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20 de setembro de 2017
4 de novembro de 2015
Por que os pobres incomodam tanto?
Na semana em que duas jornalistas publicam textos de ojeriza aos mais pobres, fica a reflexão: o que incomoda a elite não é a perda de direitos, mas de privilégios. Em um mundo onde ser ‘VIP’ e obter exclusividades são o ápice do prazer aristocrático, a popularização do acesso a educação, saúde, viagens e bens de consumo deve ser mesmo um horror
Por Maíra Streit
Nessa semana, dois textos de colaboradoras do jornal carioca O Globo chamaram bastante a atenção dos leitores, não exatamente pela qualidade do conteúdo em si, mas pelo grau de preconceito destilado em suas palavras.
Em um deles, a colunista Hildegard Angel defendeu a segregação como medida para conter os arrastões em praias do Rio de Janeiro. Entre as sugestões destinadas ao governo, surgiram ideias brilhantes como “diminuir drasticamente a circulação das linhas de ônibus e de metrô no fluxo Zona Norte-Zona Sul” e até mesmo “cobrar entrada nas praias de Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon”.
É isso mesmo. Para a colunista, impedir o acesso da população pobre às áreas mais prestigiadas da cidade é uma maneira eficiente de “reprimir as hordas e hordas de jovens assaltantes e arruaceiros”. “As medidas são antipáticas e discriminatórias, concordo. Mas ou é isso ou será o caos”, finalizou. Aparentemente arrependida de suas declarações, Hildegard retirou o texto do ar após uma saraivada de críticas.
Seguindo a mesma linha, os leitores d’O Globo foram brindados com uma publicação pretensamente irreverente, mas nem por isso menos cruel. Em seu blog, Zona de Desconforto, a jornalista Silvia Pilz descreve o comportamento dos mais pobres em consultórios médicos.
Em tom de deboche, ela afirma que essas pessoas costumam inventar doenças e fazem drama para faltar ao trabalho. “Acho que não conheço nenhuma empregada doméstica que esteja sempre com atacada da ciática [leia-se nervo ciático inflamado]. Ah! Eles também têm colesterol [leia-se colesterol alto] e alegam ‘estar com o sistema nervoso’ quando o médico se atreve a dizer que o problema pode ser emocional”, escreveu.
Silvia ridiculariza ainda a procura por mais informações na área da saúde, dizendo que, ao assistir a um programa da Rede Globo sobre o assunto, “o caso normalmente é a dúvida de algum pobre”. “Coisas do tipo ‘tenho cisto no ovário e quero saber se posso engravidar’. Porque a grande preocupação do pobre é procriar”, complementa.
A jornalista enfatiza que, com a democratização dos planos de saúde, fazer exames se tornou um programa divertido para os pobres, que se arrumam especialmente para a ocasião, chegam cedo e, admirados com o ar-condicionado e o piso de porcelanato dos laboratórios, aguardam ansiosamente pelo lanche oferecido após os exames.
Não sabemos exatamente em que país vive a blogueira em questão, mas, no Brasil, a relação entre os pobres e o acesso à saúde está longe de ser engraçada. Embora algumas conquistas sejam evidentes, os planos particulares não funcionam às mil maravilhas e ainda são, sim, um privilégio de poucos. A realidade da população de baixa renda ainda é, em boa parte, a fila do hospital público, a superlotação, a falta de médicos e a dificuldade na marcação de consultas.
O país, de fato, está mudando. Mas o que parece não mudar nunca é a ideia de um ‘apartheid’ social que enche os olhos da classe média alta brasileira, incomodada em dividir o mesmo ar que segmentos antes marginalizados. Impossível não lembrar da afirmação de outra polêmica colunista, a socialite Danuza Leão, que há alguns anos escreveu na Folha de S. Paulo que ir à Nova Iorque não tinha mais graça, já que eram grandes as chances de encontrar o seu porteiro por lá.
Esses são exemplos clássicos de que o que incomoda a elite não é a perda de direitos, mas de privilégios. Em um mundo onde ser ‘VIP’ e obter exclusividades são o ápice do prazer aristocrático, a popularização do acesso a educação, saúde, viagens e bens de consumo deve ser mesmo um horror.
Imagine que absurdo o filho do motorista estudar na mesma faculdade que o seu, ou encontrar a manicure fazendo compras naquela que era a sua loja preferida. Ainda mais ultrajante deve ser ver a empregada jantando filé mignon e dizendo a você que, de uma vez por todas, a escravidão acabou. Haja Lexotan para acalmar os ânimos dessa gente, tão afeita a mandar e desmandar sozinha em seus feudos imaginários. Quanto a isso, só resta uma coisa a ser dita: acostumem-se… A tendência é piorar.
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31 de outubro de 2014
Riqueza pobre
Sensacional charge animada de Maurício Ricardo sobre o tema do momento:
E é tudo verdade!!!
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28 de outubro de 2014
Separatismo
"Já que existe no sul esse conceito
Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato
Se existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão vibrar abertamente
Se o sul vai ficar indiferente
Ficará o Nordeste agradecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente"
Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato
Se existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão vibrar abertamente
Se o sul vai ficar indiferente
Ficará o Nordeste agradecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente"
E depois, como se nada tivesse acontecido, vamos todos gozar férias nas praias do Nordeste.
Um basta ao preconceito e a hipocrisia!
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Imagine o Nordeste independente,
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Porque o "Nordeste bovino" votou no PT?
Antes de ler o post, que fala sobre os possíveis motivos da vitória esmagadora do PT no Nordeste, convém assistir o vídeo da declaração de Diogo Mainardi, o intelectual número 1 da Veja, feita no programa Manhattan Connection, com sua opinião (se é que pode-se chamar disso) sobre a região Nordeste e seu povo:
Esse é o cara que faz cabeça da juventude que votou no Aécio!!!
Voltando ao assunto, veremos se o Nordeste é mesmo "bovino" como disse o "intelectual" e se o que fez diferença foi mesmo um "dinheirozinho" para sair da miséria...
Com dados do blog Viomundo:
Novamente, após a vitória da presidenta Dilma Rousseff pela reeleição
com 3,5 milhões de votos a mais que o adversário, Aécio Neves, a
xenofobia e o ódio gratuito contra o Nordeste, decisivo no pleito com
mais de 70% dos votos para Dilma, voltou a aparecer nas redes sociais. Velhas ideias elitistas de separação “norte” e “sul” e “uso político”
do Bolsa Família – apesar de São Paulo ser o segundo estado que mais recebe
recursos do Bolsa Família e ter se mostrado reduto absoluto do PSDB,
diga-se – ecoaram.
Não somos um país dividido, mas um mosaico, como mostra o gráfico das eleições presidenciais nos municípios, abaixo.
![]() |
| Votação para Presidente por município. Brasil dividido ou mesclado? |
Dilma também venceu em Minas Gerais, superando Aécio Neves em sua
própria “casa” – uma resposta contundente do povo de MG ao seu
ex-governador e atual senador – além de vencer no Rio de Janeiro e
alcançar votações muito próximas no Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
Mas o que realmente explica a massiva votação que o PT recebe do Nordeste nas últimas 4 disputas pela presidência?
O Bolsa Família – programa em que 76% das pessoas que recebem
trabalham com carteira formal e mais de 1,6 milhão de famílias já
abriram mão espontaneamente do benefício – decifra sozinho esse
“fenômeno”? Seria a popularidade absurda de Lula, um pernambucano?
Os dados e fatos abaixo, compilados por mim em reportagens diversas dos últimos 4 anos (links aqui),
mostra o quanto o estado se desenvolveu absurdamente na economia, na
educação, na saúde, nos investimentos que atrai, na força do seu
mercado, na inclusão social e mudança da pirâmide de renda.
O quanto o governo do PT (2003-2014) transformou a região muito, mas
muito além do Bolsa Família, beneficiando todos os extratos da população
nordestina e colocando no mapa uma região historicamente negligenciada.
É claro que o Nordeste ainda tem muito para avançar, no controle da
violência, nos indicadores sociais e econômicos e cresce acima da média
brasileira justamente porque passou tanto tempo esquecido e tem tanto
para melhorar. Responsabilidade compartilhada entre a União, estados e
municípios.
O mérito inegável do Partido dos Trabalhadores, que uma parcela
felizmente minúscula da população, repleta de ódio e estupidez, prefere
ignorar, é colocar a região de volta no caminho de protagonista do
Brasil.
Emprego, renda, crescimento e desenvolvimento social
• Em 2002, 4,8 milhões de nordestinos tinham emprego formal. No final do ano passado, eram 8,9 milhões.
• Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), entre
2001 e 2012, o nordestino teve o maior ganho de renda entre todas as
regiões, o que fez com a participação da base da pirâmide social caísse
66% para 45% – ou seja, mais de 20 milhões de pessoas deixaram a
pobreza.
• Com mais de um quarto da população brasileira, a classe média no
Nordeste foi engrossada em 20 pontos percentuais na última década,
alcançando 42% dos habitantes.
• A classe A também ganhou agregados e saltou de 5% para 9% desde 2002.
• O poder de compra dos nordestinos já chega quase a 450 bilhões de
reais, valor que corresponde à economia de países como Peru e República
Checa.
• O programa de cisternas levou mais de 1 milhão de reservatórios de água para pessoas carentes.
• O Luz Para Todos beneficiou mais de 7 milhões de pessoas somente no
Nordeste, com mais de R$ 6 bilhões de investimento na região.
• Na última década, entre 2003 e 2013, o Nordeste cresceu mais do que
a média nacional, com avanço de 4,1% ao ano, enquanto o país ficou na
marca de 3,3%. Números divulgados pelo Banco Central (BC) apontam que a
região responde por 13,8% da economia nacional.
• Isso representa um crescimento de 41% em 10 anos, ante 33% da média nacional.
• Em 2012, por exemplo, a economia local cresceu o triplo da brasileira.
• Segundo cálculos do Banco Central, a economia nordestina cresceu
2,55% no segundo trimestre de 2014, na comparação com o primeiro, que já
havia mostrado expansão de 2,12%. São taxas sem paralelo no restante do
país. Nenhuma das demais regiões obteve dois trimestres consecutivos de
alta, e as taxas, mesmo quando positivas, foram bem mais modestas. Pela
medição do IBGE, a economia do Brasil encolheu 0,2% de janeiro a março e
0,6% de abril a junho.
• O Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste crescerá 2,6% em 2014, muito acima da média nacional.
• O Nordeste criou 1,04 milhão de postos de trabalho no primeiro
trimestre de 2014, o que representa quase 60% do total de vagas abertas
em todo o Brasil, segundo dados do IBGE.
• Além de ter apresentado o maior resultado em termos de geração de
vagas no primeiro trimestre de 2014, a formalização na região também é
forte e tem colaborado para a intenção de consumo se manter em níveis
elevados, avaliou Bentes. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged) mostram alta de 2,2% no emprego formal no Brasil
em 12 meses até abril. No Nordeste, o avanço é de 3,3%, com destaque
para o comércio e os serviços.
• Levantamento da Firjan aponta que, na última década, 97,8% dos
municípios nordestinos apresentaram crescimento do IFDM (Índice Firjan
de Desenvolvimento Municipal).
Educação e Saúde
• Em 2000, segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o Nordeste tinha 413.709
universitários. Em 2012, esse número saltou para 1.434.825. Com isso, a
região ultrapassou o Sul e passou a segunda com maior número de
estudantes do ensino superior – 20% do total –, atrás apenas do Sudeste.
• Nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, 18
universidades federais foram abertas – sete delas no Nordeste, todas
fora das capitais.
• A região tem conseguido fazer subir o número de pessoas com 18 anos
ou mais nas universidades. Formados, eles passarão a ganhar 15,7% a
mais por ano de estudo, segundo o Data Popular.
• O SUS está presente em todos os municípios
nordestinos, principalmente com suas equipes de Programa de Saúde
da Família, e o ensino fundamental é praticamente universalizado.
Bolsa Família
• Em 2013, o Bolsa Família deve repassar 25 bilhões de reais para
mais de 13,8 milhões de famílias, metade delas no Nordeste. Na região,
quatro em cada dez famílias recebem o benefício social, com valor médio
de 152 reais por mês.
• De acordo com estudo recentemente divulgado pelo Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Bolsa Família tem efeito
multiplicador de R$ 2,40 sobre o consumo final das famílias, por isso
setores como comércio e serviços – formado no Nordeste, principalmente
por pequenos negócios –, que atendem esse consumidor final, são os mais
beneficiados. Além disso, o levantamento mostra que cada real investido
no programa gera um retorno de R$ 1,78 para a economia.
Agricultura
• Até 2022, segundo projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (Mapa), o Brasil plantará cerca de 70 milhões de
hectares de lavouras e a expansão da agricultura continuará ocorrendo no
bioma Cerrado. Somente a região que compreende os estados do Maranhão,
Tocantins, Piauí e Bahia terá, nesse mesmo período, o total de 10
milhões de hectares, o que representará 16,4% da área plantada e deverá
produzir entre 18 a 24 milhões de toneladas de grãos, um aumento médio
de 27,8%. Estamos falando do Matopiba, região considerada a grande
fronteira agrícola nacional da atualidade.
• O Matopiba é peça-chave para o desenvolvimento da agricultura e
para a segurança alimentar do País. “O investimento na produção
sustentável na região do Matopiba será fator de segurança alimentar para
o Nordeste, assolado por secas que matam as plantas de sede e os
animais de fome”, apontou o presidente da Embrapa, Maurício Antônio
Lopes, que prevê com o crescimento do agronegócio um valioso
desenvolvimento social para a região.
• A agricultura familiar é responsável pela produção dos principais
alimentos consumidos pela população brasileira: 84% da mandioca, 67% do
feijão; 54% do leite; 49% do milho, 40% de aves e ovos e 58% de suínos.
• No Nordeste a agricultura familiar é responsável por 82,9% da ocupação de mão de obra no campo.
Tecnologia
• O Porto Digital, em Recife (PE), já perdura por mais de uma década
gerando cerca de 6 mil empregos em quatro centros de pesquisa de
tecnologia, quatro multinacionais, além das startups que também estão
sediadas ou possuem escritórios no parque. Foram aproximadamente R$ 90
milhões investidos na reforma da zona portuária da capital.
• De acordo com um estudo feito em 2010, o Porto Digital fatura quase
R$ 900 milhões por ano, engloba quase 500 empreendedores em seu parque e
paga salários acima de R$ 2,5 mil. A maior parte de sua mão de obra
possui ensino superior e pelo menos um segundo idioma. Atualmente, o
Porto Digital se caracteriza por oferecer alta taxa de empregos ao
público jovem: 35% dos trabalhadores de lá têm entre 17 e 25 anos.
• Na maior parte, as empresas que estão instaladas no parque são
voltadas para o desenvolvimento de software para gestão empresarial,
soluções para o mercado financeiro e para a área de saúde, mas também há
startups que desenvolvem games, sites e intranets empresariais e ainda
controle de trânsito e mecanismos de segurança patrimonial.
• Grandes empresas como Microsoft, IBM, Samsung e Motorola possuem
bases instaladas no parque, sendo que a Motorola mantém o único centro
de verificação e integração de teste de software para celulares da marca
no mundo – um investimento de US$ 20 milhões da fabricante
estadunidense.
• No parque, a maior parte das companhias atua na oferta de serviços
de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) – são 147 empresas neste
setor, das pouco mais de 200 que têm base no pólo. 89% das empresas no
Porto Digital são matrizes.
• Campina Grande, na Paraíba, é um dos 74 pólos tecnológicos do país,
mapeados pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de
Empreendimentos Inovadores (Anproteca). Concilia todos os predicados
necessários: uma centena de empresas de TI, mil empregos gerados e o
maior número proporcional de PhDs do Brasil – 600.
• Nos últimos anos, o setor alavancou para 43 países as exportações
de software e hardware, que vão de bancos de dados de alta complexidade
às mais simples recicladoras de cartuchos. Entre seus clientes estão
nomes como HP, Nokia, Petrobras e Interpol, a polícia internacional para
o crime organizado.
• Ao menos 250 novas mentes aportam todos os anos para preencher as
vagas de Ciência da Computação e Engenharia Elétrica da Universidade
Federal de Campina Grande (UFCG). Nos próximos cinco anos, um
contingente de quase mil cérebros inundará o mercado local de tecnologia
da informação (TI).
Consumo e crédito
• Pesquisa do Data Popular, citada pela EXAME, aponta que o
potencial de vendas no Nordeste, durante os próximos 12 meses, soma 1,2
milhão de imóveis, 1,6 milhão de carros e 1 milhão de motos. O
levantamento ainda indicou que os nordestinos estão cada vez mais
sofisticados. A região concentra a maior intenção de compra do país em
itens como notebooks, smartphones e tablets.
• Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC) mostram que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu
7,4% na média do Brasil quando se compara junho deste ano com igual mês
de 2013. Nesta mesma base, a ICF cresceu 4,3% no Nordeste, para 135
pontos, o nível mais alto entre as regiões e o único resultado ainda
crescente.
• O Nordeste foi a região em que as operações de crédito
das empresas mais cresceram entre 2007 e 2011. Dados do Banco Central
apontam que, enquanto que no Brasil foi registrado um aumento de 126%,
chegando a R$ 1,044 trilhão, as empresas nordestinas responderam por uma
expansão de 200%, somando R$ 121 bilhões.
• No que se refere ao pequeno varejo e atacado, o Nordeste detém 27%
do número de lojas do Brasil, concentradas na Bahia, Pernambuco e Ceará,
que juntas somam 69% do faturamento da região.
• Salvador ocupa a quinta posição do ranking de Potencial de Consumo,
IPC MAPS 2011, ficando atrás de São Paulo, Rio, Belo Horizonte,
Brasília e Curitiba, com R$ 38 bilhões de potencial de consumo.
• A indústria de bebidas também está aquecida na região, onde o
consumo de cerveja cresceu 10,2% desde 2010, ante 4,9% no resto do país.
Investimento, mercado e infraestrutura
• A transposição do Rio São Francisco está 63% concluída, empregando
11.500 pessoas e beneficiará 390 municípios em quatro estados: Ceará,
Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte em 470km de canais.
• Dezenas de empresas já estão realizando ou realizam investimentos
significativos na região, com instalação de novas fábricas, polos de
desenvolvimento e novos projetos.
• Em Goiana, a 60 quilômetros de Recife, no norte de Pernambuco, um
novo polo farmacoquímico deve ser concluído até 2016. Numa área de 287
hectares, estão sendo instaladas 11 empresas de remédios e biotecnologia
— um investimento total de 1 bilhão de reais que criará 1443 novos
empregos.
• Entre as companhias que vão desembarcar na região estão Hemobrás,
Normix, Vita Derm, Hair Fly, Rishon, Brasbioquímica, Luft
Logistics, White Martins, Quantas Biotecnologia, Biologicus e
Multisaúde.
• No início do ano, a Ambev inaugurou uma nova fábrica na mesma
cidade, um investimento de 725 milhões de reais que gerou 1 000
empregos.
• Na Bahia, a Heineken amplia a operação da fábrica de Feira de
Santana, enquanto o Grupo Petrópolis, fabricante das
cervejas Itaipava e Petra, abriu em novembro sua primeira fábrica
nordestina em Alagoinhas e uma segunda fábrica em Itapissuma (PE). A
empresa já está contratando para os 600 postos que serão criados.
• Um dos segmentos mais favorecidos pelo aumento de renda no Nordeste
foi a indústria de alimentos e bebidas, o que tem atraído empresas como
Nissin Ajinomoto, Mondelez, Natto e Companhia Brasileira de Sorvetes.
Só em Pernambuco, 22 grandes fabricantes desembarcaram nos últimos seis
anos.
• E oito novas fábricas ficarão prontas até o ano que vem — um
investimento total estimado em 2,8 bilhões de reais, com a geração de
mais de 6 500 empregos diretos. A pernambucana GL Empreendimentos — de
massas e biscoitos — inaugura em julho sua nova indústria de alimentos,
um investimento de 143 milhões de reais.
• Com grande potencial de ventos, o Nordeste é o principal centro da
produção de energia eólica no Brasil. Apesar de nova, essa é a fonte de
energia que mais cresce no país. “Os investimentos só começaram há cerca
de quatro anos, mas já cresceram 1 500%”, afirma Elbia Melo, presidente
executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). A
região é responsável por 78,3% da capacidade de geração de energia
eólica no Brasil, com 132 parques considerados aptos, em operação ou em
testes. Além deles, 58 parques eólicos estão em construção e outros 263
já foram contratados nos leilões energéticos. A previsão é que a energia
eólica gere 80 000 postos de trabalho em toda a sua cadeia produtiva só
no Nordeste.
• No ano passado, Camaçari recebeu a fábrica da gigante chinesa JAC
Motors, um investimento de 900 milhões de reais que permitiu a geração
de 3 500 empregos diretos e 10 000 indiretos.
• A indústria automotiva decolou no Nordeste com o anúncio da
instalação da fábrica da Fiat em Pernambuco, há três anos. Para garantir
a produção de 40% da demanda de peças e componentes da montadora, está
sendo criado o Parque de Fornecedores no Polo Automotivo de Goiana, na
região metropolitana de Recife.
• São 16 empresas — globais e nacionais — que ocuparão 12 edifícios
nos quais serão produzidas 17 linhas de componentes. Em uma área
construída de 270 000 metros quadrados, o Parque de Fornecedores ficará
junto à fábrica da multinacional italiana, em um modelo integrado de
produção.
• Ao todo, o Polo Automotivo vai gerar 8 000 empregos diretos até o
fim de 2015. Cerca de 4 000 dessas vagas serão criadas apenas nas
fornecedoras de autopeças, que reúnem empresas como Magneti
Marelli/Faurecia, Lear, Adler e Pirelli. A Fiat, por sua vez, vai
contratar 600 profissionais de nível superior ainda neste ano.
• Estimativas que apontam investimentos na casa de R$ 6 bilhões no
segmento de hotelaria e turismo para a região. O FNE (Fundo
Constitucional de Financiamento do Nordeste), administrado pelo BNB
(Banco do Nordeste do Brasil) programou investimento de mais de R$ 500
milhões à edificação de novos estabelecimentos do setor hoteleiro.
• A cadeia produtiva do petróleo também está aquecida no Nordeste, e a
indústria naval é uma das que mais têm contratado. Com investimentos
simultâneos ocorrendo em diversos estados, o setor deverá gerar cerca de
15 000 empregos diretos na região, com boas oportunidades para
engenheiros navais, cujos salários estão cotados entre 5 000 e 14 000
reais.
• O grande símbolo do deslocamento da indústria naval do Sudeste para
o Nordeste é o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), sediado no Complexo de
Suape, em Pernambuco, desde 2008 e com uma carteira de investimentos de
8,1 bilhões de dólares. O estaleiro conta com 6 200 empregados e deve
chegar a 7 000 até o fim deste ano.
• O Porto de Suape, que teve um aporte de R$ 1,2 bilhão em
investimentos, cresceu 26% no ano passado em 2012 e empregou 60 mil
pessoas.
PS.: O Brasil é um país que se
desconhece, graças a uma mídia monopolizada, concentrada no eixo Rio-São
Paulo, que narra apenas o mundo segundo o umbigo de seus próprios
jornalistas/atores/celebridades.
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30 de abril de 2014
6 de fevereiro de 2014
Preconceito de professores universitários no Facebook repercute na internet
Uma professora do Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) está no meio de uma polêmica após um comentário no Facebook. Rosa Marina Meyer publicou uma imagem em seu perfil, onde aparece um homem lanchando antes do embarque no Aeroporto Santos Dumont. Na legenda, uma pergunta irônica: “aeroporto ou rodoviária?”.
Entre os comentários no perfil pessoal da professora, está a do reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Luiz Pedro Jutuca. “O ‘glamour’ foi pro espaço”, escreveu o também doutor em Matemática, ao que Rosa responde: “Para glamour falta muito! Está mais para estiva!”.
Logo abaixo, a professora de Português para Estrangeiros completa: “O pior é que o Mr. Rodoviária está no meu voo! Ao menos, não do meu lado! Ufa!”. Outra professora da PUC-Rio, também de Letras, Daniela T. Vargas, também comenta: “O pior é quando esse tipo de passageiro senta exatamente do seu lado e fica roçando o braço peludo no seu, porque - claro - não respeita (ou não sabe) nos limites do assento”.
A conversa foi compartilhada e chegou até a página da Dilma Bolada, onde já teve mais de quinze mil curtidas e mais de quatro mil compartilhamentos. Para os internautas, os comentários foram preconceituosos.
No início da noite desta quinta-feira, a professora Rosa Marina se desculpou publicamente em seu perfil na rede social:
Essa professora e seus defensores são alguns dos representantes do Brasil que acha certo acorrentar ladrão nu em poste e executar bandido no meio da rua... lamentável!
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15 de janeiro de 2014
E o Rolezinho no shopping?
Desde o fim de 2013, jovens têm organizado encontros pelas redes sociais, principalmente em shoppings da capital paulista, e ficaram conhecidos como "rolezinhos". A primeira iniciativa a ganhar repercussão aconteceu no Shopping Metrô Itaquera, Zona Leste de São Paulo, em 8 dezembro. Algumas lojas fecharam com medo de saques e o centro comercial encerrou o expediente mais cedo.
No último sábado uma confusão envolvendo um grupo de jovens que havia organizado um "rolezinho" no shopping Itaquera, na zona leste de São Paulo, e a Polícia Militar, repercutiu ao longo de todo o final de semana e ainda divide opiniões.
O encontro de mais de mil pessoas no shopping terminou com o uso de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de balas de borracha, pela PM, que foi acionada para conter os jovens. Apesar do tumulto, a assessoria do shopping informou que não houve registro de furto ou roubo.
Antes vistos como uma bagunça originada da falta de opção de cultura e lazer na periferia, agora eles são discutidos como um preconceito contra a população pobre, após pelo menos cinco centros de compras terem conseguido liminar na Justiça que impede a realização desses atos e a proibição da entrada de pessoas suspeitas.
Nas redes sociais, vários participantes defendem o "acesso democrático" aos shoppings e afirmam que o "rolezinho" do rico é chamado de "flash mob", nome dado a aglomerações instantâneas marcadas para surpreender as pessoas em locais públicos.
Procurando na internet mais informações sobre o tema, achei um vídeo muito legal do canal Desce a Letra, que compartilho aqui (assista com fones de ouvido e prepare-se para os palavrões):
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28 de agosto de 2013
“Parecem empregadas domésticas”: jornalista causa revolta ao comentar aparência de médicas cubanas
Essa eu vi no Belo Horizonte de A a Z, mas está bombando também no Facebook:
A jornalista Micheline Borges, do Rio Grande do Norte, despertou a ira de internautas de diversas regiões do país, na manhã desta terça-feira (27), após fazer um comentário em seu Twitter sobre a aparência das médicas de Cuba, selecionadas para o programa Mais Médicos. As profissionais chegaram ao Brasil durante o fim de semana para trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS) em cidades do interior por meio do programa do governo federal.
Na mensagem postada na rede de microblogs e compartilhada pelo Facebook, Micheline afirmou que as médicas “tem (sic) uma cara de emprega doméstica” e ainda questiona se elas realmente estudaram para exercer a profissão. “Será que são médicas mesmo?”, escreveu.
Uma usuária do Facebook chegou a rebater o comentário da potiguar que, ainda assim, continuou defendendo sua opinião. Segundo ela, a aparência conta em diversas situações e as pessoas devem ter paciência caso não concordem com o que ela diz.
A blogueira Clara Averbuck foi uma das primeiras a repercutir o caso. Para ela, várias formas preconceito se apresentaram de uma só vez no comentário de Micheline. ”Xenofobia mandou beijos, racismo mandou abraços, sexismo mandou um joinha. que vergonha, brasil, que VERGONHA”, escreveu.
Após a repercussão do fato, a jornalista bloqueou seus perfis no Facebook e no Twitter. Antes disso Micheline chegou a discutir com um usuário da rede de microblogs e pediu desculpas. “Minha gente, errar é humano. Reconheço o erro. Ponto. Mudemos o foco. Paz, perdão”, finalizou.
Errar é humano mesmo, assim como reconhecer que errou e assumir as consequências pelos atos de preconceito, entre elas (a menos impactante) virar motivo de chacota na internet:
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27 de agosto de 2013
Demagogia e preconceito na chegada dos médicos cubanos
Eles chegaram. Vindos de Cuba, último reduto socialista da América Latina, onde falta liberdade de pensamento, mas sobra qualidade na Educação e na Saúde oferecidos pelo Estado ao povo: os médicos cubanos finalmente desembarcaram no Brasil.
É claro que a chegada deles não passaria em branco e está sendo marcada por polêmicas. Eles vieram no pacote do programa "Mais Médicos", para atuar nos rincões onde os médicos formados no país não querem ou não podem atuar, assim como vários outros de diversas nacionalidades, mas não vão receber a mesma bolsa de 10 mil reais a que terá direito os demais médicos estrangeiros que se candidataram às vagas do programa. O valor será repassado à OPAS (Organização Pan-americana de Saúde), que por sua vez repassará o recurso para Cuba, que é quem fará o pagamento dos médicos.
É claro que a chegada deles não passaria em branco e está sendo marcada por polêmicas. Eles vieram no pacote do programa "Mais Médicos", para atuar nos rincões onde os médicos formados no país não querem ou não podem atuar, assim como vários outros de diversas nacionalidades, mas não vão receber a mesma bolsa de 10 mil reais a que terá direito os demais médicos estrangeiros que se candidataram às vagas do programa. O valor será repassado à OPAS (Organização Pan-americana de Saúde), que por sua vez repassará o recurso para Cuba, que é quem fará o pagamento dos médicos.
Financiamento de regime ditatorial com recursos brasileiros disfarçado de convênio ou medida normal dado às especificidades da nacionalidade e da formação dos médicos cubanos? Medida populista do Governo Brasileiro ou protesto descabido das associações médicas brasileiras preocupadas com uma suposta reserva elitista de mercado? Solução ou apenas outro problema para a Saúde brasileira?
São muitas perguntas e poucas respostas convincentes de cada um dos lados envolvidos nessa polêmica. A verdade é que as regiões mais pobres do país não podem esperar pela chegada dos cursos de Medicina e nem pelos médicos que ainda irão se formar, assim como o problema não está apenas na falta de médicos, mas sim na ausência de condições básicas para exercer a profissão. O que não pode é o Governo continuar usando os médicos cubanos como peça de propaganda (alguém viu foto do ministro Padilha com os médicos bolivianos ou portugueses?), assim como não tem cabimento os médicos (especialmente os recém formados) hostilizarem os colegas de profissão que estão chegando para trabalhar onde eles não querem (ou não podem) ir.
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| Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, só tira foto com os médicos cubanos |
A verdade é que as posições extremas só reforçam a desconfiança e o preconceito e geram situações ridículas, como a "recepção" dos médicos cubanos em Fortaleza e a mensagem no Facebook da jornalista Micheline Borges, do Rio Grande do Sul, comparando as médicas cubanas a empregadas domésticas (imagem abaixo).
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| Jornalista preconceituosa, que acha que a roupa faz o monge |
O "Mais Médicos" é sim uma medida paliativa, que não vai resolver os grandes problemas da Saúde, mas não se resume apenas em trazer médicos do exterior, e até a ampliação das vagas nas universidades e da criação de melhores condições de trabalho, hospitais e leitos, seja nas capitais ou no interior do Brasil, é o maior esforço já feito até então para levar medicina básica a quem precisa, e não dá para ser contra isso.
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