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Pensamentos aleatórios

5 de novembro de 2014

Caso da falsa biomédica: Como NÃO investigar uma denúncia!


Mais novidades sobre o caso Raquel Policena Rosa, filha de pastor e biomédica charlatã. 

Foi noticiado ontem, no Jornal Anhanguera - 1ª Edição, e reproduzido hoje na imprensa local e na blogosfera catalana, que a Vigilância Sanitária de Catalão recebeu, há três meses atrás, denúncia sobre a atuação irregular de Raquel junto a salões de beleza e clínicas de estética da cidade oferecendo o tal "aumento de glúteos" por meio de aplicação de hidrogel, mesmo procedimento que pode ter causado a morte de Maria José Brandão. Segue abaixo reprodução da denúncia:


Ao final do e-mail a denunciante frisa "denúncia está feita para prevenir sérios problemas no futuro, caso não tomem providências... apresento as mídias sociais e locais a denúncia feita devidamente registrada junto ao órgão".

Três meses se passaram, uma mulher morre, o assunto repercute nacionalmente e somente aí os catalanos tomam conhecimento de como o poder público agiu para "investigar" essa grave denúncia, nas palavras da própria Vigilância Sanitária:
Ao tomar ciência do caso, a equipe da Vigilância Sanitária de Catalão, entrou com ferrenha investigação contra a golpista.  O diretor da Vigilância Epidemiológica, Diego Rodrigues, informou que após o recebimento da informação, uma fiscal do órgão entrou em contato com Raquel para o agendamento do procedimento, que foi aceito pela falsa biomédica. Entretanto, desconfiando da ação, Raquel desmarcou a consulta e remarcou para a capital do estado. “A denúncia chegou via e-mail e uma fiscal entrou em contato com ela para agendar o procedimento. Mas ela disse que era preciso juntar pessoas. Aí marcou uma vez em Catalão, mas por desconfiar bastante, acabou desmarcando. Mais tarde, agendou para Goiânia”, relata Diego. Tendo o procedimento transferido para Goiânia, o coordenador de Vigilância Epidemiológica de Catalão entrou em contato com os responsáveis pelo órgão na capital, para que assumissem o caso e acompanhassem a ação de Raquel. “A partir daí, enviamos as informações para a Vigilância Sanitária da capital, com endereço, mas não houve êxito em encontrá-la”, explicou Diego Rodrigues.
Pois é...

A pessoa faz uma denúncia de conduta criminosa (aplicação de substância de origem duvidosa) sendo realizado em ambientes não adequados (salões de beleza), sem o acompanhamento ou supervisão de pessoal capacitado (médicos ou cirurgiões plásticos), por pessoa sem capacitação profissional para realizar tal procedimento... e aí o que a Vigilância Sanitária faz? Arma uma arapuca para pegar a pessoa denunciada!!!

Sério mesmo, não sei se é descaso, se é deboche, ou se é incompetência mesmo, mas num caso desses o correto não seria INTIMAR a pessoa denunciada a apresentar suas credenciais profissionais para realizar o tal procedimento, bem como a origem dos produtos utilizados?! Também não deveriam ser CONVOCADOS a prestar esclarecimento os estabelecimentos comerciais elencados na denúncia, até mesmo para alertá-los?! E em caso de as medidas necessárias para apuração dos fatos fugirem das atribuições da Vigilância não seria o caso de acionar a Polícia repassando a denúncia pra frente?! Mas não... nossa audaciosa Vigilância Sanitária prefere montar elaboradas armadilhas, mesmo sob o risco de falhar (como falhou) e a pessoa denunciada continuar atuando e colocando em risco a vida dos outros.

E o duro é que a arapuca não funcionou simplesmente por não conseguirem localizar a denunciada. Uma pena que não procuraram na Secretaria Municipal de Saúde, onde Raquel prestava serviço até cerca de dois meses atrás. Talvez, quem sabe, se ao invés de montar uma arapuca a Vigilância Sanitária de Catalão tivesse simplesmente INTIMADO a falsa biomédica, a história de Maria José Brandão poderia ser outra.

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O dia após as eleições:


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4 de novembro de 2014

A chuva em Catalão

As orações para São Pedro estão fazendo efeito:


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Caso de intervenção


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Raquel Policena, a falsa biomédica, em reportagem do Jornal Nacional


Raquel Policena Rosa, a falsa biomédica, responsável pela aplicação de hidrogel em Maria José Brandão, que morreu poucas horas depois, prestou depoimento ontem à Polícia Civil, em Goiânia, e disse não ter qualquer responsabilidade sobre a morte da auxiliar de leilões, haja vista que fez um "curso" de bioplastia com duração de 60 horas (?) e que seguiu todos os passos indicados para a realização do procedimento.

Uma pena que ela esqueceu que apenas MÉDICOS podem realizar procedimentos invasivos; que ela NÃO TEM diploma de biomédica; que um curso de 60 horas NÃO A ISENTA da responsabilidade pela morte de Maria José; e que exercer uma profissão da qual não tem formação caracteriza CHARLATANISMO.

Mas a delegada que investiga o caso lembrou de tudo isso e vai mudar a linha da investigação para homicídio doloso, quando existe a intenção de matar, haja vista a omissão de socorro e as orientações equivocadas de Raquel às reclamações de dor feitas por Maria José. Confira na reportagem de ontem do  Jornal Nacional:


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2 de novembro de 2014

Devoção popular em Catalão: A história de Antero

O túmulo de Antero, no Cemitério Municipal de Catalão. Local de orações e devoção.

Aproveitando o Dia de Finados convém lembrarmos da história de Antero da Costa Carvalho, o farmacêutico cruelmente assassinado em Catalão na década de 30, por motivos até hoje não explicados e que, na crença popular, devido ao martírio sofrido, tornou-se santo. 

O texto abaixo é uma adaptação do artigo "Devoção Popular em Catalão: Santo Antero", de Jaciely Soares e Márcia Pereira Silva, publicado originalmente em 2011, na MNEME – Revista de Humanidades, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A versão completa do artigo pode ser acessada em http://www.periodicos.ufrn.br/mneme/article/download/1012/968.

A cidade de Catalão no século passado foi testemunha de um crime que não permaneceu apenas nos arquivos públicos da cidade, mas ganhou espaço e valor na memória da sociedade. Seu enredo se dá em um contexto de violência, hegemonia de grupos sociais ricos e de concorrência política. Foram por esses três caminhos que a história e a repercussão da morte de Antero passaram. Essa trajetória permitiu que sua imagem de homem fosse, a partir da flagelação da qual fora vítima, elevada a categoria de santo popular da cidade.

A história de Antero se inicia com sua vinda para a cidade de Catalão na década de 1930. Não se sabe ao certo o que o trouxe à cidade, mas segundo descrição feita pelo jornal “Diário de Catalão” (2009) através de relatos colhidos junto à população local, Antero era farmacêutico prático, – oficio comum para época, boa parte das pessoas que exerciam tal prática, teriam adquirido por meio de experiências cotidianas, sem, contudo, estudarem numa instituição oficial –, era também jornalista e poeta e veio para Catalão aos 34 anos de idade. 

Segundo o escritor Cornélio Ramos (1997), Antero chegou a Catalão por indicação de sua mulher, Amélia Nazar, natural da Síria e ex-moradora de Catalão. Em tese sua vinda se deu por causa de alguns conflitos com morados de Campo Alegre-GO e por problemas com a Justiça local, os quais não se têm como especificar. Ao chegar a Catalão foi acolhido pelo grupo situacionista. Aos poucos Antero foi conquistando espaço e confiança dos moradores, logo a fama de bom farmacêutico cresceu dando-lhe prestígio. “Seu nome começou a crescer passando naturalmente a empanar o brilho de outros, a constituir uma ameaça” (Diário Dito e Feito, 2002).

No ano de 1936, a cidade de Catalão é testemunha do assassinato de Albino Felipe do Nascimento, de 78 anos de idade. Rico fazendeiro da região, casado pela segunda vez com uma jovem senhora, ele foi morto em emboscada no local denominado Pedra Preta, caminho que seguia para chegar a sua casa na fazenda. O crime abalou toda a cidade, já que, Albino era conhecido por todos, e por não ter, segundo a fala de seu filho João Albino do Nascimento, nenhum problema ou negócios mal resolvidos com ninguém. 

Ao tratar em seu livro sobre o assunto, Cornélio Ramos, nos diz que os instrumentos policiais e judiciais eram frágeis para a solução do crime. Com um emaranhado de pistas e suspeitos, os quais se perdiam no ar, haja vista, também, as questões políticas dominantes que cada vez mais pressionavam as autoridades legais por uma solução para o crime. O primeiro suspeito apontado como autor do crime foi o filho de Albino Felipe, fruto de seu primeiro casamento, João Albino. Este foi preso pelas autoridades locais, que em busca de uma confissão o torturou por três dias, entretanto, não confessou o crime. A segunda opção como mentor do crime recai sobre Antero.

Havia uma coisa que favorecia indicação do seu nome [Antero]: a dívida que tinha para com o fazendeiro, a liberdade com que contava para entrar e sair da estância, a amizade que devotava à família, deliberadamente deturpada por pessoas maldosas, o fato de o invejado poeta não possuir parente aqui; que se dispusesse a defendê-lo, ou posteriormente pudesse reclamar justiça, seu relacionamento com Chico Prateado, que era seu cobrador (RAMOS, 1997, p. 106).
Seguindo esse raciocínio, Ramos nos aponta outra possibilidade que justificaria a ocorrência do crime cometido por Antero, uma possível traição da mulher de Albino Felipe com Antero. Ambas as possibilidades constituem um emaranhado de suposições, dúvidas e medos, que ainda giram em torno da família de Albino.

Em busca de um culpado, a família de Albino manteve uma escolta formada por jagunços e amigos a fim de prender o criminoso. Como já apontado, num primeiro momento, o filho dele, João Albino do Nascimento fruto do primeiro casamento foi incriminado. Posteriormente, de acordo com textos já publicados sobre o assunto, relatos e testemunhas, o cenário do crime muda, as acusações recaem sobre Antero. Dessa forma, ele foi preso juntamente com o jagunço Chico Prateado, suspeito de ser executor do crime a mando de Antero. Após certo período, os policiais não conseguiram obter do suspeito a confissão, o que aparentemente irritou ainda mais a família de Albino, a qual almejava por justiça, esta enfurecida tencionou fazer ‘justiça’ com as próprias mãos, e sem nenhuma objeção do suposto criminoso, ou mesmo das autoridades locais, muitas pessoas invadiram a cadeira e  arrancaram Antero da cela.

Amarraram-lhe uma corda ao pescoço, ataram suas mãos e o levaram pelas ruas aos empurrões e pontapés. Durante a caminhada, ele levou inúmeras espetadas de faca pelo corpo. A intenção era fazê-lo sofrer bastante, num sadismo abominável (RAMOS, 1997, p. 107). 
No dia 16 de agosto de 1936, Antero caiu morto após seu suplício. Percorreu parte das ruas de Catalão, sem que alguma autoridade lhe socorresse. Sua morte foi comemorada pelos jagunços com bebidas, acrobacias e gargalhadas. A festa varou a noite com tiros e carreiras de cavalos pelas ruas da cidade. Caiu pela última vez no final da rua principal, hoje denominada Vinte de Agosto, próximo a saída da cidade, em direção à cidade de Goiandira-GO. Ao passar diante da casa do então Prefeito Anízio Gomides, teria lhe pedido socorro, o que, obviamente, lhe foi negado. Em meio à cena, pedia ao filho de João Albino, que também havia sido torturado anteriormente, pois fora acusado do crime, sua presença, porque queria lhe contar um segredo; mas o chefe dos jagunços, que comandava o sangrento crime, não permitiu tal encontro. O mesmo jagunço acabou com sua vida numa facada certeira no peito.

Capela de Antero. A parte interna é cheia de fotos e pedidos de bênçãos.

É interessante notar que tal episódio nos remete, em princípio, a dois critérios de santificação de pessoas no imaginário popular: um primeiro, parte da própria Igreja Católica, o martírio sofrido por Santos e Santas, que expressaram suas convicções e por isso foram alvos das mais diversas atrocidades e mantiveram firmes em seus propósitos de castidade3 e fidelidade ao Cristo, não se sujeitando ao que a sociedade os impunha. Um segundo critério, seria a imitação de Cristo, o que, no caso de Antero, aparece no caminho percorrido por ele que, segundo a analogia de Ramos é uma via crucis, tecendo narrativamente a comparação entre Antero e Cristo. 

Cornélio Ramos (1997) ao tratar sobre a história da cidade, dedica um capítulo de seu livro ao caso de Antero. Seguindo uma perspectiva de sofrimento, morte e santificação, desenvolve uma escrita dando como mérito final a trágica morte de Antero e sua elevação a condição de Santo e, portanto, como realizador de milagres. 

A crença geral é de que o mártir santificou-se. São diárias as orações em sua capelinha e no seu túmulo, presentemente bem cuidados por populares que contam com os dedos da mão, um por um, os culpados pelo massacre, todos eles castigados pela justiça divina (RAMOS, 1997, p. 109).
Apesar de toda a violência, o crime que teve sob acusado Antero da Costa Carvalho, nunca foi esclarecido. O mistério continua bailando no ar através do tempo.

 
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Dia de Finados em Catalão (2):


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Dia de Finados em Catalão (1):


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1 de novembro de 2014

A morte na mão da biomédica charlatã


Para quem ainda não viu, seguem duas reportagens (Jornal Nacional e Jornal da Record) sobre  a morte de Maria José Brandão, vítima de embolia pulmonar por aplicação de gel para aumento dos glúteos, feito por uma charlatã que se apresentou como biomédica:

- Reportagem do Jornal Nacional


- Reportagem da TV Record


Raquel Policena Rosa, que teria aplicado o hidrogel na ajudante de leilões Maria José Medrado de Souza Brandão, não tinha registro de biomédica. A informação é da delegada Myrian Vidal, do 17º Distrito Policial de Goiânia, que investiga se um procedimento estético teria causado a morte de Maria José, no último dia 25. “Ela não é biomédica, não tem registro em nenhum dos conselhos de medicina do País”, afirma a delegada.

Na manhã de ontem, agentes da Polícia Civil conseguiram localizar o paradeiro de Raquel Rosa, apontada como a biomédica que realizou a aplicação do hidrogel na ajudante de leilões. A delegada esclarece que até o momento só falou com o advogado da denunciada, e que o depoimento de Raquel está marcado para segunda-feira (03/11).

A delegada Myrian afirma que, se ficar constatado por meio de laudos periciais que a morte de Maria José foi provocada pela injeção do hidrogel, Raquel Rosa responderá por homicídio culposo. “Provavelmente ela deve responder também por exercer uma profissão para a qual não tem registro”, disse a delegada, apontando que a denunciada também pode responder por exercício irregular da profissão.

Importante lembrar que mesmo se fosse realmente uma biomédica, Raquel não poderia ter feito esse procedimento, pois é considerado invasivo e, por isso, restrito a médicos.

Não é a primeira vez que vemos notícias desse tipo e, infelizmente, não será a última. O que as mulheres e homens preocupados com a estética devem fazer é procurar estabelecimentos sérios, com médicos especializados na área, que orientem e se responsabilizem pelos profissionais de estética que realizam os procedimentos, evitando as pechinchas que aparecerem, principalmente na internet, para não cair na conversa de charlatões, como o casal Raquel e Fábio, cuja irresponsabilidade e ânsia pelo lucro acabou por ceifar a vida de uma vaidosa mãe de família.

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