog do Mário Magalhães: 



Retrato feito pelo Datafolha no finzinho de novembro mostrou que 67% dos brasileiros avaliam o segundo governo Dilma Rousseff como ruim ou péssimo. Reconheço-me nessa maioria, assinalando a opção péssimo. Também pela inépcia da gestão, sobretudo pelo abandono do programa de campanha e a adoção da agenda condenada pela candidata. 

E daí?

No que diz respeito ao impeachment da presidente, não são pesquisas, opiniões e humores que decidem. Essa é a regra, estabelecida pela Constituição de 1988. Dilma foi eleita em outubro do ano passado com 54.501.118 sufrágios, vantagem de 3.459.963 sobre Aécio Neves (3,28 pontos percentuais de diferença, mais do que os 2,68 do pleito presidencial argentino de 2015). Como os governantes são consagrados nas urnas, ela tem autoridade para governar por quatro anos.

Sou partidário do sistema de mandatos revogáveis para governantes e legisladores. Se os eleitores estão insatisfeitos com o desempenho de quem escolheram, podem demiti-lo e substituí-lo. Sem esperar quatro ou oito (senadores) anos. Estimula-se a fidelidade ao prometido, e o prometido é devido. Traiu, cai fora.

E daí?

O recall até hoje foi barrado no Brasil. Os políticos preferem ficar livres para romper compromissos. Logo, a presidente não pode ser derrubada no berro. A não ser que violem a Constituição.

Mas ela não rasgou os discursos de palanque? Acho que sim.

E daí?

Sou eu quem vai julgar? A lei determina que o juízo é coletivo, do conjunto dos cidadãos.

Não tenho dúvida de que existe um sem-número de pessoas mais qualificadas para o Planalto do que Dilma, beneficiária de nebulosa indicação do ex-presidente Lula.

E daí?

Presidente se elege no voto, que tem _ou deveria ter_ caráter de pronunciamento soberano.

A economia degringolou, beira a depressão. É possível que o afastamento de Dilma permita um respiro.

E daí?

O governo Sarney nasceu do pecado do Colégio Eleitoral imposto pela ditadura. Centenas de iluminados deliberaram no lugar de milhões. Na catastrófica política econômica de Sarney, a inflação chegaria aos 80%. No mês. A inflação agora está por volta dos 10%. Anuais. Nem por isso o pai da Roseana caiu.

Há quem sustente que Dilma não tem mais condições de governar.

E daí?

Opinião é saudável, mais ainda quando prevalece o direito de expressá-la sem correr o risco de penar no pau-de-arara. A condição de governar foi decretada pelos eleitores no ano passado. Há países em que, minoritário e sem a confiança do parlamento, o governante recebe cartão vermelho. No Brasil, contudo, a maioria deliberou pelo presidencialismo.

A Constituição Cidadã prevê o impeachment, portanto trata-se de expediente legal.

E daí?

A Carta exige crime de responsabilidade para expulsar um presidente. Foi o que aconteceu com Collor. Inexiste prova ou indício de que Dilma seja ladra. Quem tem conta secreta na Suíça é o deputado que deu sinal verde para o impeachment. Com crime de responsabilidade, impeachment é legal. Sem, é golpe.

O Brasil mergulha no caos, alegam, propondo Dilma fora.

E daí?

Mais uma vez, cabe aos brasileiros aptos ao voto declarar o fim (e o início) de governos ou de partidos e coalizações no poder. Quer ver como as coisas são subjetivas? Há uma rapaziada gente boa que odeia o Lula. E quem foi o melhor presidente da história, para a maioria relativa dos brasileiros? Ele mesmo, o Lula, informa o Datafolha. Cada um sabe onde aperta o calo. Onde se resolve a questão? Nas urnas, eletrônicas ou, tamanha a pindaíba, armazenando cédulas de papel.

É curioso que, à direita e à esquerda da presidente, polemistas esgrimam argumentos exclusivamente pragmáticos. Uns dizem que, saindo Dilma, entrará alguém melhor. Outros, alguém pior.

E daí?

As duas barricadas incorrem no mesmo desprezo pela palavra das urnas. Isto é, desdenham a democracia. Discutem virtudes e defeitos de eventuais substitutos de Dilma, ignorando ou menosprezando o fundamental: a decisão é prerrogativa dos eleitores.

O impeachment da presidente da República sufragada em 2014 representaria enorme retrocesso. Aos tempos do século 20 em que se trocava o voto do povo pelo proselitismo das armas

Um arauto célebre do movimento que em 1964 derrubou o presidente constitucional João Goulart chamou, poucos anos mais tarde, o que acontecera pelo devido nome: “golpe vagabundíssimo''.

É golpe o que está em curso, Eduardo Cunha é golpista. O deputado retaliou Dilma pela decisão de petistas de votar pelo andamento de processo na Comissão de Ética da Câmara que, se for mesmo de ética, acelerará a cassação do presidente da Casa.

Retaliação, represália de Cunha… teu nome é vingança.

O Brasil de novo encontra-se, como escreveu o jornalista Janio de Freitas, na “encruzilhada escura''.

Se a escuridão triunfar, atrasaremos em décadas nosso relógio democrático.

Não é Dilma Rousseff que está em jogo. Mas a soberania do voto popular, que constitui um dos pilares da democracia.
 
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26 de novembro de 2015

Marconi diz ser contra estabilidade do servidor público

Essa eu vi no blog da Fabiana Pulcineli:
 

O governador Marconi Perillo (PSDB) defendeu hoje o regime celetista para a contratação de servidores públicos, confirmando as críticas à estabilidade do funcionalismo feitas em evento do grupo Lide, em Salvador (BA), na semana passada. De acordo com o jornal A Tarde, Marconi chamou a estabilidade de "a coisa mais imbecil e mais burra que existe".

Em bate-papo na internet com o tema Educação na tarde de hoje, o governador respondeu a pergunta enviada pelo blog e confirmou também que transformou escolas da rede estadual em colégios militares em retaliação a professores que participaram de manifestação em evento em que ele estava presente. "Eu disse e repito: não podemos ter baderneiros nas escolas. Escolas que não conseguem lidar com baderneiros precisam de um modelo diferente, de um conceito diferente. Para essas pessoas, a melhor coisa é a escola militar. Há que se ter disciplina, hierarquia e respeito", disse no bate-papo.

Ainda de acordo com A Tarde, ele afirmou aos empresários que tem coragem enfrentar os "baderneiros". "Fui num evento e tinha um grupo de professores radicais da extrema esquerda me xingando. Eu disse: tenho um remedinho pra vocês. Colégio Militar e Organização Social. Identifiquei as oito escolas desses professores. Preparei um projeto de lei e em seguida militarizei essas oito escolas. O Brasil está precisando de 'nego' que tenha coragem de enfrentar"", relatou a reportagem. Marconi fazia referência a grupo de professores que protestou em evento em junho, no Centro Cultural Oscar Niemeyer.

Sobre o questionamento a respeito da estabilidade do funcionalismo, Marconi comparou o setor público com a iniciativa privada e defendeu cumprimento de metas. "À exceção das carreiras de Estado, (a estabilidade) não existe na iniciativa privada e não deveria existir daqui pra frente no serviço público. Cada vez mais, temos de trabalhar a questão do mérito e da qualidade do serviço. Na minha opinião, o regime de contrato deve ser o celetista, alinhavado à questão de metas", afirmou, para completar: "O servidor tem de comparecer ao trabalho e entregar um bom trabalho. Na iniciativa privada, se uma meta não é cumprida, o servidor é dispensado. Por que seria diferente no setor público? Temos de ter respeito ao dinheiro público".

O bate-papo foi feito em São Paulo, com a participação de Ricardo Paes de Barros, um dos formuladores dos programas de combate a pobreza no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Em dezembro de 2013, um dos principais auxiliares de Marconi, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, também criticou a estabilidade do servidor em entrevista na TBC. À época, entidades que representam o funcionalismo divulgaram notas condenando as declarações.
 
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20 de novembro de 2015

Ulisses Aesse, do DM, tenta dar a Marconi Perillo mérito que ele não tem na convocação de PMs

Essa eu vi no Opinando:

No último dia 14 de novembro, o Governo de Goiás, depois de sucessivas derrotas no judiciário, foi obrigado a convocar os chamados excedentes aprovados do último concurso válido da Polícia Militar de Goiás. Foram chamados 732 aprovados, de um total de 1.421 que aguardam convocação. O chamamento só se efetivo porque o Ministério Público, por intermédio do Promotor Fernando Krebs, ajuizou ação de execução provisória da sentença que mandava o Estado convocar os excedentes. Sem outra alternativa, sob pena de cometer crime de responsabilidade, Marconi Perillo se viu obrigado a atender a determinação da justiça. 
 
O Jornalista Ulisses Aesse, editor-chefe de reportagem e coordenador de pauta do Jornal Diário da Manhã, corrobora a subserviência da mídia goiana ao poderio econômico estatal e atesta que a imprensa age para afastar Marconi Perillo, governador de Goiás, de toda e qualquer responsabilidade pela grave crise pela qual o Estado de Goiás transita.
 
Não obstante ser público e notória a luta dos concursados e a resistência do Governo em chamá-los, o Jornalista Ulisses Aesse, em sua coluna “Café da Manhã”, tripudiou da boa-fé dos goianos, ao atribuir a Marconi Perillo todo o mérito pela convocação. “O Governador Marconi Perillo usou do bom senso e convocou os militares do cadastro de reserva de 2012, selecionados em concurso da PM (sic)”, escreveu o jornalista, querendo fazer crer, os seus leitores, que Marconi Perillo de fato tenha agido por entender ser necessária a convocação da turma.
 
É lamentável que um jornalista da estirpe de Ulisses Aesse se preste a esse papel, curvando-se ao poderio político em detrimento da verdade dos fatos. É por essas e outras que a situação em Goiás é crítica, já que a mídia ajuda o Governo a se esconder atrás de sofismas que atravancam a solução dos reais problemas enfrentados pela população.
 
 
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