Pensamentos aleatórios

15 de abril de 2019

Por que a Universidade é a inimiga da vez?


Joseph Goebbels dizia que uma mentira repetida mil vezes se tornava verdade. 

Talvez Goebbels nunca tenha realmente dito isso, mas a frase, de tão repetida, já é verdadeiramente dele. E ele sabia do que estava falando: foi um dos principais articuladores do nazismo e daquilo que permitiu aos nazistas conquistas a Alemanha, o uso político do antissemitismo.

Filmes mostravam judeus como ratos. Panfletos falavam do mal causados pelos judeus. Espalhavam-se histórias sobre a ganância e a falta de escrúpulos de um povo. Incentivavam-se as mentiras dos Protocolos dos Sábios de Sião. E de repente todo o país esta agindo contra os judeus: em alguns casos, sem que o governo precisasse fazer nada.

Quem queimou os livros dos judeus em praça pública em 33 não foi o governo: aliás, Goebbels tentou deixar claro que nada tinha a ver com aquilo. Quem praticou as barbáries da Noite dos Cristais não foi Hitler: foi o povo alemão, fanatizado previamente pela propaganda antissemita.

É simples: você instiga as pessoas contra o seu adversário. Depois espera que elas ajam. E aí se mostra surpreso, talvez até solidário.

No Brasil dos anos 2010, fica muito claro que há uma nova classe de culpados pelos males do país. São os intelectuais. A ideia é igualmente simples. Primeiro, diga que em algum momento anterior houve uma vida boa. Depois, diga que alguém é responsável por transformar aquela era dourada nisso que temos hoje (e realce bem os problemas, sem jamais falar de coisas boas). Agora resta encontrar o inimigo, para que você seja o antídoto a ele.

Os intelectuais, esses descolados da vida real; esses leitores e produtores de livros críticos; essa gente que muitas vezes nem acredita na mesma religião da maioria da população; essas pessoas que insistem que é preciso mudar coisas que são tradicionalmente aceitas, ao invés de simplesmente aceitar o mundo como ele é, inclusive com suas injustiças; são essas pessoas que merecem ser caladas. São elas o inimigo. São eles os judeus.

A universidade, vejam só, está mostrando livros perigosos; e ensinando a nossos filhos que nosso mundo pode ser diferente. O melhor que fazemos é realças o uso de drogas, chamar os professores de doutrinadores e pintar o quadro de um antro em que nada se respeita: assim ficará claro o perigo.

Neste mês, houve uma série de ameaças a universidades públicas no país. Gente em fóruns subterrâneos da Internet dizendo que atacaria a bala (como aconteceu na tragédia de Suzano) pessoas que estudavam em campi espalhados pelo Brasil. Inclusive na UFG, que recebeu um e-mail com a promessa de um ataque a tiros na Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia, em Goiânia, exterminando "as gordas de cabelo colorido, maconheiros, negros, homossexuais, fornicadores, adúlteros e esquerdistas".


Além da Faculdade de Ciências Humanas a de Jornalismo também foi alvo da ameaça, caso também do Curso de Educação Física, de Jataí, o que levou a suspensão das aulas  para averiguações e reforço da segurança. 

O comum das ameaças é que se direcionam para as Humanidades, nenhum curso de Exatas foi ameaçado até o momento, afinal o incômodo são as ciências que estudam as relações entre as pessoas e que insistem em não se conformar a uma visão única de mundo. É preciso calar essa gente, nem que seja na força.

Jair Bolsonaro não mandou essas mensagens, certamente.

Nem foram seus autores os homens responsáveis pelos editoriais de jornais que vivem traçando um retrato escabroso da universidade pública, parcial, deformado, grotesco.

Também não foi a nova direita conservadora quem ameaçou a UFG, ou pelo menos não foram seus braços institucionalizados.

Provavelmente, foi apenas um maluco. Sozinho. Mas quem colocou as ideias na cabeça dele? Quem fez com que ele odiasse os estudantes e visse neles fornicadores, maconheiros, adúlteros e esquerdistas que merecem ser executados a tiros?

A vida pública exige responsabilidade. E exige que as pessoas sejam responsabilizadas pelos seus atos. Você que fica espalhando mentiras sobre a vida acadêmica e intelectual: você mesmo. Sinta-se envergonhado do que você está fazendo. Pelo menos por hoje, sinta a vergonha que sempre deveria sentir.

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26 de dezembro de 2018

Charge do dia


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Receitas que ajudam curar a ressaca


Natal, réveillon, confraternização da firma, férias… O fim de ano é recheado de festas e celebrações, momentos que geralmente vem acompanhados do consumo de álcool. Mas para que as festas não terminem com sabor de arrependimento é preciso ter cautela e beber com moderação.

O consumo excessivo de álcool causa uma intoxicação no organismo e o fígado fica sobrecarregado. Os principais sintomas dessa intoxicação são dor de cabeça, desidratação, enjoo, diarreia e cansaço.

Se você é daqueles que não conseguem resistir aos drinques, algumas dicas podem te ajudar a passar ileso pela temida ressaca.

A mais importante é: comer bem. A comida forma uma camada protetora no estômago, o que torna a absorção do álcool um pouco mais lenta.

Além disso, é importante se hidratar. Intercalar a bebida alcoólica com água é uma boa opção para evitar a desidratação sem deixar o drink de lado.

A nutricionista esportiva funciona Aryanne Reis explica que “uma boa hidratação auxilia tanto na retenção hídrica, quanto na ressaca” que geralmente surge no dia seguinte.

Além disso, ela ensina a complementar a água com chás estimulantes e diuréticos como o de hibisco, cavalinha, chá verde, gengibre e canela.

Outra dica de ouro, são os sucos “cura ressaca” que conseguem fazer milagres no pós festa. Veja algumas receitas:

Suco cura ressaca 1

Ingredientes:
– 1 copo de água de coco
– ¼ de abacaxi picado
– 1 pedaço de gengibre
– Gotinhas de limão e hortelã

Modo de preparo: Bata todos os ingredientes no liquidificador e está pronto para servir.

Suco cura ressaca 2

Ingredientes:

– 1 fatia de melão
– 300ml de água de coco
– 2 kiwis
– 4 folhas de hortelã

Modo de preparo: Bata todos os ingredientes e está pronto para servir.

Fonte: Jornal Opção.

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26 de novembro de 2018

Carga pesada


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Pasquim na íntegra na internet


Nos 50 anos d’O Pasquim, completados em 2019, todas as edições do semanário poderão ser lidas na internet.

O Pasquim foi um semanário alternativo brasileiro, de característica paradoxal, editado entre 26 de junho de 1969 e 11 de novembro de 1991, reconhecido pelo diálogo entre o cenário da contracultura da década de 1960 e por seu papel de oposição ao regime militar.

De uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, que a princípio parecia exagerada, o semanário (que sempre se definia como um hebdomadário) atingiu a marca de mais de 200 mil em seu auge, em meados dos anos 1970, se tornando um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro.

A princípio uma publicação comportamental (falava sobre sexo, drogas, feminismo e divórcio, entre outros) O Pasquim foi se tornando mais politizado à medida que aumentava a repressão da ditadura, principalmente após a promulgação do repressivo ato AI-5. O Pasquim passou então a ser porta-voz da indignação social brasileira

A Biblioteca Nacional está prestes a terminar a digitalização dos 1.072 números do tabloide que atravessou a ditadura no deboche.

O acervo ficará em uma página que terá, ainda, uma coleção de memórias dos colaboradores do jornal.

O portal será lançado com uma exposição sobre o Pasquim, a ser montada no Rio de Janeiro e em São Paulo.

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