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Pensamentos aleatórios

18 de fevereiro de 2013

Um desabafo sobre o transporte coletivo



Eu não votei no Jardel Sebba para prefeito em 2012. E não foi por ter qualquer coisa contra ele, muito pelo contrário. Jardel foi o meu voto em três das ultimas quatro eleições (prefeito em 2008 e deputado estadual em 2010 e 2006 - só não votei nele para deputado quando o outro candidato da região foi o Fernando Netto, em 2002). Em 2008 entendia que era o momento de haver a alternância de poder em Catalão e pessoalmente eu o achava mais preparado para ser prefeito que Velomar naquela época. Já em 2012, além de estar me candidatando a vereador na coligação do PMDB, entendia que no momento atual Catalão precisava ter um prefeito da base aliada do Governo Federal, pois uma disputada eleição presidencial vem aí e os recursos federais (os que importam de verdade) com certeza virão para os aliados, ou alguém é ingênuo de acreditar que o PT vai enviar verbas gordas para prefeitos do PSDB?! Portanto, mesmo com todo o desgaste de 12 anos do PMDB em Catalão, e dos benefícios imediatos que a alternância de poder sempre apresenta, era melhor ter um aliado da Dilma na prefeitura do que um do Marconi, desgastado por conta da quebradeira do Governo Estadual e da relação suspeita com o Cachoeira. Pois bem, escrevi tudo isso só para dizer que hoje, mesmo com todos os contras anteriores, tem um motivo pelo qual eu gostaria de ter votado no Jardel para prefeito em 2012, uma única promessa de campanha, a de tirar da Transduarte o transporte coletivo da cidade.

Não é brincadeira, nem loucura, muito menos mudança de lado, mas quando lembro do descaso com o transporte coletivo me arrependo de não ter votado no Jardel, de verdade! Gostaria de ter votado só para poder dizer que contribuí de alguma forma para saída da Transduarte. E isso não é raiva da empresa, nem de seus funcionários, diretores ou donos, nada disso. Simplesmente não dá mais para suportar o que a Transduarte representa: o completo descaso com o transporte coletivo em Catalão.

Um sistema de transporte coletivo de qualidade é um dos meios mais eficazes de conseguir melhoras no trânsito. Se o coletivo é bom, mais pessoas deixam seus veículos na garagem, desafogando o tráfego. Fica mais barato se deslocar de coletivo e é mais seguro. Mas se o transporte é ruim a tendencia é todo mundo que tiver condição adquirir um carro ou moto, simplesmente para não depender mais do coletivo e é isso que a Transduarte provoca: raiva do transporte público e vontade de comprar um carro. Escrevo isso com experiência própria de quem está usando o coletivo e sofre com os horários dos ônibus e vê diariamente o tratamento raivoso de alguns funcionários do terminal, principalmente com os estudantes, maiores usuários do transporte coletivo. Alguns parecem nutrir ódio da pessoa que estuda, tamanha a animosidade com que tratam estudantes, especialmente os universitários. 

É verdade que a Transduarte não é culpada sozinha pelo descaso com o coletivo. Transporte público é historicamente ignorado no Brasil todo e em Catalão é pior, pois culturalmente é algo associado à pobreza (só pobre anda de coletivo) e por isso é desprezado pela maioria. Mas nas cidades onde o coletivo funciona o trânsito e a própria vida cotidiana melhora, pois além de diminuir a poluição o coletivo se torna um espaço de comunicação e socialização. Ao longo do trajeto pode-se encontrar amigos, fazer novos, conversar e discutir todo tipo de questões, desde os jogos CRAC até eventos políticos e culturais na cidade (quando existirem) e dá para aproveitar o tempo para pequenas tarefas como a preparação de uma lista de compras, a leitura de uma revista, palavras cruzadas, jogos eletrônicos e outras  pequenas atividades, desde que o usuário não fique estressado com a demora. 

E em Catalão o serviço prestado não é de todo ruim, o preço da passagem não é caro, os ônibus em sua maioria são bem conservados e limpos, a maioria dos cobradores e motoristas são capacitados, mas quando chega no quesito tempo a coisa fica feia. Para me deslocar de casa (moro no Estrela) até a UFG levo em média sete minutos de carro, de coletivo gasto uma hora e vinte minutos, sendo que cerca de meia hora é parado no terminal esperando todos os ônibus chegarem, um absurdo! Como é que alguém vai deixar seu carro na garagem e perder tanto tempo assim? Até quem quer dar sua contribuição para melhorar o trânsito vai mudar de ideia. E a única solução parece ser mesmo a saída da empresa, já que a omissão do PROCON, da Prefeitura e do Ministério Público em fiscalizar essa importante concessão pública e cobrar melhorias aparentemente não ia ter fim.

De qualquer forma é lamentável que tenha que haver uma mudança política na cidade para o Poder Público se dar ao trabalho de olhar pelo transporte coletivo, mas se esse foi o caminho então resta-nos dar tchau tchau para a Transduarte e cobrar o cumprimento da promessa e torcer para não ficar apenas no campo eleitoral ou se tornar mais um factoide, um "Recupera Catalão" do coletivo, com muito barulho e pífios resultados práticos.

2 comentários:

  1. Esse aí, sem dúvida, é o do Ipanema às 07h da manhã...

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  2. Na Europa, as pessoas estão se conscientizando sobre o uso de bicicletas, por exemplo, a fim de substituir o uso do carro e, assim, contribuir com o meio ambiente. Elas também não dispensam o uso do transporte público, pois os serviços prestados são de qualidade, diferente do nosso país.

    Para mim, o compromisso de campanha do prefeito Jardel Sebba em relação à saída da Transduarte, também, foi uma das melhores. As pessoas que utilizam do transporte coletivo em nossa cidade merece ser tratada de forma digna e respeitosa.

    Abraços,
    JCamargo

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